O candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho, esteve em Paranavaí e concedeu entrevista ao editor-chefe do Diário do Noroeste, Adão Ribeiro, na qual apresentou propostas para diferentes áreas da administração estadual. Com uma fala marcada por críticas ao atual modelo de gestão e pela defesa de maior presença do Estado, ele abordou temas que passam diretamente pelo cotidiano dos municípios do interior.
Educação, saúde, segurança, pedágio, ligação entre o Paraná e Mato Grosso do Sul, tributação para pequenas empresas, Copel, tecnologia e permanência dos jovens no interior estiveram entre os assuntos discutidos. Ao falar especificamente sobre Paranavaí, Requião Filho também relacionou o futuro curso de Medicina da Unespar à necessidade de funcionamento pleno da Unidade Morumbi da Santa Casa.
Aos 46 anos, Requião Filho construiu sua trajetória política no Paraná a partir da atuação como advogado e parlamentar. Ele iniciou a carreira política em 2011 e, em 2014, foi eleito pela primeira vez para a Assembleia Legislativa do Paraná, onde cumpre atualmente o terceiro mandato consecutivo. Filho do ex-governador e ex-senador Roberto Requião e de Maristela Quarenghi, também disputou a Prefeitura de Curitiba em 2016. Em 2026, concorre ao Governo do Paraná pelo PDT, levando para a disputa a experiência acumulada no Legislativo estadual.

Diário do Noroeste: Na educação, o senhor fala em valorizar quem ensina. O que isso significa na prática?
Requião Filho: Hoje, a educação do Paraná tem uma plataforma e bota as crianças para ficar respondendo perguntinhas on-line e assistindo aulas como eram as aulas do Telecurso 2000, o Telecurso segundo grau da Globo, lá no final dos anos 1980. Uma coisa muito antiquada, que eles fingem ser moderna, e o professor, dentro da sala de aula, não tem autonomia.
O professor não pode apresentar uma aula criativa, não pode trabalhar uma matéria que chamou mais a atenção, não pode se debruçar um pouquinho mais sobre um problema que a sala não entendeu. Então, a gente quer devolver essa autonomia. O professor, dentro da sala de aula, é como o comandante dentro do avião. Ele é a autoridade lá, ele decide o que tem que ser feito naquela hora. A gente quer devolver essa autonomia para que a gente tenha aulas mais criativas, mais dinâmicas.
Diário do Noroeste: Na saúde, uma das propostas é regionalizar o atendimento. Como isso funcionaria em Paranavaí?
Requião Filho: A gente quer que o hospital seja um hospital, que ele cuide de pessoas, que ele atenda pessoas, que ele valorize a vida, não que ele valorize o dinheiro. Então, a regionalização dos hospitais e a parceria com Santas Casas, com hospitais filantrópicos, com quem atende SUS, será reforçada. A gente quer a saúde regionalizada no Paraná, porque a solução, hoje, é botar as pessoas numa van, num ônibus e mandar para longe de casa. A gente não quer mais isso. A gente quer saúde de verdade perto de onde as pessoas moram.
Diário do Noroeste: Paranavaí terá o curso de Medicina da Unespar e tem a Unidade Morumbi da Santa Casa. O que o senhor vislumbra desse conjunto?
Requião Filho: Se tem curso de Medicina, tem que ter hospital, não é? Seria o funcionamento pleno, então, da Unidade Morumbi, que a gente está falando que hoje tem uma capacidade ociosa. Tem que ser um funcionamento pleno.
Diário do Noroeste: E na segurança pública, como enfrentar tanto a violência cotidiana quanto o avanço do crime organizado?
Requião Filho: Contratando o policial. O que nós temos é pouco policial. O crime organizado no Paraná ainda é tímido, e a gente tem que combater ele com firmeza. Mas o crime organizado a gente combate secando a fonte de renda, fechando a torneira da grana, explodindo os esquemas de lavagem de dinheiro. Combater esse crime organizado com inteligência.
Diário do Noroeste: O senhor também defende alternativas às rodovias pedagiadas. Como fazer isso diante dos contratos existentes?
Requião Filho: Contrato assinado já era, né? Infelizmente, a Justiça do Brasil trabalha dessa maneira. Impedir que novos contratos sejam assinados, impedir que novos leilões aconteçam, pressionando o governo federal para não cometer mais esse erro.
Diário do Noroeste: Outra proposta apresentada pelo senhor é reduzir o custo do Paraná, inclusive para pequenas empresas. Como?
Requião Filho: A gente reduz o imposto para zero, para pequena e mínima empresa, até 2033. Imposto zero até 2033 é o produto mais barato na prateleira. Vamos tirar a substituição tributária desses produtos. Ou seja, o empresário não vai mais pagar imposto sobre o estoque.
Vamos criar as alternativas ao pedágio, vamos colocar a malha ferroviária para funcionar, criando um frete mais barato no Paraná. Vamos diminuir a conta de água e a conta de luz, ajudando empresários, indústrias, o agro e a família paranaense. A gente diminui o custo do Paraná como um todo.
Diário do Noroeste: E como manter o jovem no interior diante da concentração de tecnologia, ciência e oportunidades nos grandes centros?
Requião Filho: Por que ela tem que estar no grande centro? Por que a gente não pode ampliar as faculdades, as universidades públicas, os IFPRs e as UFPRs pelo interior do Paraná? Por que o jovem, para ter futuro, tem que ir para o grande centro?
Nós queremos a universidade e o ensino de qualidade no interior. Nós queremos novas empresas e novas indústrias no interior. Nós queremos polos tecnológicos no interior. Eu quero que o filho do agricultor fique na terra se ele quiser. Agora, se ele não quiser, ele fica perto de casa e abre um negócio, abre uma indústria, abre uma empresa, porque ele vai ter condições para isso.
Nós vamos fazer isso com um programa que nós apelidamos, demos o nome de Celerotec, que é parcerias com as universidades, com o IFPR e os institutos e Itaipu Parque Tech, trazendo centros tecnológicos para o interior do Paraná, tornando o interior atrativo para essa juventude, para que eles tenham esperança de poder crescer na cidade onde nasceram.
Diário do Noroeste: Para encerrar, o senhor gostaria de deixar alguma consideração final aos leitores do Diário do Noroeste?
Requião Filho: As minhas considerações finais são para você, que estava cogitando votar na direita porque está com medo da esquerda. Veja, para você, eu que sou de esquerda, eu e o meu grupo baixamos a sua conta de energia e tornamos o Paraná um estado competitivo, com a menor energia e com a melhor companhia. O pessoal que se diz de direita vendeu essa companhia, aumentou a sua conta de energia e dificultou a sua vida no campo.
Nós, que somos progressistas, criamos fundo de aval. Nós, que somos progressistas, criamos linhas de crédito. Nós, que somos progressistas, garantimos o Trator Solidário, o Leite das Crianças e tantos outros programas que atenderam ao campo, à compra direta de alimentos.
Nós atendemos a você, que vive o agro, você da agroecologia, você da agricultura familiar, você que está numa minicooperativa, você teve um governo parceiro quando nós estávamos à frente. E, hoje, eles só ajudam vocês no discurso.
Então, pensa bem, essa discussão boba de esquerda e direita que tentam contar para você como se fosse o homem do saco, o bicho papão, isso é para enganar você. Eles só querem ficar no poder. Eu quero um Paraná que cuide de verdade das pessoas do Paraná.















