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Senador Sérgio Moro, candidato a governador do Paraná

EM BUSCA DO GOVERNO

Sergio Moro defende planejamento regional, investimentos em infraestrutura e fortalecimento da saúde no Paraná

Candidato ao Governo do Estado fala ao Diário do Noroeste sobre energia, pedágio, Santa Casa de Paranavaí e interiorização do desenvolvimento

Natural de Maringá, Sergio Moro construiu sua trajetória profissional no Direito antes de ingressar na política. Foi juiz federal, professor universitário e ministro da Justiça e Segurança Pública. Desde 2023, exerce mandato como senador pelo Paraná. Nas eleições de 2026, disputa o Governo do Estado pelo Partido Liberal (PL), tendo Edson Vasconcelos como candidato a vice.

Senador Sérgio Moro, candidato a governador do Paraná

Em entrevista ao Diário do Noroeste, Moro apresentou propostas para diferentes áreas da administração estadual e falou especificamente sobre desafios enfrentados pelo Noroeste. O candidato também defendeu uma política de desenvolvimento menos concentrada na Capital e na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo ele, um eventual governo deverá considerar as características e vocações dos 399 municípios paranaenses, com ações voltadas à atração de investimentos, qualificação profissional, agricultura, agroindústria, infraestrutura e retenção de talentos no interior.

Diário do Noroeste: Que avaliação o senhor faz da gestão do atual governador Ratinho Junior?

Sergio Moro: O Paraná avançou em algumas áreas, e isso é preciso reconhecer. Mas também existem problemas que continuam afetando a vida das pessoas. A saúde ainda tem filas, muita gente no interior sofre com a falta de energia e precisamos melhorar nossa infraestrutura para atrair investimentos e gerar empregos.

Eu não sou adversário do Ratinho Junior e não tenho intenção de parar aquilo que está funcionando. O que estiver dando certo, vamos continuar. Onde estiver errado, vamos corrigir. E aquilo que ainda não foi feito, vamos fazer.

O Paraná tem um potencial enorme. O que falta, muitas vezes, é enfrentar os problemas de frente e fazer o governo entregar resultado.

Diário do Noroeste: O seu programa de governo diz que o Paraná precisa ser pensado estrategicamente. O que significa essa constatação?

Sergio Moro: Significa olhar para o Paraná como um todo e pensar no futuro. Não dá para administrar cada problema de forma isolada. Desenvolvimento econômico tem relação com infraestrutura, que tem relação com educação, saúde, qualificação profissional e planejamento. No meu plano, temos propostas de longo prazo, atração de investimentos, formação profissional de acordo com a vocação de cada região e também uma gestão pública mais moderna.

Diário do Noroeste: Dentro desse projeto, onde o Noroeste se insere?

Sergio Moro: O Noroeste tem uma força muito grande no agronegócio, na agroindústria e no empreendedorismo. O que precisamos fazer é transformar essa força em mais investimentos, empregos e renda. Para isso, temos que melhorar as estradas, a infraestrutura, a conectividade e a qualificação profissional. Também queremos trazer mais empresas e agroindústrias para o interior.

O postulante ao Palácio Iguaçu em atividade de campanha

Temos propostas como o Paraná Agro Invest, justamente para ajudar na atração de agroindústrias, e o Plano Paraná Agro 2040, com metas para cada cadeia produtiva e cada região. E tem uma coisa que considero fundamental: o desenvolvimento do Paraná não pode ficar concentrado em Curitiba e na Região Metropolitana. Eu quero governar para os 399 municípios. Cada região tem suas características, suas vocações e seus problemas. O governo precisa conhecer essa realidade e trabalhar em cima dela.

Diário do Noroeste: Paranavaí vive limitações de novos projetos industriais por conta da energia elétrica. O que fazer para ampliar a capacidade e destravar possíveis empreendimentos?

Sergio Moro: Energia não pode ser um obstáculo para o desenvolvimento. Não faz sentido uma empresa querer investir, gerar empregos, movimentar a economia de uma cidade e não conseguir fazer isso porque não existe capacidade de energia suficiente. Vou cobrar da Copel um plano de investimentos que leve em conta as necessidades de cada região. Onde houver demanda industrial reprimida, precisamos identificar o problema e buscar uma solução.

A Copel foi privatizada, mas o Governo do Estado não pode simplesmente lavar as mãos. O governador tem responsabilidade e tem autoridade para cobrar. Vou cobrar investimento, qualidade no serviço e condições para que o interior continue crescendo.

Diário do Noroeste: O Paraná adota o modelo de pedágio nas principais rodovias. O senhor concorda com o formato? E qual compromisso pode assumir com a sonhada ligação via ponte com Mato Grosso do Sul?

Sergio Moro: Eu não sou contra o pedágio. O que não pode acontecer é o cidadão pagar e a obra não sair. Se existe cobrança, tem que haver estrada melhor, mais segurança, duplicação, contornos e redução do tempo e do custo do transporte.

Também quero fortalecer a Agepar e buscar junto ao governo federal a delegação de competência da ANTT para que a agência paranaense possa fiscalizar mais de perto as obras e os contratos. Quero essa fiscalização mais próxima do cidadão.

Outra coisa importante é dar transparência. Vamos criar um mecanismo para que qualquer paranaense possa acompanhar o que foi prometido, o que foi feito e o que está atrasado. Porque obra prometida não é obra realizada.

Também precisamos ficar atentos às tarifas. Se houver excesso, vamos discutir soluções dentro do que permite o contrato. Governo de direito respeita contrato, mas o contrato também precisa ser cumprido.

Sobre a ponte com Mato Grosso do Sul, considero um projeto estratégico para o Noroeste. Estamos falando de uma obra de aproximadamente R$ 1 bilhão, que pode melhorar o escoamento da produção e aproximar ainda mais o Paraná do Centro-Oeste.

É uma obra que exige planejamento e articulação. Vamos trabalhar com o governo federal, com Mato Grosso do Sul e com as lideranças da região para avançar nos estudos, buscar recursos e tornar esse projeto viável.

Diário do Noroeste: No próximo ano Paranavaí terá o curso de Medicina. O que é possível assumir de compromisso para que a Santa Casa possa ser um hospital universitário?

Sergio Moro: A Santa Casa de Paranavaí é muito importante para toda a região. Precisamos fortalecer o hospital, ampliar o atendimento e buscar uma solução para colocar em funcionamento os leitos que hoje estão parados. Uma das principais propostas do meu plano é a Tabela SUS Paranaense. O Estado vai complementar, com recursos próprios, os valores pagos pelo SUS, principalmente nos procedimentos que forem considerados prioritários em cada região.

A chegada do curso de Medicina também abre uma oportunidade muito boa. Podemos aproximar a formação dos médicos da pesquisa e do atendimento à população. Vamos conversar com a Santa Casa, com a instituição de ensino e com o município para avaliar as condições e avançar na estruturação do hospital como unidade universitária, aproveitando também a experiência que a instituição já tem com residência médica.

Diário do Noroeste: O agronegócio paranaense é uma potência mundial. Como o senhor pretende fortalecer o setor, considerando também as estradas e o escoamento pelo Porto de Paranaguá?

Sergio Moro: O agronegócio é uma das grandes forças do Paraná, e as cooperativas têm um papel fundamental nisso. Eu conheço de perto essa realidade e tenho dito que o cooperativismo paranaense é um dos grandes diferenciais do nosso Estado. Em Brasília, inclusive, sempre defendi as cooperativas e o tratamento adequado ao ato cooperativo.

Como governador, quero fortalecer esse setor com investimento, inovação, crédito e apoio à industrialização, para que o produtor não fique apenas na produção da matéria-prima, mas possa agregar cada vez mais valor aqui no Paraná.

Diário do Noroeste: Qual o lugar da agricultura familiar nesse projeto?

Sergio Moro: A agricultura familiar é fundamental para o Paraná. É o pequeno produtor que coloca comida na mesa, gera emprego e movimenta a economia de muitos municípios. O governo precisa ajudar esse produtor a produzir mais, ter renda e continuar no campo.

Vamos fortalecer o Banco do Agricultor Paranaense, ampliar o acesso ao crédito e à assistência técnica e melhorar a infraestrutura rural. Porque não adianta liberar crédito se o produtor não tem estrada para transportar o que produz, se falta energia ou se não tem internet para acessar tecnologia e novos mercados.

O pequeno produtor não pode ficar para trás. Se queremos desenvolver o interior, temos que dar condições para quem já produz continuar produzindo e para que os filhos desses agricultores também tenham a opção de permanecer no campo.

Diário do Noroeste: Para encerrarmos, quais são suas principais propostas e qual mensagem o senhor deixa ao eleitor?

Sergio Moro: Meu compromisso é fazer o Paraná avançar com responsabilidade, trabalho e honestidade. Nós temos um Estado muito forte, com um potencial enorme. Mas não podemos ignorar os problemas que ainda afetam a vida dos paranaenses.

Na saúde, vamos criar a Tabela SUS Paranaense para complementar os valores pagos pelo SUS e fortalecer os hospitais que atendem a nossa população. Vamos investir em segurança, ampliar o ensino integral e profissionalizante e criar um ambiente melhor para atrair investimentos e gerar empregos.

Também vamos enxugar a máquina pública, reduzir a burocracia e combater desperdícios e corrupção. O dinheiro público tem que chegar onde o cidadão precisa. Nosso plano de governo foi construído ouvindo os paranaenses. Recebemos 6.338 sugestões dos 399 municípios, além das contribuições de entidades e especialistas.

Fonte: Cibele Chacon - Da Redação

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