As doenças cardiovasculares representam o maior desafio de saúde pública no Brasil, sendo a principal causa de morte no país e respondendo por cerca de 30% dos óbitos, segundo o Ministério da Saúde1. O envelhecimento da população, evidenciado pelos dados do IBGE que apontam uma esperança de vida de 76,4 anos2, faz com que a convivência com condições crônicas se prolongue. Diante desse cenário, o Setembro Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre a saúde do coração, reforça a importância da prevenção aliada ao papel fundamental da inovação tecnológica para garantir tratamentos mais seguros, precisos e que devolvam qualidade de vida aos pacientes.
Um dos maiores vilões da saúde cardiovascular é a hipertensão arterial. Conhecida por sua evolução silenciosa, ela contribui significativamente para o desenvolvimento de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e falência renal. Embora a grande maioria dos casos possa ser controlada com mudanças no estilo de vida e tratamento medicamentoso, uma parcela dos pacientes enfrenta a chamada hipertensão resistente ou não controlada. Nesses indivíduos, a pressão arterial permanece perigosamente elevada, apesar do uso contínuo de múltiplos fármacos em doses adequadas3.
Para atender a essa necessidade clínica, a denervação renal desponta como uma alternativa terapêutica transformadora. “Trata-se de um procedimento minimamente invasivo que combate a liberação de adrenalina no corpo, atuando diretamente sobre os nervos renais, que desempenham um papel central na elevação anormal da pressão arterial. Para pacientes com hipertensão resistente, a denervação renal pode contribuir para um melhor controle da pressão arterial e, consequentemente, para a redução do risco de eventos cardiovasculares7”, explica o Dr. Luciano Drager, cardiologista especialista em hipertensão.
“A denervação renal pode trazer mais tranquilidade ao paciente com hipertensão e favorecer uma rotina com menos limitações, sempre associada ao acompanhamento médico e à manutenção dos hábitos saudáveis7”, pontua o especialista.
O desafio das arritmias e a precisão do Campo Pulsado
Outra grave condição cardiológica é a fibrilação atrial (FA), a arritmia cardíaca mais frequente no mundo4, que altera os sinais elétricos das câmaras superiores do coração, fazendo com que os batimentos se tornem irregulares e acelerados. O grande perigo da FA reside em suas consequências: a doença eleva em até sete vezes o risco de AVC e está associada a cerca de 30% de todos os casos de AVC isquêmico no Brasil5, 6.
“Muitos pacientes relatam sintomas como palpitações, fadiga e falta de ar, que limitam suas atividades diárias. Outros, no entanto, podem não ter sintomas, o que torna a fibrilação atrial ainda mais perigosa. É uma condição médica séria que exige tratamento para prevenir complicações graves, como o AVC e a insuficiência cardíaca”, alerta o Dr. Januário de Pardo Meo, especialista arritmologista em São Paulo.
Quando a medicação não é suficiente para reverter ou controlar a arritmia, a medicina intervencionista oferece soluções de ponta. A mais recente evolução neste campo é a ablação por campo pulsado (PFA, na sigla em inglês). A técnica inovadora utiliza pulsos elétricos de alta energia e curtíssima duração para isolar, com extrema precisão, as vias elétricas anormais que causam a fibrilação atrial.
O especialista destaca o salto de segurança proporcionado pela ablação por campo pulsado: “A grande vantagem dessa tecnologia disruptiva é a seletividade, pois a energia afeta preferencialmente as células do músculo cardíaco, preservando tecidos vizinhos importantes, como o esôfago e os nervos, o que representa um avanço notável em termos de segurança para o paciente”.
Referências:
Arquivo Brasileiro de Cardiologia, Estatística Cardiovascular – Brasil 2023.
Agência IBGE. Em 2023, expectativa de vida chega aos 76,4 anos e supera patamar pré-pandemia.
Barbato E, Azizi M, Schmieder RE, et al. Renal denervation in the management of hypertension in adults. A clinical consensus statement of the ESC Council on Hypertension and the European Association of Percutaneous Cardiovascular Interventions (EAPCI). EuroIntervention. 2023;18(15):1227–1243.
Justo FA, Silva AFG. Aspectos epidemiológicos da fibrilação atrial. Rev Med (São Paulo). 2014;93(1):1-13.
Medtronic. Fibrilação Atrial. Sua Saúde.
Favarato D. A população brasileira apresenta prevalência de fibrilação atrial semelhante à de países com rendas mais altas, e baixo uso de terapia anticoagulante. Arq Bras Cardiol. 2021.
Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong AC, Mulinari RA, Feitosa ADM, Mota-Gomes MA, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq. Bras. Cardiol. v













