O segundo turno oferece ao eleitor uma oportunidade decisiva: escolher, com responsabilidade e cuidado, quem conduzirá o país. Mais do que confirmar uma preferência partidária, votar significa avaliar a capacidade de melhorar a economia, reduzir desigualdades e garantir serviços públicos dignos. A decisão deve nascer da convicção, nunca do ódio, de vantagens pessoais ou de interesses eleitoreiros.
A disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula recoloca essa responsabilidade nas mãos dos brasileiros. O avanço da direita amplia sua influência política, mas nenhuma corrente ideológica recebe das urnas autorização para governar sem limites. A confiança popular exige competência, equilíbrio e compromisso com toda a sociedade, inclusive com quem escolheu outro candidato.
Na campanha que antecede a votação de 25 de outubro, esperamos propostas claras e debates respeitosos. O cidadão precisa saber como cada candidato pretende gerar empregos, melhorar a renda, enfrentar a violência e fortalecer a saúde e a educação. A troca de ofensas empobrece a discussão e ocupa o espaço das respostas que o Brasil necessita.
Também cabe ao eleitor comparar trajetórias, examinar promessas e questionar sua viabilidade. Quem assume a Presidência administra recursos públicos e toma decisões que chegam à mesa das famílias. Por isso, a escolha deve considerar tanto as necessidades individuais quanto os interesses da comunidade. O acerto beneficia a população; os erros também recaem sobre ela.
Nas relações internacionais, o caminho deve ser o diálogo. Brasil e Estados Unidos precisam preservar a cooperação e resolver divergências por meios diplomáticos, com respeito à soberania. O combate ao crime organizado exige firmeza, inteligência e integração entre instituições. Parcerias externas podem contribuir, desde que respeitem as leis e as decisões brasileiras.
A segurança pública merece propostas consistentes, acompanhadas de recursos, planejamento e resultados verificáveis. Construir presídios, por si só, não resolve um problema que envolve investigação, controle financeiro das facções e capacidade de impedir que criminosos continuem comandando delitos de dentro das prisões.
Do Congresso, esperamos independência para fiscalizar e responsabilidade para legislar. Executivo, Legislativo e Judiciário devem respeitar suas atribuições e manter relações equilibradas. Denúncias contra autoridades precisam receber tratamento sério, com observância dos requisitos legais e do direito de defesa. O interesse público deve orientar as decisões, sem impunidade nem perseguição política.
O Brasil avançará quando o mandato for entendido como dever de servir. Ao eleitor cabe escolher com consciência e, depois, acompanhar, cobrar e fiscalizar. Aos eleitos caberá cumprir compromissos e respeitar as instituições. É assim que a democracia pode transformar a força do voto em desenvolvimento econômico, justiça social e melhores oportunidades para as próximas gerações.
*Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)













