Dona Lucimar Souza Santos chegou ao terminal urbano Ângelo Bogoni, em Paranavaí, pouco depois das 13h30 desta segunda-feira (19). O ônibus que leva os passageiros ao distrito de Sumaré, onde ela mora, já havia partido, por isso precisou esperar até as 16h30. “É muito tempo esperando, tomando chá de banco”, reclama a aposentada de 75 anos.

Foto: Ivan Fuquini
O problema se repete todas as vezes que dona Lucimar precisa passar por consulta médica ou fazer exames. Se ela se atrasa, não tem outra opção a não ser aguardar – por quase três horas. Antes, quando as condições de saúde permitiam, preferia voltar para casa a pé, mas agora a caminhada é pesada e provoca câimbras.
O aposentado José Antônio Chiquito, de 73 anos, concorda: “Precisa ajustar os horários. Antes tinha mais, agora é muito distante.” A casa onde mora fica no jardim Morumbi, e sempre que precisa ir ao centro da cidade, enfrenta a mesma dificuldade. “O horário é muito espaçado.”

Foto: Ivan Fuquini
Mudanças
De acordo com a Prefeitura de Paranavaí, o novo contrato do transporte coletivo deverá resolver a situação. Ainda não há data prevista para o lançamento da licitação, mas a Secretaria de Segurança e Trânsito trabalha em parceria com outras pastas da administração municipal para acelerar o processo.
O diretor de Trânsito Matheus Buchner informa que o edital preliminar está sendo finalizado seguindo os resultados dos estudos técnicos feitos pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Assim que o documento estiver pronto, será disponibilizado, juntamente com o manual técnico, para que a população tenha acesso.

Foto: Ivan Fuquini
A previsão é que dentro de 30 dias a prefeitura abra consulta pública e, na sequência, promova audiência pública para ouvir os apelos dos moradores. Então, caso seja, necessário, fará adequações no edital a fim de suprir a demanda dos usuários do transporte coletivo.
De acordo com Buchner, o contrato garantirá maior abrangência ao serviço, com mais linhas e horários de circulação na cidade e nos distritos. Os ônibus novos deverão oferecer aos passageiros sinal de internet e ar-condicionado.
O formato da remuneração da empresa também passará por mudanças. Atualmente, o cálculo é baseado na tarifa, com valor menor do que o custo, o que requer subsídio da prefeitura. Entram na conta, por exemplo, preço do diesel e manutenções administrativas. “O contrato não é autossustentável”, avalia o diretor de Trânsito.

Foto: Ivan Fuquini
As tarifas são de R$ 4,93 para pagamento com cartão, R$ 5,10 em dinheiro e R$ 2,55 para estudantes.
O novo modelo terá remuneração por quilômetro rodado. Segundo Buchner, isso resultará em menos desgastes financeiros e mais possibilidades de adequação em linhas e horários, se assim for necessário.
Por enquanto, as sete linhas contemplam bairros como os jardins Morumbi, São Jorge e Renascer, vilas Operária e Manoel Ribas e os distritos de Sumaré e Graciosa.
Caso a proposta seja efetivada, ficará mais fácil para dona Lucimar sair de casa em direção ao centro de Paranavaí. “Vou poder vir comprar uma fruta, uma verdura, sem ter que ficar aguardando tanto tempo.”



















