A proximidade de uma nova etapa da reforma tributária, prevista para 2027, exige atenção dos empresários, especialmente em relação ao controle financeiro e ao planejamento do fluxo de caixa. O alerta é do consultor empresarial Carlos Cremonini, da Guia Gestão, em uma entrevista concedida ao editor-chefe do Diário do Noroeste, Adão Ribeiro, sobre os desafios enfrentados pelas empresas e a necessidade de adaptação às mudanças tributárias.
A Guia Gestão é uma consultoria empresarial que atua na organização e no desenvolvimento de negócios de diferentes segmentos. Segundo Cremonini, a empresa trabalha com uma equipe de especialistas em áreas como finanças, vendas, processos, recursos humanos e liderança, buscando oferecer soluções integradas para melhorar o funcionamento das organizações.
O trabalho não se limita a um único setor da empresa. A proposta é identificar dificuldades, estruturar processos e oferecer condições para que os empresários consigam administrar seus negócios com maior segurança e autonomia.
Reforma tributária exige atenção ao caixa
Um dos principais alertas feitos por Cremonini diz respeito às mudanças tributárias previstas para 2027. O consultor destacou que a substituição de tributos e a introdução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) exigirão atenção redobrada das empresas.
Na avaliação dele, muitos empresários ainda não compreenderam como as mudanças poderão afetar suas operações financeiras. Entre as preocupações mencionadas está a possibilidade de recolhimento de tributos no momento da liquidação financeira das operações, mecanismo que poderá alterar a disponibilidade imediata de recursos no caixa.
“Nós estamos falando que os impostos vão ser cobrados antes da venda. Quando o Pix cair na conta do cara, já vai vir dinheiro a menos. E ninguém tá se preparando com caixa pra isso”, afirmou o consultor, ao apresentar sua preocupação com os efeitos das novas regras.
A declaração reflete a avaliação de Cremonini sobre o novo modelo. A implementação da reforma tributária ocorre de forma gradual, e os mecanismos de recolhimento, incluindo o chamado split payment, dependem das regras e dos cronogramas específicos de aplicação.
Para o consultor, independentemente dos detalhes operacionais, a principal recomendação é que os empresários comecem a avaliar desde já os impactos sobre o fluxo de caixa, a formação de preços e o planejamento financeiro. “Então, quando eu falo em organização, eu falo exatamente em a empresa se preparar pelas condições desfavoráveis que as empresas vão ter nos próximos meses e nos próximos anos”, destacou.
Faturamento alto não significa lucro
Cremonini também chamou a atenção para um problema que considera recorrente, com empresas que conseguem vender, mas não possuem controle adequado sobre receitas, despesas e resultados. Segundo ele, é comum encontrar empresários que desconhecem o faturamento mensal ou não realizam corretamente a conciliação financeira. A falta de organização pode comprometer a sustentabilidade do negócio mesmo quando o volume de vendas é elevado.
“Eu atendo empresas hoje que faturam 1,2 milhão, por exemplo, e quando eu faço o DRE, que é o Demonstrativo de Resultado de Exercício, que é uma metodologia financeira, está negativo”, relatou.
O consultor explicou que o resultado financeiro depende de fatores que vão além da diferença entre o preço de compra e o de venda de um produto. Despesas com energia, aluguel, funcionários, estrutura e retiradas dos proprietários precisam entrar nos cálculos para que a empresa conheça sua margem real.
Reserva financeira e cautela nos investimentos
Outra orientação apresentada pelo consultor é a formação de uma reserva financeira capaz de sustentar as operações em momentos de dificuldade. Na avaliação de Cremonini, o ideal, nas atuais condições econômicas, é que as empresas busquem manter recursos suficientes para aproximadamente dois meses de funcionamento, mesmo diante de uma eventual interrupção das vendas.
O consultor reforçou que a preparação para a reforma tributária deve começar pelo diálogo entre empresários e profissionais da contabilidade. “Pelo amor de Deus, empresário, converse com o seu contador sobre reforma tributária”, alertou.
Para ele, acompanhar as mudanças na legislação, buscar conhecimento sobre gestão financeira e investir na qualificação são atitudes indispensáveis para enfrentar um ambiente de negócios em transformação. “Se o empresário quiser se manter, se quiser manter a sua empresa em pé, ele precisa se atualizar constantemente”, afirmou.


















