Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Corrida UniFatecie
Dr. Cleyton
Casa Maringá – Outubro
Prefeitura Paranavaí – OUTUBRO ROSA
ACIAP – Jantar (Grande)
CRESOL
PACAEMBU – Banner maior
ONIL X
Compartilhe:
Proteger a infância também é valorizar quem educa

REFLETINDO

Proteger a infância também é valorizar quem educa

Outubro está chegando ao fim, mas ainda há tempo para refletir sobre duas datas que caminham lado a lado: o Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, e o Dia do Professor, em 15 de outubro. Ambas nos convidam a pensar sobre o futuro do país e a reconhecer nossa responsabilidade coletiva na tarefa de educar, proteger e preparar as novas gerações. Afinal, a realização pessoal e profissional de um adulto também depende das oportunidades que ele teve na infância, especialmente do acesso à escola.

No Brasil, o Dia das Crianças foi instituído em 1924, com o nome de Festa da Criança. A iniciativa buscava chamar a atenção da sociedade e dos poderes públicos para o bem-estar infantil, a saúde e a educação. Naquele período, muitas crianças viviam em condições precárias. As mais pobres eram submetidas precocemente ao trabalho, enfrentavam situações de abandono e negligência e, em alguns casos, acabavam detidas por crimes ou mesmo sob a acusação de vadiagem.

A história do Dia do Professor também remete ao século 19. Em 15 de outubro de 1827, Dom Pedro I assinou um decreto que criou as Escolas de Primeiras Letras no Brasil. Na prática, porém, o acesso à educação estava longe de ser universal. A Constituição de 1824 previa a instrução primária gratuita para todos os cidadãos, mas a população negra escravizada não era reconhecida como cidadã. Além disso, o Decreto nº 1, de 1837, proibia a frequência de pessoas escravizadas e de pessoas negras, mesmo libertas, às escolas públicas. Após a abolição da escravidão, em 1888, a população negra passou a ter formalmente o direito à instrução, mas sem políticas públicas que garantissem sua inclusão efetiva.

A trajetória dessas duas datas revela uma contradição histórica: enquanto o país reconhecia a importância da infância e da educação, parte significativa de sua população permanecia excluída desses direitos. Ao olhar para o passado, compreendemos melhor quem eram as crianças submetidas ao trabalho precoce, ao abandono e à privação de liberdade, assim como aquelas impedidas de frequentar a escola.

Mais de um século depois, os desafios mudaram, mas a essência da reflexão permanece. Garantir os direitos das crianças continua sendo uma tarefa diária, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais e discriminação racial.

Celebrar o Dia das Crianças e o Dia do Professor também significa reconhecer que o acesso à educação nunca foi igual para todos os brasileiros. Durante décadas, crianças negras, indígenas e pobres enfrentaram obstáculos que iam da falta de escolas próximas à discriminação social e racial. Apesar dos avanços conquistados, essas barreiras ainda persistem, afetando especialmente crianças e jovens negros e indígenas.

Os dados confirmam essa realidade. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, crianças indígenas, pardas e pretas enfrentam mais dificuldades de acesso a creches e pré-escolas do que crianças brancas. A desigualdade também aparece na conclusão do ensino superior. Dados do Censo 2022 mostram que 25,8% dos brasileiros brancos com 25 anos ou mais concluíram essa etapa de ensino, ante cerca de 12% entre pretos e pardos. A diferença ganha ainda mais relevância quando consideramos que a população negra, incluindo pretos e pardos, representa quase 56% da população brasileira.

Diante desse cenário, outubro é uma oportunidade para refletir sobre quais crianças ainda enfrentam obstáculos para aprender e quais são os desafios dos educadores que, diariamente, trabalham para reduzir essas desigualdades. A educação não se limita à transmissão de conhecimentos. É também um instrumento de justiça social, dignidade e garantia de direitos.

Enquanto houver diferenças tão acentuadas no acesso à escola, na permanência dos estudantes e nas condições de aprendizagem entre grupos raciais e sociais, a missão iniciada há quase dois séculos, com a criação das primeiras escolas públicas brasileiras, continuará incompleta. Não há infância plenamente protegida sem educação de qualidade. Da mesma forma, não há educação transformadora sem professores valorizados.

*Daniela Tafner é doutora em enfermagem, professora universitária e especialista em saúde da população negra 

Fonte: DANIELA TAFNER

Compartilhe:
RENATO BENVINDO FRATA
ACIAP – Jantar (Pequeno)
GUTO COSTA
GUIA GESTÃO
DN (quadradinho)
DN (quadradinho)
GUTO COSTA
RENATO BENVINDO FRATA