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EDUCAÇÃO

Mensalidades escolares podem subir até 11% em 2027:como preparar o orçamento familiar

Com a aproximação do período de matrículas e rematrículas, as famílias que mantêm os filhos em escolas particulares já começam a se preocupar com os valores para 2027. Levantamento da Meira Fernandes, realizado entre junho e agosto de 2026 com cerca de 1.500 escolas de oito estados, aponta que 80,66% das instituições consultadas projetam reajustes entre 7% e 11%. O cenário exige planejamento para que o aumento das mensalidades não comprometa outras despesas e prioridades familiares.

Para o PhD em Educação do Comportamento Financeiro Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira e da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), o principal erro é deixar para pensar no assunto somente quando a escola apresentar o novo valor. Segundo ele, a família deve fazer uma análise financeira antes mesmo de iniciar a negociação.

“A primeira pergunta não deve ser quanto a escola vai aumentar, mas quanto a família consegue efetivamente destinar à educação sem comprometer outras necessidades e sonhos. O orçamento precisa mostrar se aquele reajuste cabe ou não dentro da realidade financeira”, orienta.

Cinco orientações para enfrentar o reajuste das mensalidades

1. Olhe primeiro para o orçamento familiar

Antes de procurar a secretaria da escola, os pais devem levantar receitas, despesas e compromissos já assumidos. A partir daí, conseguem identificar quanto efetivamente podem destinar à educação dos filhos e se haverá necessidade de reduzir outros gastos.

Também é importante calcular o impacto do reajuste ao longo do ano. Uma diferença aparentemente pequena na mensalidade pode representar um valor significativo quando multiplicada por 12 parcelas e pelo número de filhos matriculados.

2. Pesquise outras escolas

Mesmo que a intenção seja permanecer na instituição atual, Domingos recomenda conhecer outras opções. A orientação é visitar pelo menos cinco escolas próximas e comparar mensalidades, proposta pedagógica, estrutura, atividades e benefícios oferecidos.

“Não significa necessariamente trocar de escola. Significa conhecer o mercado para saber se o valor pago está de acordo com aquilo que outras instituições oferecem. Informação fortalece a decisão e também uma eventual negociação”, explica Reinaldo Domingos. A comparação deve considerar não apenas o preço, mas também os custos adicionais, como material didático, transporte, alimentação, uniforme e atividades extracurriculares.

3. Converse com os filhos

A decisão também pode envolver crianças e adolescentes, especialmente quando existe a possibilidade de mudança. Os pais devem entender se o filho está satisfeito com a escola atual e mostrar que existem outras alternativas.

Para Domingos, essa conversa também representa uma oportunidade de educação financeira. “Os pais continuam sendo responsáveis pela decisão, mas os filhos podem participar do processo e entender que toda escolha envolve prioridades e consequências”, afirma. A abordagem deve respeitar a idade e a maturidade dos filhos, sem transferir a eles a responsabilidade por decisões financeiras que cabem aos adultos.

4. Negocie com informação e antecedência

Depois de pesquisar o mercado e conhecer o próprio orçamento, chega o momento de conversar com a escola. A família pode verificar a possibilidade de descontos, bolsas, condições diferenciadas de pagamento, benefícios para irmãos ou antecipação de parcelas. “Quanto mais cedo a família procurar a escola, maior será o tempo para negociar. E, se houver uma mudança na situação financeira, como perda de emprego, redução de renda ou aumento inesperado de despesas, isso deve ser apresentado de forma transparente”, orienta o especialista.

Os responsáveis também podem pedir esclarecimentos sobre o reajuste anunciado. A legislação prevê critérios para a definição do valor anual ou semestral das anuidades escolares, incluindo a demonstração dos custos que fundamentam o aumento. Por isso, a família não precisa tratar um percentual divulgado pelo mercado como uma regra obrigatória para todas as instituições.

5. Se a escola for prioridade, reduza excessos em outros gastos

Caso o filho queira permanecer na instituição e a família considere essa uma prioridade, outra alternativa é reorganizar o orçamento. Supermercado, assinaturas, lazer, vestuário, consumo de energia e outras despesas podem ser analisados em busca de desperdícios.

A proposta, segundo Domingos, não é comprometer a qualidade de vida da família, mas direcionar melhor o dinheiro. “Quando uma família define uma prioridade, precisa encontrar espaço no orçamento para realizá-la. É possível reduzir excessos em outras áreas para preservar aquilo que realmente é importante”, afirma.

Reserva financeira não deve ser sacrificada

O especialista também recomenda cautela para quem pretende antecipar pagamentos em busca de descontos. Uma eventual negociação à vista pode ser vantajosa, mas não deve consumir a reserva destinada a imprevistos. “Um desconto na mensalidade pode parecer interessante, mas não faz sentido comprometer uma reserva financeira para obtê-lo. O dinheiro precisa ter função definida dentro do planejamento familiar”, alerta.

Para Domingos, o momento da matrícula pode ser uma oportunidade para colocar em prática os princípios da Metodologia DSOP, baseada em Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar. “O orçamento é o GPS financeiro da família. Antes de decidir onde o filho vai estudar em 2027, é preciso saber quanto essa escolha representa no orçamento e quais ajustes serão necessários para que ela seja sustentável ao longo do ano”, conclui.

A orientação, portanto, é não tratar a mensalidade simplesmente como uma conta a ser paga. A decisão deve considerar a qualidade do ensino, as necessidades da criança, as alternativas disponíveis e a capacidade financeira da família. Dessa forma, os pais podem transformar o período de matrícula em uma oportunidade para fazer escolhas mais conscientes e ensinar aos filhos uma importante lição sobre dinheiro: os recursos são limitados e precisam ser  direcionados para aquilo que realmente importa.

Fonte: Assessoria

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