Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
ACIAP – Jantar (Grande)
Dr. Cleyton
Corrida UniFatecie
CRESOL
Casa Maringá – Outubro
Compartilhe:
Renato Benvindo Frata é escritor, professor, advogado e presidente de Honra da Academia de Letras e Artes de Paranavaí

CRÔNICAS DO BEM

Panapaná de letras

Há momentos em que as ideias fazem panapaná em nossa cabeça. Letras e palavras se espalham como estouro de pipocas, juntam-se, zanzam até encontrar o caminho das mãos, das teclas ou da caneta. E ficam ali aninhadas a compor um pensamento, um sentimento que mereceu o registro.

As borboletas em panapaná fazem o mesmo. Elas voejam assanhadas embelezando margens de rios ou terras úmidas sob o sol manso. Centenas, milhares delas, colorem graciosamente aquele espaço.

Com as palavras e ideias acontecem o semelhante: elas mexem com nossa inspiração, brotam pela respiração, cutucam-nos o âmago e os olhos.

Quem já viu e bem observou um panapaná, sabe do que digo. Quem já se dispôs a deixar no papel transcrevendo o que lhe veio no pensamento, também. 

Parece que as palavras voejam, para encontrar parceria a compor uma frase.

Ao se juntarem em bando, as borboletas têm por finalidade o acasalamento ou a alimentação com substratos do solo, que as flores não possuem. Sobem, descem, esticam-se, vão para a esquerda e para direita, em círculos, curvas. Com as palavras se dá a mesma coisa, até se juntarem para compor o pensamento.

As borboletas mais espertas, aproveitando a oportunidade, fazem as duas coisas prazerosas: unem o útil da alimentação ao agradável da reprodução. E, se for o caso, migram para lugar mais favorável à sobrevivência do bando.

Em nós, palavra a palavra, o texto vai se formando. O seu contexto vai ganhando corpo e a inspiração e, nesse seguir se ajusta, dando-se por concluído. 

O momento de criação passa, mas deixa sempre um sabor de quero mais. É como se ali no cérebro existisse uma horta em terra fértil onde as sementes apressam-se a germinar, a despontar suas folhinhas à brisa úmida. 

Se as borboletas encantam nossos olhos, com as palavras acontece o mesmo. Dão-nos prazer ao serem colocadas com o objetivo de despertar o mesmo sentimento em que as lê. 

Essa comparação entre palavras e panapaná não fere nem o equilíbrio e nem a harmonia em comunidade: eis que as borboletas, como as palavras, representam vida. O texto vai dizer se essa união resultou em alegria, ou outro sentimento. 

Se alegre, se comparará a um abrir de asas, e as palavras se põem a flanar diante de olhos construtores de imagens. Um texto triste faz o contrário: umedece esses mesmos olhos, aumenta a pulsação de quem está a ler e mexe com seu interior.

Nessa comparação, a frase bem-feita e bem lida se compara a um panapaná a levantar voo na cabeça do leitor. E mantém, com beleza e harmonia, a continuidade da vida.

Fonte: Renato Benvindo Frata

Compartilhe: