A política brasileira tem um talento peculiar: transformar personagens em símbolos — e, depois, reposicioná-los no palco como se o tempo fosse apenas um detalhe.
A recente rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal não é apenas um episódio institucional. É, para quem acompanha os movimentos da história, um daqueles momentos em que o passado levanta a sobrancelha e pede atenção.
Messias esteve presente em um dos capítulos mais sensíveis da trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva — o episódio dos áudios que marcaram o início de uma queda que parecia improvável até se tornar inevitável. Naquele momento, poucos perceberam que estavam assistindo ao começo de uma virada histórica.
Agora, anos depois, o mesmo nome retorna ao centro do poder — e novamente em meio a um gesto institucional de forte impacto. A rejeição pelo Senado, por si só, não derruba governos. Mas também não costuma ser irrelevante.
A história não grita. Ela sussurra. E, às vezes, repete padrões com uma precisão quase desconcertante. Personagens, contextos diferentes — mas tensões semelhantes, sinais semelhantes, desconfortos semelhantes.
É certo que o doutor Jorge Messias é um jurista preparado e de extremo bem! Assim como é certo que a rejeição não foi pessoal e muito menos contra seu nome, mas talvez contra quem o indicou. Seria apenas coincidência? Ou mais um daqueles sinais que, quando ignorados, costumam cobrar seu preço adiante?
No Brasil, quedas raramente começam com estrondo. Começam com sinais. E os sinais, para quem observa com atenção, quase nunca mentem.
Prof Dr. A. Alarcon
Prof Dr. G. Barcelos
Advogados
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