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Dr. Cleyton
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Mulher de cinquenta ganha novo significado

TERAPIA HORMONAL

A mulher de 50 anos hoje é a de 35 de ontem

A terapia de reposição hormonal, que se tornou mais conhecida nas décadas de 80, 90 e início dos anos 2000, agrega vários resultados positivos para a qualidade de vida das mulheres. Para além do que se sabe sobre os famosos fogachos, o tratamento visa manter ativos e preservados diversos aparelhos do organismo. 

Infelizmente, tivemos um trabalho muito malconduzido no início dos anos 2010, que levou a um resultado falso de risco de câncer de mama, aumentado em mais ou menos 3% nas usuárias de terapia estrogênio e progesterona. O que não havia sido informado é que, com o uso de estrogênio, a probabilidade da doença havia caído, ou seja, esse hormônio não era o vilão.  

Após muitas revisões e o advento de formulações mais naturais dos hormônios, foi descoberta a importância da introdução do tratamento na chamada “janela de oportunidade”, período marcado pelos primeiros dez anos do climatério. A partir disso, os riscos despencaram e até levaram o FDA (Food and Drug Administration) a tirar dos hormônios as tarjas de drogas de risco para câncer de mama. 

Posteriormente, foram evidenciados os benefícios cardiovasculares dessa terapia. Estudos contemporâneos demonstram taxas mais baixas de infarto, isquemia e maior controle da hipertensão. Neurologistas apontam, ainda, melhora cognitiva com indícios de retardamento de Alzheimer e outras condições. 

Os ganhos de massa óssea e o bloqueio das perdas de cálcio já estão estabelecidos. Ou seja, o uso de estrogênio se caracteriza como melhor meio de preservação da força, afastando das mulheres o processo de osteoporose e fraturas. Ginecologistas e urologistas também reforçam a importância do tratamento no que diz respeito a proteção vesical e ressecamento vaginal. A terapia diminui infecções urinárias de repetição, preserva a elasticidade da região íntima e lubrificação, reduzindo o desconforto nas relações. 

Questões emocionais e comportamentais comuns deste período também apresentam melhora, como irritabilidade, tristeza e depressão, esquecimentos e fadiga, os brancos no raciocínio ou os apagões. A queda da libido acentuada, insônia ou sono picado, que geram um cansaço enorme no outro dia, também são mitigados.  

Infelizmente, uma pequena parte das mulheres ainda não poderão se beneficiar destas terapias, devido a presença de câncer de mama, tumores hepáticos ou insuficiência hepática grave, insuficiência renal e alguns tipos de tumores cerebrais. Porém, existem alternativas para diminuir ao máximo os efeitos negativos da falta dos hormônios femininos, principalmente do estrogênio. 

Atualmente, a mulher de 50 anos é a de 35 da década de 60. Muito mais ativa e produtiva, vivendo sua plenitude intelectual e profissional, não podendo dar espaço para o envelhecimento precoce e contratempos em sua vida. O uso criterioso das terapias hormonais tem a capacidade de retardar este envelhecimento, podendo adiar estes fenômenos por vinte anos. As terapias, tanto medicamentosas, como alimentar e atividades físicas, fazem este corpo continuar ativo e produtivo. 

*Waldir Moreno Arevalo – ginecologista, membro da Sociedade Brasileira de Climatério e autor de Descomplicando a menopausa

Fonte: *Waldir Moreno Arevalo

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