Pensar o Paraná não apenas para os próximos quatro anos, mas para as próximas décadas. Essa é uma das ideias que Alexandre Salomão, candidato ao governo do Estado pelo Mobiliza, coloca no centro de sua proposta de governo.
Aos 55 anos, Salomão é advogado criminalista, com atuação há mais de duas décadas nas áreas de Direito Penal, Processo Penal e Direitos Humanos. Nascido em Curitiba, foi presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Paraná e da Associação Paranaense dos Advogados Criminalistas (Apacrimi), além de integrar o Conselho Permanente de Direitos Humanos do Paraná.

Candidato pela primeira vez ao governo, Salomão disputa a eleição pelo Mobiliza, antigo PMN, partido que, segundo ele, passou por uma reformulação. A candidatura é apresentada como uma forma de participar do debate eleitoral e defender um projeto de médio e longo prazo para o Estado.
A participação nos debates também se tornou uma das bandeiras da campanha. Como o Mobiliza não possui representação no Congresso Nacional, Salomão não foi incluído em alguns debates e sabatinas realizados durante a campanha. Em entrevista ao Diário do Noroeste, o candidato falou sobre as ideias que pretende levar para áreas como educação, infraestrutura, energia, saúde e desenvolvimento regional. Para o Noroeste do Paraná, destacou especialmente a necessidade de buscar alternativas para os gargalos energéticos.

Diário do Noroeste: Uma das suas propostas é ampliar a alfabetização das crianças. Qual é a importância desse trabalho desde a primeira infância?
Alexandre Salomão: É procurar estabelecer um mínimo necessário para que as pessoas possam, no decorrer de sua vida, ter os seus talentos e as suas aptidões reconhecidas. É estabelecer, desde logo, o básico muito bem feito, para que elas possam encontrar seus talentos e trilhar os melhores caminhos. Precisamos pensar em um Paraná para daqui a 50 anos. Sem uma educação fundamental que dê à criança a possibilidade de produzir e compreender um texto, fica muito mais difícil encontrar as aptidões que ela tem e construir uma vida feliz e próspera.
Diário do Noroeste: E como transformar esse conceito em ações concretas?
Alexandre Salomão: O foco precisa estar na primeira educação, na creche e na alfabetização das crianças. Depois, precisamos observar outras formas de escola que existem no mundo. Temos diferentes ferramentas de educação e precisamos entender que uma criança pode se adaptar melhor a determinado modelo, enquanto outra pode se desenvolver melhor em outro.
Também precisamos olhar para os professores, porque muitos não se adaptam ao sistema de ensino que estão operando, e isso traz insatisfação. É necessária uma readequação do sistema educacional, aproveitando todo o aprendizado que o Paraná acumulou ao longo das últimas décadas, mas pensando no futuro.
Diário do Noroeste: O Noroeste enfrenta desafios relacionados à capacidade energética. Como o Estado pode enfrentar esse problema?
Alexandre Salomão: A região Noroeste tem uma realidade diferente de outras regiões do Paraná e isso precisa ser observado dentro de um plano de desenvolvimento do Estado. Não pode existir uma única receita para todo o Paraná. A questão energética da região Noroeste tem solução, mas não necessariamente pelos meios tradicionais. Precisamos incentivar novas matrizes energéticas e ter uma política tributária que considere a necessidade de investimentos nessas alternativas.
É preciso também observar os gargalos de infraestrutura energética, saneamento, acesso à água potável, esgoto e reciclagem. Tudo isso precisa fazer parte de um projeto de curto, médio e longo prazo, para dar segurança para empresários, indústrias e para a população.
Diário do Noroeste: Paranavaí e municípios da região defendem uma ponte ligando o Paraná ao Mato Grosso do Sul. Como o senhor avalia esse projeto?
Alexandre Salomão: É um projeto de planejamento estratégico do Estado do Paraná. É muito importante uma ligação com um Estado próspero como o Mato Grosso do Sul e utilizar as atividades portuárias do Paraná, trazendo riqueza para essas relações. Um bilhão de reais parece ser muito dinheiro, mas, com um propósito como esse, acredito que precisamos procurar os recursos, estabelecer metas e cobrar um bom projeto de execução. Um bom projeto diminui custos e traz viabilidade econômica para os empreendimentos.
Esse projeto deve fazer parte de um Programa de Desenvolvimento da Região, construído pelas próprias pessoas que vivem aqui, identificando as potencialidades e os gargalos. O governo do Estado deve ser um facilitador para que essas soluções sejam encontradas.
Diário do Noroeste: Na saúde, Paranavaí vive um momento importante com a aprovação do curso de Medicina e a estrutura da Santa Casa. Como o senhor avalia esse cenário?
Alexandre Salomão: É uma excelente notícia. Temos um bom problema, que é alocar os recursos humanos que serão gerados por essa universidade. A Santa Casa também está dentro do nosso projeto, principalmente na questão dos valores complementares à tabela SUS.
Pretendemos dar apoio às instituições filantrópicas para que possam se reestruturar administrativamente e oferecer um melhor atendimento, com apoio do governo do Estado. Muitas vezes esses hospitais passam por dificuldades justamente pela defasagem de algumas tabelas de atendimento.
Também precisamos organizar melhor o sistema de saúde, inclusive com prontuários que permitam um melhor aproveitamento das informações, reduzindo retrabalho e tornando o atendimento mais resolutivo.
Diário do Noroeste: O senhor fala muito em planejamento de longo prazo. Como fazer com que projetos importantes não sejam interrompidos a cada mudança de governo?
Alexandre Salomão: Precisamos estabelecer uma política de médio e longo prazo que o Paraná precisa, e há muito tempo. Um caminho seguro, com metas para cada ano de cada governo que virá nos próximos 50 anos.
Não queremos um Paraná pensado para a glorificação do ocupante do Palácio Iguaçu, mas para atender cada um dos paranaenses que vivem neste Estado e aqueles que ainda vão nascer. É do menor que se constrói o maior. Se não observarmos as circunstâncias peculiares de cada região, não vamos conseguir atingir um índice de desenvolvimento que permita às pessoas permanecerem próximas das comunidades onde nasceram, cresceram e construíram suas vidas.
Diário do Noroeste: Para encerrar, o senhor gostaria de deixar alguma consideração final aos leitores do Diário do Noroeste?
Alexandre Salomão: Eu, nessa dificuldade que estou tendo na minha campanha de ter acesso ao horário eleitoral e à participação de debates, não fujo de nenhuma espécie de debate. Até porque a nossa ideia é apresentar as nossas propostas. A gente quer um Paraná pensado não para a glorificação do ocupante do Palácio Iguaçu, mas sim para atender cada um dos paranaenses que hoje estão vivendo nesse Estado e os outros que virão a nascer no Estado.
Conversando com as pessoas, ouvindo as entidades que representam os interesses do comércio, da indústria, da agricultura e de todo esse tecido social que nós temos, é que vamos conseguir encontrar um consenso de onde queremos viver, qual é o Estado do Paraná que queremos ver daqui a 50 anos e criar um caminho seguro que nos leve até lá, com metas para cada ano de cada governo que vão se dar nos próximos 50 anos.



