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Foto: Ivan Fuquini

REFLEXOS

Alta dos combustíveis: destroços da guerra no Irã atingem a economia de Paranavaí e região

Apesar da distância geográfica do Brasil em relação ao Oriente Médio, a instabilidade atingiu o mercado de petróleo e, consequentemente, de óleo diesel

Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã podem afetar diretamente os consumidores de Paranavaí e de toda a região Noroeste. Geograficamente, a guerra está distante, mas a economia globalizada torna os efeitos quase imediatos.

O Irã fica em uma região estratégica do Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o comércio, especialmente para o fluxo de petróleo. O bloqueio prolongado dessa área comprometeria todos os países que dependem das commodities e dos bens de consumo que passam por lá.

Impactos nos postos de combustíveis preocupam empresários do setor
Foto: Ivan Fuquini

Em nota divulgada nesta quarta-feira (11), a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) analisou as dimensões do problema, citando os conflitos no Oriente Médio: “Provocaram e provocam instabilidade no mercado internacional de energia e elevaram os custos de importação de combustíveis, podendo ocorrer novas elevações”.

A escalada na alta dos preços acendeu o sinal de alerta entre as empresas transportadoras de cargas do Paraná, conforme destacou a Fetranspar:

“Os frequentes aumentos dificilmente serão absorvidos pelos empresários e, mais cedo ou mais tarde, esses custos tendem a ser repassados ao frete, reverberando em toda a cadeia logística até chegar ao consumidor final. Na prática, além de pagar mais caro pelo combustível, a população poderá sentir reflexos no preço de produtos, inclusive nos supermercados.”

Proprietário do Posto Paraná, em Paranavaí, Cristiano Cavasin reforçou que a elevação é reflexo da guerra no Irã. Explicou que em relação ao óleo diesel, por exemplo, o Brasil não é autossuficiente e precisa recorrer ao mercado externo. Segundo a Fetranspar, a importação representa 35% do diesel consumido no Brasil.

Cristiano Cavasin afirmou que tem recebido produto em menor quantidade da distribuidora
Foto: Ivan Fuquini

“No meu caso, a companhia [de distribuição] está dando suporte, porque tenho contrato, por enquanto está me segurando para não me deixar sem combustível, mas não na quantidade que eu quero”, disse o empresário.

Governo federal

A nota divulgada pela Fetranspar apontou o acréscimo na carga tributária sobre o óleo diesel como fator importante dentro do contexto comercial. Os cálculos indicam aproximadamente R$ 0,05 por litro, “ampliando a pressão sobre os custos das empresas transportadoras”.

O presidente do Sistema Fetranspar, Sérgio Malucelli, apontou outra condição desfavorável para o setor. “A Petrobras não está aceitando entregar quota extra do combustível. As distribuidoras querem aumentar a quota junto à Petrobras, porque o importado ficou mais caro.” O receio é que haja desabastecimento no Paraná.

Nesta quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou o fim das alíquotas do PIS e do Cofins sobre a importação e a comercialização do diesel. Também assinou medida provisória com subvenção ao diesel para produtores e importadores.

O corte dos impostos deve reduzir o valor do litro em R$ 0,32 na refinaria. Já a subvenção aos produtores e importadores deve ter impacto de mais R$ 0,32 por litro. Isso significa redução de R$ 0,64 por litro do diesel, segundo cálculos do Ministério da Fazenda.

Uma matéria publicada pela Agência Brasil ressaltou a fala de Lula. “[As medidas são] para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro não vai chegar ao prato de feijão, à salada de alface, da cebola e à comida que o povo mais come.”

O decreto e a medida provisória têm caráter temporário, com validade até 31 de dezembro deste ano.

Procon

O coordenador do Procon de Paranavaí, Alexandre Costa Santos, afirmou que está monitorando a situação dos combustíveis na cidade. O órgão de defesa do consumidor já oficiou os empresários alertando sobre os riscos do aumento de preços injustificado. “Estamos buscando entender o que é uma elevação justa, para não prejudicar os postos, mas também manter o ambiente de consumo equilibrado.”

Nesta quarta-feira, a equipe do Procon pesquisou os valores praticados nas bombas de combustível. Os registros apontaram os seguintes preços médios:

Gasolina comum R$ 6,24

Gasolina aditivada R$ 6,30

Etanol R$ 4,46

Diesel S-500 R$ 7,00

Diesel S-10 R$ 7,15.

Há diferenças importantes em relação ao levantamento de 26 de fevereiro:

Gasolina comum R$ 6,13

Gasolina aditivada R$ 6,19

Etanol R$ 4,49

Diesel S-500 R$ 5,93

Diesel S-10 R$ 5,98.

O coordenador do Procon disse ter conhecimento da elevação aplicada pelas distribuidoras de combustíveis e sabe que o efeito cascata alcança o consumidor final. “O posto acaba não tendo culpa, é um aumento que chegou para ele.”

Por isso mesmo, uma das medidas em andamento é a solicitação das notas fiscais das compras feitas pelos postos de combustíveis, para verificação e comparação dos valores.

Fonte: REINALDO SILVA - Da Redação

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