O presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (Fehospar), Rangel da Silva, está otimista: acredita que o aparelho de hemodinâmica da Santa Casa de Paranavaí comece a operar ainda no primeiro semestre deste ano.
O equipamento é utilizado para exames cardiovasculares e procedimentos como cateterismo e angioplastia. Foi entregue à Santa Casa em 2024, e, desde então, a diretoria aguarda o cumprimento de uma série de etapas práticas e burocráticas para que seja colocado em funcionamento.
Silva pontuou: “Tem a máquina? Tem. Está instalada? Está. Tem equipe? Tem. Tem insumo? Tem. Então o que precisa? Precisa ver o caixa, porque são procedimentos de alto custo. E precisa ver como a questão está organizada dentro do estado”.
Conforme o presidente da Fehospar explicou, o governo do estado pode começar a fazer o credenciamento e pagar pela execução dos serviços enquanto aguarda pela habilitação do governo federal. “Quando habilitar, o Ministério da Saúde fecha a torneira do estado, vamos dizer assim, e passa fazer o pagamento.”

Foto: Gustavo Romano
Diagnóstico
Nesta terça-feira (20), Silva esteve na Santa Casa de Paranavaí, ocasião em que concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Noroeste. Nos próximos dias, seguirá para outros hospitais paranaenses. O objetivo é aproximar a federação das instituições prestadoras de serviços para conhecer a realidade de cada uma, identificando pontos positivos e demandas.
“Podemos dizer que a Santa Casa de Paranavaí é um exemplo de sobrevivência, com 100% de serviços ofertados, todas as especialidades, urgência e emergência. [Também] batalhando para dar uma vocação para a unidade Morumbi, que é um excelente hospital.”
O presidente da Fehospar destacou a organização e a limpeza da Santa Casa, características que não são compartilhadas por todos os hospitais paranaenses, segundo avaliou.

Foto: Gustavo Romano
Recuperação
Questionado sobre a situação financeira dos hospitais filantrópicos e das santas casas, deficitária na maioria dos casos, inclusive em Paranavaí, Silva disse que a recuperação do equilíbrio passa, necessariamente, pela revisão da tabela de valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“A gente vem há muitos anos sem reajuste. Cada vez mais exige-se do hospital. Por exemplo, a Santa Casa de Paranavaí atende mais de 80% do SUS, 82%. Para a conta fechar, teria que ter uma taxa de ocupação alta de todos os serviços, mas um percentual SUS mais perto de 60%, que é o limite da lei.”
Ele detalhou: “Para vocês entenderem, hoje a cada R$ 100 de custo de saúde, o SUS só reembolsa R$ 50. Antes da pandemia, eram R$ 70, então a cada R$ 100, o SUS bancava R$ 70, e os outros R$ 30 vinham de outras situações, do atendimento de um convênio particular, da rifa, da ajuda da igreja, da maçonaria, todas as instituições que estão em volta”.
Além da compensação financeira, é fundamental fortalecer as políticas públicas, com alternativas para remunerar melhor os profissionais e acelerar os atendimentos, desde as consultas nas unidades básicas de saúde até os cuidados pós-cirúrgicos. Essa preocupação, avaliou o presidente da Fehospar, reduziria as filas de espera, um dos maiores gargalos do setor.
Diretoria
Silva foi recebido pelo presidente da Santa Casa de Paranavaí, Renato Platz Guimarães, e pelo diretor-geral Héracles Alencar Arrais, que declarou: “Essa visita é excelente. Ele [presidente da federação] pode nos ajudar a acelerar os processos e alcançar avanços, como seria o caso da hemodinâmica”.



