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Ycaro Martins, especialista em negócios e expansão de alta performance

NEGÓCIOS

Aumento de carga tributária obriga empresas repensarem onde operar, especialista explica

Com o início da implementação da Reforma Tributária, empresários brasileiros já começam a rever decisões estratégicas sobre expansão e operação dos seus negócios. Com a unificação dos tributos sobre consumo e a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituem o PIS, Cofins, ICMS, ISS e IPI, os centros comerciais como shoppings e galerias devem enfrentar aumento da carga tributária, consequentemente repassando aos lojistas por meio de aluguéis e taxas mais altas.

Diante desse cenário, a escolha do ponto comercial também é determinante para a sobrevivência e escala dos negócios. Segundo Ycaro Martins, especialista em negócios e expansão de alta performance, fundador e CEO da Maxymus Expand, empresa especializada em estratégias de crescimento e estruturação empresarial, compreender o modelo ideal de operação se torna fundamental para a operação das empresas. “A Reforma Tributária acelera uma mudança que já estava em curso, que as empresas precisam operar com inteligência de custos. Não basta crescer, é preciso expandir com previsibilidade, margem e estratégia. A escolha do ponto comercial passa a ser uma decisão de negócio, não apenas de visibilidade”, afirma o especialista.

Segundo o executivo, setores que operam com margens mais ajustadas sentirão primeiro o impacto do aumento da carga tributária indireta, especialmente quando esses forem repassados por meio de aluguéis, taxas condominiais e encargos operacionais. “O erro clássico é olhar apenas o aluguel. O empresário precisa entender o custo total da operação e como ele afeta o fluxo de caixa no médio e longo prazo”, alerta.

Para ajudar empresários a tomarem a decisão certa, o especialista, com mais de 20 anos de experiência em empreendedorismo, apresenta critérios fundamentais para escolher o ponto comercial ideal:

Loja de rua: negócios de recorrência e ticket médio controlado

Negócios de recorrência e ticket médio controlado, como farmácias, mercados de bairro, pet shops e serviços essenciais, tendem a se beneficiar das lojas de rua. “Esses pontos oferecem maior controle de custos e sofrem menos impacto direto dos reajustes típicos dos centros comerciais. Em um ambiente de mudança tributária, a previsibilidade vira vantagem competitiva”, explica o CEO.

Shoppings centers: indicados para marcas consolidadas e alto valor agregado

Apesar do provável aumento de custos, shoppings seguem sendo estratégicos para marcas consolidadas e operações de maior valor agregado. “O fluxo é qualificado, mas o shopping deixa de ser espaço para testar modelo. Ele precisa ser usado como vitrine de marca, com margem suficiente para sustentar a operação”, afirma o especialista. 

Galerias: atenção redobrada ao contrato

As galerias podem sentir de forma mais direta o impacto da nova carga tributária. “É fundamental analisar cláusulas de repasse de impostos, taxas condominiais e reajustes. O empresário precisa olhar além do aluguel e entender o custo total da operação”, destaca o CEO.

Dark stores e operações híbridas: tendência de crescimento
Modelos como dark stores e operações híbridas, que unem atendimento e estoque, ganham força com o avanço do digital. “São formatos mais flexíveis, com menor exposição a custos fixos elevados e maior capacidade de adaptação às mudanças tributárias”, comenta Martins.

O empresário ainda destaca que a Reforma Tributária torna o planejamento estratégico ainda mais indispensável para as empresas. “Expandir sem analisar impacto fiscal, perfil do consumidor e modelo operacional pode gerar prejuízos irreversíveis. No novo cenário tributário, crescer rápido sem estrutura é um risco ainda maior”, conclui. 

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