O câncer de mama é uma das doenças mais desafiadoras enfrentadas pelas mulheres em todo o mundo. No entanto, à medida que a ciência avança, a abordagem do câncer de mama continua a evoluir, proporcionando novas perspectivas e esperanças para pacientes e profissionais de saúde. Desde o diagnóstico à terapias inovadoras e técnicas cirúrgicas avançadas, o tratamento de câncer de mama está em constante evolução, buscando não apenas a cura, mas, também, a preservação da qualidade de vida das pacientes.
“O câncer de mama hoje recebe um tratamento totalmente individualizado, melhorou-se muito, sobretudo em tumores mais agressivos. É uma doença potencialmente curável para a maioria dos pacientes, apesar de ter uma incidência e mortalidade alta, sobretudo em lugares que não fazem o rastreamento. Mas o tratamento avançou muito nos últimos tempos”, afirma o mastologista e cirurgião oncológico do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), Dr. Cícero Urban.
O especialista destaca os avanços notáveis tanto no diagnóstico quanto no tratamento da doença. Em relação ao diagnóstico, os exames atuais são altamente precisos, capazes de detectar e avaliar tumores com detalhes minuciosos, incluindo sua interação com estruturas complexas como a mama e a parede torácica. “Podemos identificar metástases em estágios extremamente iniciais, às vezes com tumores de apenas 3mm, e realizar biópsias terapêuticas que não só diagnosticam, mas, também, tratam lesões benignas sem a necessidade de procedimentos invasivos adicionais, desde que não sejam relacionadas ao câncer”, explica o especialista.
No campo do tratamento, os avanços são igualmente impressionantes – Terapias-alvo e imunoterapia têm revolucionado o manejo do câncer de mama, frequentemente resultando em respostas completas e melhorando significativamente o prognóstico, mesmo em estágios avançados da doença. A radioterapia moderna tornou-se mais precisa, reduzindo os efeitos colaterais, enquanto as cirurgias evoluíram para serem menos invasivas, incorporando técnicas de reconstrução mamária que preservam tanto a estética quanto a função da mama. “Hoje, as pacientes podem concluir o tratamento sem as mutilações que eram comuns no passado”, comemora Dr. Urban.
Prevenção do Câncer de Mama – Na prevenção do câncer de mama, o autoexame e as visitas regulares ao médico são importantes para identificar qualquer alteração ou nódulo suspeito. “A questão da prevenção é muito importante, nós recomendamos a mamografia a partir dos 40 anos, principalmente no Brasil onde há uma incidência de câncer de mama em jovens maior do que nos outros países. Mesmo que o motivo disso ainda seja incerto, é um fato, então é importante ter acesso a esse tipo de rastreamento”, diz Dr. Urban.
Além do rastreamento mamográfico, o exercício físico, também, é fundamental, especialmente a musculação, segundo o especialista. “Foi descoberto por meio de pesquisas e estudos sérios de longo prazo que o efeito da redução na incidência do câncer de mama com exercicio fisico, sobretudo a musculação é real. Hoje recomendamos a musculação para pacientes com câncer de mama e isso acaba reduzindo o efeito colateral do tratamento, melhorando inclusive no bem-estar e autoestima da paciente, e, também, reduz as chances de a doença voltar, com o impacto quase igual e até melhor que alguns medicamentos que usamos na prática”, diz Dr. Urban.
Touca para quimioterapia – A utilização da touca para quimioterapia tem se destacado como uma medida inovadora e eficaz na preservação dos cabelos de pacientes em tratamento oncológico. Conhecida como “touca hipotérmica” ou “touca gelada”, por meio do resfriamento do couro cabeludo durante a administração da quimioterapia, a tecnologia reduz a queda de cabelo, um dos efeitos colaterais mais temidos pelos pacientes.
O mecanismo de ação da touca para quimioterapia baseia-se na constrição dos vasos sanguíneos do couro cabeludo, reduzindo a quantidade de quimioterápicos que alcançam os folículos capilares. Além disso, o resfriamento desacelera a atividade celular, tornando as células capilares menos suscetíveis aos danos causados pelos medicamentos.
No HNSG, o uso da touca hipotérmica é parte de um cuidado integral e humanizado com os pacientes, oferecendo uma abordagem que vai além do tratamento da doença, contemplando o bem-estar emocional e a qualidade de vida. A preservação dos cabelos ajuda a manter a autoestima dos pacientes e a reduzir o estigma social associado à aparência física durante a quimioterapia.













