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BEBER DA FONTE

Batismo: vocação e missão…

A tradição do cristianismo primitivo relaciona a atribuição de um Carisma pessoal a Jesus com o batismo. Esse é um dos dados mais seguros na vida de Jesus. Ele mostra que Jesus aprovou a pregação de João Batista, ou seja, a crença no juízo próximo e a necessidade de conversão e batismo para o perdão dos pecados. O batismo de João é: “batismo de conversão para o perdão dos pecados” (Mc 1,4), ele é um sacramento, que confere perdão dos pecados, no qual arrependimento e disposição para conversão são demonstrados por meio da confissão dos pecados (Mc 1,5) e é pressuposto o desejo de praticar as consequentes boas obras (frutos de arrependimento). 

O batismo de Jesus por João traz principalmente no evangelho de Mateus, uma pergunta: Quem é maior? João ou Jesus? Quem devia batizar quem? Ainda um certo constrangimento, o batismo de João incluía a confissão e o perdão dos pecados. Em Mt 3,13-17 João Batista nega-se a batizar a Jesus, Jesus é que, ao contrário, deveria batizá-lo. Jesus, no entanto, permite-se batizar “PARA QUE SE CUMPRA TODA A JUSTIÇA” (MT 3,15). Dessa forma fica tudo claro: Ele aceita o batismo como justo, não como pecador. 

Segundo Jo 1,29ss., Jesus vem carregado de pecados ao Batista, mas Ele não carrega seus próprios pecados; Ele é, antes, “o Cordeiro de Deus que tira (carrega) os pecados do mundo” (Jo 1,29). Ao descerem para a água, os batizandos confessam os seus pecados e procuram ser libertos desse peso que representa terem caído na culpa. 

O que é que Jesus fez então? São Lucas, que em todo o seu evangelho dirige um olhar atento à oração de Jesus, que o representa sempre como O ORANTE – em conversa com o Pai –, diz-nos que Jesus recebeu o batismo enquanto orava. (Lc 3,21) 

A partir da cruz e da ressurreição, tornou-se claro para a cristandade o que estava acontecendo. Jesus tomou sobre os seus ombros o peso da culpa de toda a humanidade, levou-a pelo Jordão abaixo. Ele inaugura o seu ministério inserindo-se no lugar dos pecadores. Ele inaugura-o com a antecipação da cruz. Todo o significado do batismo de Jesus, O SEU LEVAR “TODA A JUSTIÇA”, só na cruz é que se revela: O Batismo é a aceitação da morte pelos pecados da humanidade, e a voz do batismo: “ESTE É O MEU FILHO BEM-AMADO” (Mc 3,17) – é já um chamado de atenção para a ressurreição. Assim se compreende também como na própria linguagem de Jesus a palavra “batismo” aparece como designação de sua morte. (Mc 10,38; Lc 12,50). Somente a partir daqui é que é possível compreender o batismo cristão. A antecipação da morte na cruz, que aconteceu no batismo de Jesus, e a antecipação da ressurreição que se tinha anunciado na voz celeste, tornam-se agora realidade. Assim o batismo de João na água torna-se pleno e perfeito com o batismo de Jesus na vida e na morte.

Seguir o convite para o batismo significa então entrar no lugar do batismo de Jesus e, assim, na sua identificação conosco, receber a nossa identificação com Ele. A Igreja oriental desenvolveu e aprofundou, na sua Liturgia e na Teologia icônica, essa compreensão do batismo de Jesus. Ela vê uma relação bastante profunda e rica entre o conteúdo da Festa da Epifania (proclamação da filiação divina pela voz celeste, a Epifania é o dia do Batismo no Oriente) e a Páscoa. Na palavra de Jesus a João, “convém que se cumpra toda a justiça” (Mt 3,15). Ela vê a antecipação da palavra do Getsêmani: “Pai… não se faça a minha vontade, mas a tua” (Mt 26,39). A imagem da abertura do céu: sobre Jesus o céu está aberto. A sua comunhão de vontade com o Pai, “toda justiça, que Ele realiza”, abre o céu, cuja essência precisamente consiste em que lá a vontade de Deus é plenamente realizada. A isso se acrescenta a proclamação que vem de Deus, o Pai da missão de Jesus, porém não explica uma ação, mas sim o seu ser: ELE É O FILHO MUITO AMADO, SOBRE O QUAL REPOUSA O ESPÍRITO SANTO: o mistério do Deus trinitário, que vai ser revelado ao longo do caminho de Jesus. O batismo de Jesus está no início e vai até aquela Palavra com a qual como Ressuscitado, Ele envia os seus discípulos ao mundo: “Ide a todos os povos e… batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo…” (Mt 28,19). O batismo que a partir de então os discípulos de Jesus administram, é a admissão ao batismo de Jesus – a realidade que Ele então antecipara. É assim que alguém se torna cristão. 

(Texto redigido a partir de: O Jesus Histórico um Manual – Gerd Theissen e Jesus de Nazaré – Bento XVI)

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