Os ovos, origem de vida, goraram e nada nasceu frustrando a vida.
Os botões de flores, nem saiu, ou caiu e nada floriu. As árvores frutíferas adoeceram por fungos e venenos, e se algo saiu estava tudo bichado.
Usamos tanto plástico que se formaram “ilhas de plástico não demos conta, foram parar nos rios, mar”… Agora comemos micro partículas de plástico.
Alteramos o curso dos rios assoreamos, a natureza se “vinga” também quando nas cidades tapamos os rios ou aproveitamos pra escoar nossos esgotos humanos.
De olho gordo usamos produtos químicos pra aumentar a Produtividade e acabamos comendo tudo contaminado.
Ezequiel vê um campo de ossos ressecados, é o povo que diz: “ estamos mortos, secos sem esperança.”
Olhando o nosso tempo, “os campos da humanidade”, a confusão, trevas, deserto, vazio, contemplamos milhares de mortos, mutilados, famintos, desolados, cidades entulhos, com sangue e lágrimas… resultado das nossas guerras.
“Às margens dos rios de Babilônia, nos sentávamos chorando com saudade de Sião, … como cantaremos nossos cantos em terra estrangeira.”
No exílio forçado, hoje milhares de refugiados vagueiam por estradas, cruzam fronteiras a buscar “a Pátria Perdida”.
Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho, sem armas, sem poder , sem força, como seria hoje se Jesus entrasse em Jerusalém, as bombas, mísseis “armas de ostentação” de poderio, de extermínio. O Príncipe da paz
poderia ser morto por estilhaços…
A Vida foi dita por Deus, pelo seu Sopro Ruah, por isso Bendita; “E Deus viu que tudo era muito bom!”
Os homens colocaram a tampa da maldição em cima da bênção e estragaram tudo. Em vez de bendita a vida tornou-se maldita..
O homem, isto é Adão, deixou Deus de lado e proclamou-se dono de tudo. Tornou-se assim, pai de Caim, provocou o Dilúvio e construiu a Torre de Babel. As forças da morte, vencida pela Palavra de Deus no dia da criação, voltaram a tomar conta do mundo.
E a vida quase perdeu a graça de ser vivida.
A Vida voltou a ser escura, alagada e deserta!
Foi isso que estava acontecendo no tempo de Abraão e no tempo do cativeiro. E, é o que está acontecendo até hoje. A situação do mundo sem a ação da Palavra de Deus. A Bíblia começa, assim: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra era um deserto sem nada, trevas cobriam o abismo do oceano, e o Espírito de Deus pairava sobre as Águas”.
Trevas, deserto, águas. Tudo misturado sem ordem e sem vida. São símbolos. As forças da morte dominam: Na seca do deserto não nasce nada. Trevas, sem luz não deixam a vida desabrochar, águas violentas acabam com a vida que existia, assim era o mundo no tempo em que Abraão vivia. A Vida era seca; já não chovia.
A Palavra de Deus era Escura, já não havia Luz da Palavra e Consciência, Era Alagada: as enchentes da maldição estragavam tudo! Tudo sem ordem, sem vida, uma confusão.
A Palavra criadora: Deus disse…”É essa Palavra que se fez Carne e habitou entre nós”, é ela a esperança diante da confusão, tristeza, deserto, trevas, guerras, morte, que é possível a Ressurreição.
Esta Palavra se faz homem, assume a nossa vida. Ele que era Deus se faz homem em tudo igual a nós menos o pecado, mas por Amor Pai e aos homens, quer que todos se tornem “Homens Novos”, mas para isso tem que passar por uma transformação; e Ele livremente assume o Projeto do Pai de mudança, de Libertação, mas o Projeto é o do Servo que tem de sofrer, perder a Vida, entregar a Vida, ser livremente oferecido, morrer para acontecer a transformação…
No Calvário “crucificam ‘O HOMEM”, e os homens, morre soltando o lamento triste dos homens: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes”?
O Pai o Ressuscitou… Ele aparece Ressuscitado… Nova Vida que é para todos conquistada, colocada à nossa disposição.
Que a força da Palavra Criadora, da Palavra Salvadora aconteça na sua vida e no mundo, então será possível a Ressurreição.
Feliz Páscoa a todos!
Frei Filomeno dos Santos O.Carm.



