O início da colheita da soja já reflete em pressão de alta nos preços praticados no mercado de serviço de transporte de grãos nas principais rotas pesquisadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com uma expectativa de um novo recorde na produção da oleaginosa, estimada em 178 milhões de toneladas, a remoção do grão das fazendas reforça a demanda pelo serviço de frete, ao mesmo tempo em que intensifica o escoamento do milho a fim de liberar espaços nos armazéns. A análise consta na nova edição do Boletim Logístico, divulgado nesta segunda-feira (2) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
“O movimento reflete a sazonalidade deste mercado, em que máximas nas cotações são esperadas para janeiro e fevereiro, quando concentram grande parte da colheita da soja, principal grão produzido no país. Neste momento, a oferta de transportes começa a se mostrar as limitações existentes para equalizar o lado da demanda, especialmente aquecida pela entrada de safra de enorme magnitude”, analisa o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.
O cenário de alta nos preços do frete no primeiro mês deste ano foi observado em Mato Grosso, principal estado produtor de grãos no país. Estima-se que, em janeiro, um terço de toda a safra mato-grossense de soja tenha sido colhida e fevereiro deverá concentrar fração ainda maior de produção próxima a 50 milhões de toneladas. Outro fator que tem contribuído para a elevação dos preços dos fretes tem sido a elevada oferta de milho oriunda do ciclo passado ainda pendente de escoamento. “Assim, os dois produtos têm concorrido entre si na disputa por transporte e pela ocupação nos corredores logísticos, ocasionando aquecimento no mercado de fretes rodoviários e inflação em suas cotações”, explica Guth.
O mercado de fretes em Mato Grosso do Sul também apresentou demanda firme para serviços de transporte de grãos. A movimentação de cargas foi sustentada tanto pelos embarques de exportação, quanto pela retomada das aquisições no mercado interno. A Conab também verificou alta nas cotações no Distrito Federal. Os fretes rodoviários em janeiro deste ano na capital do país, apresentaram, em comparação a dez/25, aumentos generalizados, reflexo de um cenário com custos majorados e impulsionado por uma demanda historicamente mais forte para janeiro.
Outro importante estado produtor de soja, Goiás registrou mercado de fretes com intensidade moderada em janeiro deste ano. Esse comportamento é reflexo do atraso no ciclo fenológico das lavouras. Até o final do período, aproximadamente 70% da área de soja encontrava-se nas fases de enchimento de grãos e maturação, com o índice de colheita atingindo apenas 2%. A comercialização estadual registrou 35%, patamar inferior aos 40% observados na safra anterior. Contudo, a combinação de uma produtividade elevada (3.858 kg/ha) com o represamento do cronograma sugere uma concentração crítica da colheita a partir de 20 de fevereiro, fator que deve atuar como o principal catalisador para a escalada dos preços logísticos no curto prazo.
Exportações
Os embarques de milho em janeiro deste ano foram de 4,2 milhões de toneladas contra 3,6 milhões de toneladas, em igual período de 2025. Neste primeiro mês, o Arco Norte foi o principal eixo de escoamento do cereal representando 44,7% da movimentação. Na sequência, o porto de Santos embarcou 36,9%, o porto de Paranaguá foram expedidos 10,4%, enquanto que pelo porto de São Francisco do Sul foram registrados 1,4% dos volumes embarcados.
Já as exportações de soja atingiram em janeiro 1,8 milhão de toneladas. No caso da oleaginosa o porto de Santos aparece como principal porto escolhido pelos produtores neste primeiro mês do ano, tendo escoado 35,3% do volume. Os embarques de soja pelo porto de Paranaguá totalizaram 34% das exportações nacionais. Pelos Portos do Arco Norte foram expedidos 25,3% do volume nacional, enquanto que pelo porto de São Francisco do Sul foram escoados 5,4%.
As análises completas estão no Boletim Logístico – Fevereiro/2026.



