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⚽ VAI, BRASIL!
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Brasil e Noruega têm negócios para além do futebol

RIVALIDADE SÓ NO FUTEBOL

Brasil e Noruega ampliam negócios bilionários no agro

No domingo, dia 5, Brasil e Noruega se enfrentarão pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A disputa será intensa dentro das quatro linhas, mas fora delas, a relação entre os dois países no campo segue em outro ritmo – o da cooperação. E o agronegócio brasileiro é um dos motores dessa aproximação.

Há um ano, Mercosul e EFTA – bloco europeu que reúne Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein – concluíram as negociações de um acordo de livre comércio que abre espaço para uma integração econômica mais robusta. Em 9 de junho deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou os termos do documento, que aguarda agora a votação no Senado.

O entendimento prevê redução de tarifas, simplificação de trâmites e criação de cotas de exportação com isenção de impostos. Para o agro, isso significa previsibilidade, acesso ampliado e novas oportunidades no mercado.

O bloco da EFTA (especialmente Suíça e Noruega) concederá acesso preferencial e cotas com tarifas reduzidas ou zeradas. Com isso, os produtos mais impactados positivamente serão a carne bovina, de aves e suína, café (verde e torrado), soja, milho, mel e frutas frescas (como uvas e melões).

Para a Indústria de Transformação, a EFTA se comprometeu a eliminar 100% das tarifas industriais e pesqueiras logo na entrada em vigor do acordo, o que permitirá que setores brasileiros de calçados, móveis, madeira, celulose e produtos semimanufaturados de ferro e aço ganhem competitividade imediata para disputar esse mercado.

Na mineração, setores consolidados como a exportação de ouro, óxidos e hidróxidos de alumínio devem ganhar ainda mais fluidez e segurança jurídica nas operações logísticas com o bloco europeu.

Palavra de especialista

A parceria comercial entre Brasil e Noruega já tem história, e números que mostram sua relevância. Até maio de 2026, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil exportou para o país europeu mais de US$ 664 milhões em matérias-primas não comestíveis, além de US$ 126 milhões em combustíveis minerais. Máquinas e equipamentos de transporte somaram US$ 80 milhões, enquanto produtos alimentícios e animais vivos ultrapassaram US$ 55 milhões. É uma pauta diversificada, que inclui minerais, café e soja – tanto em grãos quanto em farelo – e abastece cadeias industriais e alimentares estratégicas da economia norueguesa.

Para quem acompanha de perto as negociações internacionais do agro, o momento é simbólico. “A Noruega é um parceiro comercial consistente, e o acordo Mercosul–EFTA ajuda a transformar essa relação em algo ainda mais estruturado. Ele dá segurança jurídica, reduz incertezas e abre portas para segmentos que antes tinham pouca margem de expansão”, afirma Frederico Favacho, sócio de agronegócios e contratos do Santos Neto Advogados.

Além dos ganhos econômicos, o acordo reforça uma mensagem política importante: a defesa do multilateralismo em um mundo cada vez mais polarizado. A Noruega, que construiu seu modelo de desenvolvimento com base em cooperação internacional, vê no entendimento com o Mercosul uma forma de fortalecer cadeias produtivas e ampliar investimentos. Para o Brasil, é a chance de diversificar mercados e consolidar sua presença em setores de alto padrão.

Favacho destaca que o impacto vai além das estatísticas. “Quando dois blocos se comprometem com regras claras, previsibilidade e abertura comercial, as empresas conseguem enxergar oportunidades que antes simplesmente não existiam. Isso vale para o agro brasileiro, que ganha espaço para mostrar sua competitividade e sua capacidade de atender mercados sofisticados”, diz o advogado.

Assim, quando a bola rolar no terreno de jogo no domingo, a rivalidade será legítima, mas limitada ao futebol. “No comércio, na diplomacia e na construção de cadeias produtivas sustentáveis, Brasil e Noruega atuam lado a lado. E o agronegócio brasileiro é protagonista dessa parceria que cresce longe dos holofotes, mas com impacto real na economia dos dois países”, conclui o especialista.

Fonte: Assessoria

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