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Estádio cheio mostra a relevância do tema Foto: Franciele Mesquita

SAÚDE

Brasil teve mais de seis Maracanãs de pessoas afastadas por problemas mentais

Mais de 546 mil trabalhadores brasileiros ficaram afastados do trabalho em 2025 por transtornos mentais como ansiedade, depressão e burnout. A informação é do Ministério da Previdência Social e foi divulgada recentemente pelo portal G1. 

O número, por si só, já chama atenção. Mas ganha outra dimensão quando traduzido em escala humana: equivale a mais de seis estádios do Maracanã completamente lotados de pessoas temporariamente fora de suas atividades profissionais, superando marcas históricas na última década.

A analogia parte da capacidade oficial do estádio, que comporta cerca de 78 mil torcedores. Ao dividir o total de afastamentos por esse número, chega-se à imagem de um fluxo contínuo de trabalhadores deixando o mercado de trabalho ao longo do ano, não por acidentes físicos, mas por sofrimento psíquico.

O dado ajuda a dimensionar um fenômeno que, embora crescente, ainda é tratado de forma reativa por grande parte das organizações. Em muitos casos, os sinais de esgotamento só ganham atenção quando o afastamento já ocorreu.

O cenário da crise sanitária mental ocorre no momento em que o setor produtivo enfrenta o desafio de se adequar às novas exigências da Norma Regulamentadora 1 (NR-1). 

De acordo com os especialistas da Contato Seguro, a existência de um Canal de Acolhimento tem sido um instrumento-chave para identificar situações de risco antes que evoluam para licenças médicas.

A proposta desses canais, como os que a Contato Seguro oferece, é registrar relatos, mapear padrões e oferecer às áreas de Recursos Humanos informações estruturadas para uma atuação mais estratégica.

A estatística reflete uma dificuldade estrutural das organizações em converter políticas de bem-estar em prática cotidiana. Embora o país esteja atravessando um período de transição regulatória, o volume de licenças concedidas indica que o cuidado com a saúde mental ainda não atingiu a maturidade necessária para frear o desgaste emocional no ambiente corporativo.

Riscos psicossociais passarão a ser monitorados 

A urgência do debate é acentuada pelo cronograma do Ministério do Trabalho e Emprego. As empresas brasileiras têm até 26 de maio para se adequarem às exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia o olhar sobre os riscos ocupacionais e passa a incluir fatores psicossociais no ambiente de trabalho.

Na prática, a norma obriga as organizações a identificar e documentar fatores como sobrecarga de trabalho, assédio, pressão excessiva por metas, falta de apoio das lideranças e ambientes de trabalho tóxicos. 

A negligência nesses pontos é destacada pelos especialistas como a causa primária do desgaste que resulta nos atuais indicadores de afastamento. 

Embora o prazo ainda esteja em curso, a proximidade da data tem levado organizações a revisar práticas internas que podem ser convertidas em multas que podem variar conforme a gravidade da infração e o porte da empresa, além de outras sanções administrativas. 

Canal de Acolhimento como solução técnica

Neste contexto de conformidade legal, o Canal de Acolhimento deixa de ser uma iniciativa opcional de Recursos Humanos para se tornar uma solução técnica estratégica. A ferramenta da Contato Seguro está diretamente vinculada às exigências da NR1, pois atua como mecanismo de monitoramento e documentação contínua solicitado pela legislação. Ao oferecer um meio seguro para o relato de situações de desgaste, a empresa passa a deter dados auditáveis sobre o clima organizacional e a eficácia de suas medidas preventivas.

Diferentemente de ações pontuais, o canal estruturado permite a geração de indicadores que conectam diretamente o comportamento interno à redução de custos. O acompanhamento estatístico dos relatos possibilita intervenções preventivas, combatendo a raiz do absenteísmo e a alta incidência de atestados médicos antes que o quadro evolua para uma licença previdenciária de longo prazo.

Desafio da implementação na prática

O recorde de 546 mil licenças evidencia que a saúde mental migrou da periferia das discussões para o centro da gestão de riscos e sustentabilidade dos negócios. O desafio atual das companhias brasileiras é superar a barreira da implementação teórica.

A transição exige que o gerenciamento de riscos psicossociais seja integrado ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Para o mercado, o volume alarmante de trabalhadores afastados serve como um alerta de que a conformidade com a NR1 não é apenas uma obrigação burocrática, mas uma necessidade sustentável e econômica para estancar a perda de produtividade e os impactos jurídicos e financeiros decorrentes do adoecimento ocupacional.

O desafio agora é transformar dados alarmantes em políticas preventivas, capazes de reduzir impactos humanos gerados até aqui.

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