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Foto: Ivan Fuquini

IGREJA CATÓLICA

Campanha da Fraternidade propõe debate e estimula ações práticas de combate à fome

REINALDO SILVA

reinaldo@diariodonoroeste.com.br

Na sociedade humana, a fome é uma tragédia, um escândalo, é a negação da própria existência. Em grande parte, é provocada por uma distribuição desigual dos frutos da terra, à qual se acrescentam a falta de investimentos no setor agrícola, as consequências das mudanças climáticas e o aumento dos conflitos em várias regiões do planeta.

O direito absoluto à alimentação é negado a 125,2 milhões de brasileiros e brasileiras que convivem com algum nível de insegurança alimentar – leve, moderada ou grave. Desse total, 33 milhões enfrentam a fome.

As informações estão dispostas no material de divulgação da Campanha da Fraternidade 2023, lançada ontem pela Igreja Católica em todo o Brasil. O objetivo é sensibilizar a sociedade para enfrentar o flagelo da fome, por meio de compromissos que transformem essa realidade a partir do evangelho.

O tema “Fraternidade e Fome” vem acompanhado do lema “Dai-lhes vós mesmos de comer!”, citação do livro bíblico de Mateus, capítulo 14, versículo 16. O bispo diocesano de Paranavaí, dom Mário Spaki, explicou que as palavras foram ditas por Jesus no contexto da multiplicação dos pães.

Conforme a fé cristã, Jesus tomou cinco pães e dois peixes, olhou para o céu, abençoou e partiu os alimentos. Depois entregou aos discípulos, que distribuíram à multidão que tinha fome. Eram cerca de 5.000 homens, além de mulheres e crianças. Todos comeram e se fartaram e levantaram 12 cestos cheios dos pedaços que sobraram.

A questão da fome volta a aparecer em um trecho emblemático do evangelho de Mateus, desta vez no capítulo 25, do versículo 35 em diante:

“Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver. Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? Ou nu, e te vestimos? E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”

Dom Mário Spaki avalia que a insistência do tema na bíblia cristã mostra que Jesus se identificava com pessoas vulneráveis. É urgente que a comunidade também assuma o compromisso de ajudar quem precisa.

Mais do que propor reflexões, válidas e necessárias, sem dúvidas, a Campanha da Fraternidade quer mostrar que a fome não é exclusiva de determinadas regiões do país, mas assola pessoas próximas. O bispo diocesano cita Paranavaí como exemplo: as áreas centrais podem ser menos suscetíveis à insegurança alimentar, mas não é difícil encontrar nos bairros periféricos moradores que não têm refeições adequadas. “A fome está entre nós.”

O debate se estenderá por toda a Quaresma, período de preparação para a Páscoa, quando são celebradas a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus. Mas as ações de combate à fome da Igreja Católica não estão restritas apenas a esse período. De acordo com dom Mário Spaki, são diárias e pautam os trabalhos de diferentes pastorais e grupos religiosos.

As ações práticas incluem a arrecadação e a distribuição de alimentos; o acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade; e o acolhimento de imigrantes, com auxílio para a emissão de documentos e encaminhamento para o mercado de trabalho.

No Domingo de Ramos, que antecede a Páscoa, o dinheiro coletado nas missas será dividido da seguinte forma: os 60% da Diocese serão aplicados na Cáritas e 40% irão para o Fundo Nacional de Solidariedade.

Cáritas é um organismo da Igreja Católica que apoia iniciativas populares, sobretudo de geração de trabalho e renda. Em Paranavaí atende principalmente migrantes e imigrantes. Já o Fundo Nacional de Solidariedade custeia projetos de todo o Brasil, desde que sejam voltados para o tema proposto na campanha da fraternidade de cada ano.

O tema é escolhido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com dois anos de antecedência, assim é possível preparar os materiais de divulgação, as dinâmicas de trabalho e os hinos. São assuntos urgentes para a sociedade, sempre embasados pela palavra de Deus. Normalmente geram polêmica, inclusive dentro da própria Igreja Católica, mas é preciso “tocar na ferida” para que as discussões sejam efetivas e tenham profundidade, assegura dom Mário Spaki.

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