Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
Frio preocupa no cultivo da alface Foto: Ivan Fuquini

HORTIFRÚTI

Chegada do Super El Niño e do frio acendem alerta para a agricultura da região

Previsões indicam chuvas fortes na região e junto com o frio do inverno podem exigir medidas de prevenção para minimizar prejuízos nas lavouras de menor porte

A agricultura familiar ou de menor porte tem papel importante na produção e distribuição de verduras e hortaliças para a região, formando 75% dos empreendimentos rurais do estado, segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR). Com o início do inverno, os agricultores se preparam para proteger as hortas contra a queda de temperatura, os produtores de menor porte tomam diversas medidas preventivas para que as plantações aguentem esse período, principalmente quando geadas ocorrem. 

“Eu colocava marmitex com fogo, nos canteiros, entre linhas, para aquecer. A cada dois metros, uma bandeja com palha e óleo diesel e acendia. Então, subia lá uns 3, 4 graus na horta toda”, diz Emerson Kashiwa, 43, agricultor responsável pela Horta Morumbi, localizada no Parque Morumbi, em Paranavaí.

O cultivo mais afetado por essa queda na temperatura é o de alface “A alface é a que mais sofre. O cheiro verde, a salsinha, ela é mais resistente ao frio. O almeirão é mais resistente. Só que a alface costuma queimar se gear, porque tem a concentração de água maior do que as outras verduras e é o carro-chefe das hortaliças”, lamenta Emerson. Mas apesar das medidas, para pequenos produtores o gasto para prevenção é maior do que apenas perder o cultivo. “Eu já fiz teste com lona, com plástico, mesmo assim queimaram as verduras quando geou, aí não compensa porque o gasto é maior do que a perda das verduras, porque a verdura é barata.”

Emerson Kashiwa, produtor da região de Paranavaí
Foto: Ivan Fuquini

Com as temperaturas mais baixas, o consumo de hortaliças sofre uma queda, pois acabam sendo trocadas por outros tipos de verduras, o que causa uma sobra do produto nos estoques das hortas, gerando ofertas sobre eles na tentativa de desafogar esse excesso. “Tem esse problema de vender menos também, porque no frio o consumo de hortaliças cai um pouco. Aumenta o consumo de legumes cozidos e diminui o de hortaliças. O preço não muda muito. O que acontece é que às vezes acontece de sobrar um pouco de verdura. Porque diminui o consumo. Aí os produtores acabam fazendo umas ofertas no mercado para tentar empurrar as verduras”, comenta Kashiwa.

Além do frio, outro fator que causa preocupação para a agricultura local esse ano é o Super El Niño, um fenômeno natural causado pelo aquecimento das águas superficiais do oceano pacífico equatorial, provocando mudanças climáticas severas em diversas partes do planeta. No noroeste do paraná o efeito esperado é o aumento da precipitação. Essa grande quantidade de chuva, além de acarretar em enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra, traz muitos desafios para produtores de menor porte como é o caso de Emerson. “A chuva atrapalha muito as verduras, muito mesmo, porque como a minha horta não tem proteção, não é coberta, não é estufa, quando a chuva cai ela fura, machuca a folha. Ela estraga bastante quando é muita chuva, além de que lava o adubo da terra e compacta os canteiros e o canteiro de verdura precisa estar macio.”

Marcos Antônio Paranjo Silva, sócio da Frutaria do Seu Didi

Se as previsões feitas sobre o Super El Niño se concretizaram muitos agricultores como o Kashiwa serão severamente prejudicados com a possibilidade de perda de cultivos inteiros. “O grande medo desse super El Niño, para mim, vai ser o excesso de chuva, se acontecer não tem muito o que fazer. Para me preparar, eu teria que cobrir a horta para evitar o excesso de água, mas não dá para cobrir. Então o jeito é tratar bem as verduras, caprichar na adubação, para ela ficar mais resistente.” 

Já na parte final desse processo, na frutaria e no setor de hortifrúti, esses problemas aparecem de forma mais sutil. “O hortifrúti é normal oscilar, mas a verdura em forma específica não tem oscilado muito não, só quando dá uma geada que é grande a diferença. No momento, a compra chegou hoje até e o tomate abaixou o preço. Não tem nada que está muito caro”, comenta Marcos Antônio Paranjo Silva, sócio da Frutaria do Seu Didi.

Em alerta divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) no dia 3 de julho, O El Niño deve ganhar força entre os meses de julho e setembro intensificando os efeitos durante esse período e chegar ao seu ápice entre novembro e fevereiro do ano que vem.

Fonte: Matheus Costa - da redação

Compartilhe: