Cláudia Nascimento Lima acorda todos os dias às 4h30. A adolescente de 15 anos mora em Santo Antônio do Caiuá e precisa de dois ônibus para chegar a Paranavaí a tempo de estudar. Ela faz parte da turma inaugural do Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola de Paranavaí, que oferece o curso técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio.

Foto: Ivan Fuquini
As aulas começaram no dia 5 de fevereiro, e os primeiros dias letivos já foram suficientes para confirmar que fez a escolha certa. “Gosto muito de medicina veterinária, então essa é a minha primeira etapa de formação.”

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O colégio agrícola tem vagas para estudantes de Paranavaí e região, mas nem todas foram preenchidas. O diretor-geral Alziro Melli Lopes afirma que ainda dá tempo de fazer a matrícula e aponta uma série de vantagens para quem busca conhecimento e formação profissional de qualidade.

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“O curso prepara para o mercado de trabalho. Hoje, o salário de um técnico gira em torno de R$ 3 mil a R$ 6 mil, e as empresas estão em busca de pessoal capacitado.” O conteúdo também agrega conhecimento para a gestão de propriedades rurais e garante base para a participação em concursos públicos de nível técnico.
A metodologia de ensino integra a base curricular regular aos conteúdos técnicos, com aulas em período integral de segunda a sexta-feira – sempre das 7h30 às 16h35. Estão incluídas visitas a fazendas experimentais, atividades práticas e até passagens por grandes eventos do agronegócio.
Para dar um exemplo, nesta quinta-feira (12), os alunos viajarão a Cascavel, na região Oeste do Paraná, para acompanhar o Show Rural Coopavel, maior feira do agronegócio na América Latina. “Eles vão ter contato com novas tecnologias e descobrir muitas oportunidades”, diz Lopes.
O colégio agrícola de Paranavaí mantém convênio com a UniFatecie e com o Instituto Federal do Paraná (IFPR). Também pretende firmar parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).
Mercado de trabalho
De acordo com a diretora de unidade de produção Débora Martini, o conteúdo ensinado no centro estadual de formação agrícola está diretamente ligado à demanda do mercado regional.

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O agronegócio é um dos principais segmentos da economia do Noroeste do Paraná, destaca, apontando setores como a citricultura e a mandiocultura, que agregam a produção no campo e a atuação industrial. “É um mercado em expansão”, reitera.
Logo na primeira série, os estudantes aprendem sobre manejo, produção animal e vegetal, bovinocultura e tecnologias agropecuárias. Nos anos seguintes, terão contato com experiências práticas, como a criação de uma cooperativa.
A expectativa do diretor-geral é que dentro de três anos o colégio agrícola de Paranavaí assuma o modelo de internato, a exemplo de outras instituições estaduais semelhantes no Paraná.
Apoio
Lopes reconhece que o fator locomoção é um dificultador para a frequência dos alunos, principalmente de outras cidades da região. Segundo ele, o número de pessoas que manifestaram a pretensão de matrícula passou de 80, mas menos da metade concretizou.
Nesse sentido, o diretor recorre aos prefeitos e pede que busquem maneiras de oferecer transporte gratuito para os alunos interessados no curso técnico em Agropecuária.
A estudante Cláudia, de quem falamos no início desta matéria, viaja de Santo Antônio do Caiuá a Paranavaí todos os dias e não recebe qualquer ajuda de custo, ou seja, precisa pagar do próprio bolso.
Os recursos saem do orçamento da família e também do trabalho dela em uma lanchonete. A rotina de viagem, estudo e emprego é difícil, mas a adolescente é contundente: “Vale a pena”.
Serviço – O colégio agrícola de Paranavaí fica na rua Amador Aguiar, 939, jardim Ipê. O diretor convida pais ou responsáveis legais que tenham interesse em matricular os filhos a fazerem uma visita para que conheçam de perto a estrutura e a metodologia de ensino.
Qualquer pessoa que tenha concluído o nono ano do ensino fundamental pode ingressar no colégio agrícola, independentemente da idade.




