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CRÔNICAS DO BEN

Como entender o amor?

O difícil é quando o amor entristecido, chega a uma distância mínima do: “tanto faz”. Quem já o sentiu, sabe do desespero.

Ouvi a frase sair dessa maneira da boca de um amigo:  –– tanto faz como fez.

Palavras bambas a pintar um desejo entristecido, enquanto gotas dispersas e desanimadas teimavam em escorrer. Eram lágrimas de dor, arrancadas do seu âmago.

Parado e sem saber o que dizer ou fazer, somente assenti.

Respirei a ganhar tempo e, de olhos fechados a procurar resposta que lhe aliviasse o sofrimento, estendi os braços até seus ombros.

Parados em silêncio, ficamos. Não havia resposta nem receita que pudesse aviar contra aquele mal.

Para dor de decepção não se inventou remédio; somente pedido de desculpas. Todavia esses às vezes, não cura e tem somente alívio ilusório.

A dor da decepção é ferida extremamente profunda, nascida da desilusão por uma expectativa frustrada. Ou depositada em quem não se preparou para merecê-la.

Nesses casos só há paliativos, como o meu: palavras de conforto que afagam, mas não consertam.

O ‘deixa disso’ é insuficiente.

— Tem certeza do que diz? Não exagera? Não cobra demais por uma postura que já existia? — questionei.

Seus olhos marejados fixaram-se nos meus. Pareceram esquecer as lágrimas para, assustados e bem abertos, porem-se repetidamente piscar. Sensação estranha para a qual não me preparara.

As pupilas dilatadas sob o movimento apressado das pálpebras, diziam algo que eu não compreendia. Mas os olhos falaram por ele. E o compreendi.

O difícil não era o amor ter chegado perto da indiferença do “tanto faz”.

Para ele, ainda, era o amor tanto quanto, enquanto para a parceira, ao que parecia… tanto fazia… Há dores que a palavra não alcança.

A presença, entretanto ganhou voz. Então sugeri:

–– O amor, enquanto bom sentimento, é um camaleão. Às vezes se apresenta de um jeito, às vezes de outro, mas não deixa de ser amor.

O ‘tanto faz’ não precisa ser lido como indiferença, mas compreendido como intensidade. Lembra-se que ‘tanto’, também significa muito?

O difícil é quando nos esquecemos que o “tanto faz”, também é “tanto, que faz… muito bem.” Nesse caso, o choro seca as próprias lágrimas.

Fonte: Renato Benvindo Frata

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