O difícil é quando o amor entristecido, chega a uma distância mínima do: “tanto faz”. Quem já o sentiu, sabe do desespero.
Ouvi a frase sair dessa maneira da boca de um amigo: –– tanto faz como fez.
Palavras bambas a pintar um desejo entristecido, enquanto gotas dispersas e desanimadas teimavam em escorrer. Eram lágrimas de dor, arrancadas do seu âmago.
Parado e sem saber o que dizer ou fazer, somente assenti.
Respirei a ganhar tempo e, de olhos fechados a procurar resposta que lhe aliviasse o sofrimento, estendi os braços até seus ombros.
Parados em silêncio, ficamos. Não havia resposta nem receita que pudesse aviar contra aquele mal.
Para dor de decepção não se inventou remédio; somente pedido de desculpas. Todavia esses às vezes, não cura e tem somente alívio ilusório.
A dor da decepção é ferida extremamente profunda, nascida da desilusão por uma expectativa frustrada. Ou depositada em quem não se preparou para merecê-la.
Nesses casos só há paliativos, como o meu: palavras de conforto que afagam, mas não consertam.
O ‘deixa disso’ é insuficiente.
— Tem certeza do que diz? Não exagera? Não cobra demais por uma postura que já existia? — questionei.
Seus olhos marejados fixaram-se nos meus. Pareceram esquecer as lágrimas para, assustados e bem abertos, porem-se repetidamente piscar. Sensação estranha para a qual não me preparara.
As pupilas dilatadas sob o movimento apressado das pálpebras, diziam algo que eu não compreendia. Mas os olhos falaram por ele. E o compreendi.
O difícil não era o amor ter chegado perto da indiferença do “tanto faz”.
Para ele, ainda, era o amor tanto quanto, enquanto para a parceira, ao que parecia… tanto fazia… Há dores que a palavra não alcança.
A presença, entretanto ganhou voz. Então sugeri:
–– O amor, enquanto bom sentimento, é um camaleão. Às vezes se apresenta de um jeito, às vezes de outro, mas não deixa de ser amor.
O ‘tanto faz’ não precisa ser lido como indiferença, mas compreendido como intensidade. Lembra-se que ‘tanto’, também significa muito?
O difícil é quando nos esquecemos que o “tanto faz”, também é “tanto, que faz… muito bem.” Nesse caso, o choro seca as próprias lágrimas.

















