Falta de cumprimento das legislações sanitárias e trabalhistas por parte dos empregadores é uma das preocupações do poder público
REINALDO SILVA
Da Redação
Entre os países que compõem o G-20, o Brasil apresenta a segunda maior taxa de mortalidade de trabalhadores por problemas de saúde ou condições laborais inadequadas. Perde apenas para o México. O Paraná tem participação importante na construção desse cenário, com o registro de pelo menos um óbito por dia.
Esse é o resultado da falta de cuidados por parte da classe empresarial, “que não tem a cultura de primar por saúde e segurança no ambiente de trabalho”, avaliação feita por Amanda Navarro, enfermeira e mestra em Saúde Coletiva.
Ela integra a equipe do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e esteve em Paranavaí nesta sexta-feira (4) para a Conferência Regional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora.

Foto: Ivan Fuquini
O evento reuniu profissionais da área de saúde, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), gestores e prestadores de serviços, totalizando aproximadamente 100 participantes de todos os municípios da 14ª Regional de Saúde, no Noroeste do Paraná.
Elencaram propostas que serão apresentadas na conferência estadual, nos dias 10 e 11 de junho, em Curitiba, e definiram os representantes da região. Serão 16 delegados titulares: oito usuários do SUS, quatro profissionais de saúde e quatro gestores e prestadores de serviços.
Amanda Navarro apontou as principais demandas discutidas no evento em Paranavaí: qualificar as equipes de vigilância da saúde do trabalhador e sensibilizar os gestores. Como resolvê-las? “Instruindo a população a cobrar dos profissionais e dos gestores.” De que forma isso deve acontecer? “Através da participação em conferências, nos conselhos municipais de saúde, em audiências públicas…”
As conferências voltam os olhares para empregados no comércio, na indústria, no setor de serviços, na construção civil, nas áreas rurais. “Estamos em busca do que o SUS pode fazer por todas as classes trabalhadoras”, disse a enfermeira. As políticas públicas precisam ter como foco a redução de casos de adoecimento e morte.
De acordo com Amanda Navarro, cuidar da saúde do trabalhador faz parte das diretrizes da rede pública desde a década de 1980, mas ainda há muito para avançar. “O empresariado precisa estar atento às normas de saúde e segurança. O empregador tem que cumprir as legislações sanitárias e trabalhistas.”

Foto: Divulgação
Conferência nacional
As conferências municipais, regionais e estaduais estão sendo realizadas em todo o país. O tema deste ano é “Saúde do trabalhador e da trabalhadora com direito humano”.
Vencidas essas etapas, os representantes de todas as unidades federativas se reunirão em Brasília, nos dias 18 a 20 de agosto, para a conferência nacional, ocasião em que serão definidas formas de aprimorar as políticas públicas existentes e criar novos planos de trabalho, caso seja necessário.