O aumento da inadimplência entre empresas no Brasil acende um alerta para a saúde financeira dos negócios. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, o número de empresas inadimplentes cresceu 12,65%, segundo o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) Brasil. Entre os fatores que mais afetam esse quadro está justamente a dificuldade dos consumidores em honrar pagamentos, o que impacta diretamente o fluxo financeiro das empresas.
Nesse contexto, o setor de serviços aparece como o mais vulnerável. De acordo com o SPC, ele concentra cerca de 39% das empresas inadimplentes no país. Para o consultor de negócios Carlos Cremonini, de Paranavaí, o avanço da inadimplência deixa claro um recorrente dentro das empresas, a crença de que vender mais, por si só, é suficiente para tornar o negócio saudável.
Segundo o especialista, esse raciocínio ignora um ponto central da gestão de que toda venda precisa ser acompanhada por controle financeiro, análise de custos e capacidade real de recebimento.
Na avaliação do consultor, dois instrumentos são indispensáveis nesse processo, o da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e a análise do fluxo de caixa. É por meio deles que o empresário consegue entender se a operação está, de fato, gerando resultado positivo ou apenas aumentando o volume de vendas sem sustentação financeira.
Carlos cita como exemplo o caso de uma empresa do setor de serviços que ele acompanha e que elevou o faturamento mensal de R$ 150 mil para R$ 300 mil. Apesar do crescimento nas vendas, o modelo adotado passou a comprometer o caixa. Segundo Cremonini, a empresa começou a trabalhar com entrada de 30% e parcelamento do restante em até 12 vezes no boleto, sem fazer análise de crédito dos clientes.
O consultor explica que o valor vendido deixou de representar o valor efetivamente recebido.
“Em um cenário como esse, uma empresa que vende R$ 300 mil por mês passa a receber, em média, cerca de R$ 100 mil de entrada, enquanto ainda convive com inadimplência mensal de aproximadamente R$ 50 mil. Em alguns casos, esse valor recebido pode ser ainda menor, ficando entre R$ 60 mil e R$ 80 mil e é justamente nesse ponto que muitos empresários perdem a dimensão real do problema.”
De acordo com o consultor, quando a empresa cresce sem controle, o empresário tende a acreditar que a dificuldade está na venda, quando muitas vezes o entrave está em outra área. Entre os problemas mais comuns, ele destaca a inadimplência, os custos elevados, a falta de gestão financeira e até um pró-labore acima da capacidade do negócio.
Para o consultor, o empresário precisa fazer a “conta de mais e de menos” em cada negociação, avaliando se aquela venda realmente traz resultado positivo. Sem esse acompanhamento, a empresa pode até ampliar o faturamento no papel, mas seguir sem crescimento real no caixa.
Na leitura dele, organizar as finanças da empresa deixou de ser uma tarefa acessória e passou a ser uma necessidade estratégica para manter a empresa saudável.
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Carlos Cremonini – Guia Gestão
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