Depois de passar por alguns problemas de saúde e repensar a própria vida, Paulo Sérgio Batista Gonçalves, de 56 anos, decidiu voltar a viver o antigo desejo de viajar de moto. Após ficar 20 anos sem uma motocicleta, ele comprou uma nova moto de 1000cc há cerca de um ano e meio. Nesta primeira grande aventura, encontrou no filho Rafael Boneti Gonçalves, de 32 anos, a companhia para uma viagem de quase 2 mil quilômetros entre ida, volta e desvios pelo caminho.
Junto com um grupo de amigos motociclistas, conhecidos como “Os Veteranos”, pai e filho encararam seis dias de viagem e seguiram até Ametista do Sul, no Rio Grande do Sul. A ideia era que a esposa de Paulo participasse da viagem, mas a longa distância mudou os planos.
“Quando ela falou que não queria, eu já falei: ‘Filho, aceita o desafio com o pai?’. Ele logo respondeu: ‘Lógico, pai, vamos embora’”, relembra Paulo.
O destino foi dividido pelo grupo, que reuniu 18 motos na estrada. Em Ametista do Sul (679 km de distância), o roteiro incluiu visitas aos garimpos, túneis de mineração, parques e à igreja da cidade. Depois, a viagem ainda passou pela cidade Quilombo, nas Cataratas do Salto Saudades em Santa Catarina. Mais do que o percurso em si, o que marcou a viagem dos dois foi a experiência de dividir e viver a estrada.
Para Rafael, foi a primeira viagem de moto ao lado do pai. Em todo o tempo, ele seguiu na garupa, dando apoio nas horas de estrada, fazendo o trabalho de cinegrafista e registrando fotos, vídeos e cenas do grupo pelo caminho.
“A experiência de viajar junto com meu pai é inenarrável”, resumiu. Em outro momento, ao descrever a sensação de seguir entre serras e curvas, com a motocicleta se debruçando no asfalto, soltou a frase que virou símbolo da aventura de pai e filho: “Pai, nós literalmente estamos surfando na estrada.”

Paulo compartilhou que a viagem teve um peso ainda maior por acontecer depois de um período delicado de saúde. “Quando você passa quase pelo vale da sombra da morte [disse entre risos], você começa a rever a vida”, afirmou. Segundo ele, foi justamente essa mudança de perspectiva que o levou a aceitar o convite de pegar a estrada e viver mais momentos ao lado da família e dos amigos.
Nem tudo correu sem imprevistos. Em um trecho de estrada de chão, já em Santa Catarina, Paulo perdeu o controle da moto em meio à grande quantidade de pedras e acabaram saindo da pista. Outro amigo que vinha logo atrás para ajudar também caiu. Apesar do susto, além de pequenos danos na motocicleta, ninguém se feriu.
Em outro momento da viagem, pai e filho pegaram o caminho errado após a separação do grupo em um cruzamento da rodovia e acabaram rodando mais de 100 quilômetros fora da rota, chegando próximo da fronteira com a Argentina.

Rafael lembra que esse foi o momento de maior adrenalina da viagem, mas diz que o que ficou foi o encanto com a paisagem e com a liberdade da estrada. “Você sai do seu conforto, do seu normal, e, com o vento no rosto, você se sente mais livre”, contou animado.
Para Paulo, o passeio também fortaleceu a relação com o filho, em um tempo que raramente sobra na correria do dia a dia. “Foi muito bom eu estar com meu filho, porque a gente pode ter momentos mais íntimos juntos. Isso aí não tem preço nenhum, tem valor. Algo que é difícil a gente ter no dia a dia”, disse.
De volta a Paranavaí, a viagem terminou na última terça-feira (21), feriado de Tiradentes, trazendo aquela sensação de que foi só o começo. “Nem chegamos e já estamos pensando na próxima viagem”, contou Paulo, que agora planeja trocar de moto e seguir mais longe nas estradas do Brasil junto com “Os Veteranos”.



