REINALDO SILVA
Da Redação
A Polícia Científica tem até 30 dias para determinar a causa da morte de Cristiane Aguiar Moreira Dias, de 44 anos, na manhã de segunda-feira (24). Moradora da Vila Operária, em Paranavaí, ela foi encontrada caída em uma boca de lobo. Vizinhos fizeram o socorro e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas quando a equipe chegou, já estava morta.
Moradores do bairro revelaram a possibilidade de feminicídio, quando o crime é motivado por ódio à condição de gênero. Basearam-se no fato de que o marido, Paulo Sérgio, tinha comportamentos agressivos contra a vítima. A hipótese, no entanto, não foi confirmada pelo delegado da Mulher, Luciano Nendza.
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Com base nos depoimentos de Paulo Sérgio e de uma testemunha, a princípio não há indícios de ação criminal contra Cristiane. O marido estava em casa dormindo quando ela passou mal e caiu na boca de lobo. Aliás, a mulher já dava sinais de que a saúde estava debilitada, tendo febre nas noites anteriores.
Os dois, Paulo Sérgio e Cristiane, eram usuários de drogas. No caso dela, conforme o delegado da Mulher, o problema de drogadição era “muito grave”. Ela fazia tratamento há um ano. Nenhum tem antecedentes criminais.
Detalhes – O vizinho que prestou depoimento à Polícia Civil deu detalhes do que aconteceu. Ele e a vítima foram, juntos, comprar cigarros. Ela fumou e se sentiu mal. Sentou-se no meio-fio, próximo ao bueiro, e caiu.
Ele tentou retirá-la de lá, mas não teve força suficiente. Pediu ajuda a outra pessoa que passava pelo local, então conseguiram resgatá-la. Tentaram fazer com que ficasse sentada novamente, mas de novo ela desfaleceu.
O homem foi até a casa onde a vítima morava e contou ao marido o que acontecera, mas ele respondeu que permaneceria dormindo, pois não era a primeira vez que isso acontecia com Cristiane.
Violência – De acordo com Luciano Nendza, os apontamentos sobre violência doméstica estão registrados no sistema da Polícia Civil, são pelo menos cinco situações desde 2020. Apesar dos relatos, todos feitos de forma anônima por vizinhos, a mulher nunca representou contra Paulo Sérgio.
“Todos os registros eram de populares acionando a Polícia Militar por situação de violência. A Polícia Militar ia, quando chegava lá, ela falava que nada tinha acontecido, que era mal entendido. A Polícia Militar visualizava, não tinha nenhuma uma lesão aparente.” Sem representação, explicou o delegado da Mulher, não era possível fazer a condução do suspeito.
Investigação – O inquérito policial foi instaurado para colher todos os elementos. O laudo da necropsia será determinante para a causa da morte, se houve ação externa ou violência – mas tudo indica que não – ou se foi natural, por exemplo, por infarto ou overdose.
O delegado Luciano Nendza disse que no prazo de 30 dias a Polícia Civil reunirá o auto de levantamento do local da morte, o laudo da necropsia e o exame toxicológico. “Por ora, está descartada a questão do feminicídio.”
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Foto: Ivan Fuquini
Além disso, outros depoimentos serão anexados no inquérito, inclusive dos filhos de Cristiane.