O quadro pendurado na parede de madeira estampava o registro fotográfico de um amigo servindo ao outro uma dose de pinga. Na mesma moldura, uma mensagem sobre a importância de cultivar relações pessoais verdadeiras.
A gente pode:
Morar numa casa mais ou menos.
Vestir uma roupa mais ou menos.
Comer um prato de comida mais ou menos.
Dormir numa cama mais ou menos.
O que a gente não pode
é ter um amigo mais ou menos!!

Foto: Ivan Fuquini
Por muitos anos, a imagem permaneceu exposta no Bar do Iêdo, apontado como o ponto comercial mais antigo de Paranavaí. O estabelecimento ficava na esquina da avenida Rio Grande do Norte com a rua Souza Naves, mas foi demolido nesta quarta-feira (28).
Ali, reuniam-se conhecidos de longa data. Conversavam, jogavam sinuca, tomavam a cachacinha sagrada, assistiam a partidas de futebol transmitidas na tevê. Acima de tudo, cultivavam amizades.

Foto: Ivan Fuquini
A estrutura de madeira que abrigava o Bar do Iêdo sofreu os efeitos do tempo. Construído na década de 1950, o imóvel jamais passara por uma grande reforma. As ripas empenaram e davam sinais de deterioração. Para além das alegrias da convivência, havia riscos.
No dia 29 de junho de 2024, o Diário do Noroeste publicou uma reportagem especial contando a trajetória do Bar do Iêdo. O texto foi assinado pelo jornalista Igor Mateus, que atualmente integra a equipe da Secretaria Municipal de Comunicação Social de Paranavaí.
Diante da demolição do imóvel, resgatamos, aqui, algumas curiosidades compartilhadas com os leitores há quase dois anos.
Criado em 1959 pelo pioneiro Durvalino Grando, funcionava como um armazém de secos e molhados sob o nome Casa Grando, que se manteve até 1977, quando foi vendida para outro pioneiro, José Mestriner. O filho dele, Eclair Mestriner, assumiu a administração do estabelecimento até 1985.
Iêdo Macial Lima assumiu o armazém naquele ano como locatário e o transformou em um bar chamado O Cruzadão, que depois se transformou em Bar do Iêdo. Formou grande clientela e atendia a pessoas de todas as classes sociais.
O tempo passou e o número de frequentadores diminui pouco a pouco. A queda no movimento se acentuou com a pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021.
Agora, o Bar do Iêdo faz parte da história de Paranavaí e permanece na memória dos amigos que já passaram por lá.




