(44) 3421-4050 / (44) 99177-4050

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:

OPINIÃO

Desafios para a infraestrutura no Brasil este ano

*Por Leonardo Giusti e Daniela Macario

A base do desenvolvimento econômico e social de um país está diretamente relacionada à capacidade de atrair, direcionar e gerar investimentos em infraestrutura. Entretanto, por aqui, o assunto não tem recebido a devida atenção. O Brasil tem investido no setor menos que 2,5% do Produto Interno Bruto durante as últimas duas décadas, quando seriam necessários, no mínimo, 4% a 5% deste volume.

Este cenário, contudo, vem registrando mudanças positivas diante do aumento de investimentos oriundos pela iniciativa privada — que respondem por quase 80% de todos os recursos do setor, percentual mais alto já alcançado no Brasil. Essa tendência vem se consolidando com a execução de dezenas de projetos de peso em infraestrutura. Vale citar, por exemplo, os novos empreendimentos no setor ferroviário, até então estagnado, que somam quase R$ 25 bilhões: a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), que vai interligar os estados de Tocantins, Maranhão, Goiás e Bahia, e a Ferrogrão, que conectará a região produtora de grãos do Centro-Oeste ao estado do Pará. Tais linhas deverão proporcionar eficiência à malha de escoamento logístico brasileiro, garantindo agilidade, acessibilidade e maior competitividade no custo logístico.

Analisando a dinâmica histórica do mercado, e acompanhando os movimentos de desburocratização regulatória, é possível afirmar que os investimentos no setor logístico podem alcançar R$ 40 bilhões neste ano. Isso significa mais atenção para a construção e manutenção de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e mobilidade urbana. Já no setor de saneamento, que vem ganhando destaque e importância após a aprovação do novo marco regulatório, a previsão é que sejam investidos cerca de R$ 15 bilhões por meio das ofertas de privatização.

Além de prover a maioria dos recursos em infraestrutura, a iniciativa privada contribui ainda com a incorporação de conceitos sustentáveis e de práticas ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e governança). Mais do que nunca, ações de resposta à crise climática despertam enorme atenção dos principais tomadores de decisão. Nesse contexto, o setor de infraestrutura possui um papel fundamental a desempenhar, especialmente, por meio de mecanismos robustos e pela criação de soluções que considerem o uso da matriz energética limpa.

Por fim, como em demais setores da indústria brasileira, ainda há muito a avançar tanto na aderência de novas tecnologias quanto na conjuntura estrutural das organizações. A transformação digital deve se fazer presente também entre as equipes e os processos, principalmente, no setor de infraestrutura, em que se encontra justamente a maior lacuna de produtividade — em comparação com áreas como a indústria e a manufatura. Já que o conceito 4.0 é imprescindível, torna-se fundamental que os gestores das empresas busquem gerar valor através de sistemas conectados e do uso inteligente de dados, além da capacitação de funcionários, para manter-se competitivas no mercado.

*Leonardo Giusti é sócio-líder de infraestrutura, governo e saúde da KPMG e Daniela Macario é gerente do segmento de infraestrutura da KPMG no Brasil

Compartilhe: