Considerada por muitos uma “doença do passado”, a hanseníase ainda oferece risco considerável à população. De acordo com boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado no ano passado, entre 2014 e 2023, o Brasil notificou 309.091 casos da doença. 80% das notificações feitas nesses 10 anos foram classificadas como casos novos de hanseníase.
Apesar de comum, a condição demanda atenção e cuidados específicos, uma vez que as formas graves da doença podem causar complicações. Em todos os casos, o diagnóstico precoce é o diferencial, diz a médica Adrieli Deltrejo, pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cirúrgica.
A médica indica atenção a qualquer sinal característico que levante a suspeita. Segundo ela, geralmente, manchas na pele que não coçam, não doem e apresentam diminuição da sensibilidade ao toque, ao calor ou à dor são os primeiros indícios. “Também pode surgir dormência ou formigamento e até mesmo fraqueza nos pés e nas mãos”, cita.
Áreas com diminuição dos pelos e do suor, aparecimento de nódulos pelo corpo, que podem ser avermelhados e dolorosos, e diminuição ou ausência de sensibilidade na face, nas mãos ou nos pés também podem ser sintomas da hanseníase.
Transmissão
O poder de contágio da hanseníase existe, mas a transmissão da doença não acontece por meio de toques, abraços ou beijos. Conforme detalha Adrieli, o contágio só ocorre quando uma pessoa com o diagnóstico, na forma infectante da doença e sem tratamento, elimina o bacilo causador da hanseníase e infecta outras pessoas suscetíveis.
“Para essa transmissão acontecer é necessário um contato próximo e prolongado”, destaca a médica.
Janeiro Roxo
A doença ganha notoriedade durante o mês de janeiro, período em que autoridades de saúde reforçam o alerta sobre a gravidade da hanseníase e a presença de casos na atualidade. Por meio da campanha Janeiro Roxo, a população é chamada a entender a necessidade de combater e prevenir os casos que ainda são uma realidade no país.
No Brasil, a hanseníase pode ser tratada de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). “Há tratamento gratuito e completo no SUS e, quando iniciado precocemente, evita sequelas e interrompe a transmissão da doença”, reforça Adrieli Deltrejo.
Reiterando a necessidade do diagnóstico precoce, a médica recomenda buscar ajuda a qualquer sinal suspeito. “Janeiro roxo é sobre informação, cuidado e prevenção. Manchas na pele que não sente? Não é normal. Procure um médico para investigar corretamente”, orienta.
SERVIÇO
Adrieli Acacia Deltrejo – Médica pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cirúrgica (CRM-PR: 55683)
Endereço: Rua Pernambuco, 1.030, Clínica Fujii, Centro de Paranavaí
Telefone: (44) 9 9171-4219
Instagram: @dra.adrieli_deltrejo



