O empresário do setor agroindustrial Márcio Fantin Marcelino, de 46 anos, continuará preso após passar por audiência de custódia nesta segunda-feira (18), em Maringá. A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva.
Ele é investigado pela morte do motoboy, pastor e radialista Alex Batista Pereira, de 31 anos, vítima de um grave acidente registrado na noite de sábado (16), no cruzamento das ruas Felipe Camarão e Martim Afonso, na Zona 2 da cidade.
Segundo as informações apuradas, Márcio deverá responder, inicialmente, pelos crimes de homicídio doloso, omissão de socorro e disparo de arma de fogo.
Acidente terminou com morte de motociclista
Conforme relatos de testemunhas, o automóvel conduzido pelo empresário teria avançado a preferencial e atingido violentamente a motocicleta pilotada por Alex Batista Pereira. Com o impacto, o motociclista sofreu ferimentos gravíssimos e entrou em parada cardiorrespiratória. Equipes de socorro chegaram a realizar tentativas de reanimação, mas a vítima morreu ainda no local.
Após a colisão, o motorista deixou a cena do acidente sem prestar socorro, o que gerou revolta entre motociclistas que trabalhavam na região. Alex Batista Pereira era conhecido em Maringá por atuar como motoboy, além de exercer atividades como pastor e radialista.
Protesto terminou com tiros
Pouco tempo depois do acidente, motociclistas conseguiram localizar o endereço do suspeito e realizaram um protesto em frente à residência dele. Durante a manifestação, houve tumulto e pedras foram arremessadas contra o imóvel.
Segundo informações da ocorrência, em determinado momento o empresário apareceu armado na janela da residência e efetuou disparos com uma pistola calibre .380 em direção às pessoas que estavam no local, incluindo motociclistas e profissionais da imprensa.
Apesar da tensão, ninguém foi atingido pelos tiros. A Polícia Militar do Paraná foi acionada e realizou a prisão do empresário. A arma utilizada foi apreendida.
Ainda conforme a polícia, foi constatada situação de embriaguez ao volante. O empresário também possuía antecedentes relacionados a embriaguez ao volante e porte ilegal de arma de fogo.
Defesa pede cautela
O advogado Anderson Alarcon afirmou que a defesa recebe o caso com “profundo respeito” diante da gravidade da ocorrência e da morte do motociclista. Segundo ele, tanto a vítima quanto o empresário são trabalhadores e a situação provocou forte impacto emocional em todos os envolvidos.
“Tratam-se de homens trabalhadores, e o acidente foi uma fatalidade, que infelizmente ceifou a vida de um trabalhador e pai de família, assim como o condutor do veículo, que igualmente está em choque e abalado pelo ocorrido, afinal, esse não é um fato desejado ou sequer imaginado por qualquer pessoa normal e de bem”, declarou.
A defesa também destacou que Márcio Fantin Marcelino estaria colaborando com as autoridades desde o início da investigação. “Responder um processo em liberdade é a regra, ainda mais quando se trata de pessoa primária, trabalhadora, e que desde o início está colaborando com as autoridades e inclusive com ajuda humanitária às famílias, independente de qualquer coisa”, afirmou o advogado.
Sobre os disparos efetuados em frente à residência do empresário, Alarcon afirmou que o processo tramita sob segredo de Justiça, mas disse que os elementos já analisados apontariam uma situação de ameaça e tentativa de invasão da casa. Segundo ele, imagens registradas no local mostrariam depredação e risco à integridade das pessoas que estavam dentro do imóvel.
“A própria polícia ao acompanhar o caso entendeu que o Sr. Márcio agiu para evitar um mal maior. Os vídeos não deixam nenhuma dúvida da invasão das pessoas em sua casa, da depredação das janelas e da iminente invasão do quintal, que já estava tomado, para dentro da casa com o objetivo amplamente declarado de quebrar tudo e atear fogo com a família dentro”, declarou.
Ainda conforme a defesa, os disparos teriam ocorrido como forma de advertência para dispersar o grupo. “Os tiros de advertência, realizados com o cuidado necessário, foram devidos para conter a turba e evitar o mal maior. Poderíamos estar chorando hoje a morte indevida de não apenas uma pessoa que fatalmente se foi, mas de outras pessoas inocentes”, afirmou.
“É preciso ter muito cuidado, serenidade, sobriedade e sabedoria para que o tribunal da imprensa, o tribunal popular, o tribunal das ruas, não faça condenações antecipadas, execrações públicas, assassinatos de reputações, prejulgamentos indevidos e precipitados e portanto injustos, geradores inclusive, de responsabilidade de quem assim age. O processo está em segredo de justiça, e devemos deixar o processo seguir seu curso regular, dentro da lei, sem privilégios e sem execrações, como deve ser num Estado Democrático de Direito”, finalizou o advogado.



