Durante dois dias, o Parque de Exposições Arthur da Costa e Silva, em Paranavaí, foi transformado em um grande espaço de oração, música, convivência e evangelização. A 20ª edição do Éffeta reuniu milhares de pessoas neste sábado (19) e domingo (20), vindas de Paranavaí e de diferentes municípios da região, para participar de missas, momentos de oração, pregações, módulos de formação e apresentações musicais.
A edição comemorativa também mostrou a dimensão que o evento alcançou ao longo dos anos. Famílias, jovens, casais e grupos de amigos que já conheciam o Éffeta dividiram o espaço com pessoas que participavam pela primeira vez. Para muitos, a presença em 2026 foi a continuidade de uma história que começou há anos.
O tema escolhido para a 20ª edição, “Abra-te para um Novo Tempo”, conduziu a programação e reforçou justamente essa ideia de continuidade. Para a organização, chegar aos 20 anos não significa encerrar um ciclo, mas reconhecer os frutos de uma trajetória e seguir avançando.

Primeiro dia reúne caravanas e diferentes gerações
A programação começou no sábado (19), com a chegada de participantes de Paranavaí e de diferentes cidades da região. O movimento mostrou que o Éffeta ultrapassou os limites do município e se consolidou como um encontro que reúne pessoas de diferentes localidades.
Entre os participantes estava Matheus Fernandes Olivatti, de Alto Paraná, que esteve no evento acompanhado da noiva, Érica Cristina de Oliveira Pereira. Para o casal, participar do Éffeta era uma experiência especial, principalmente pela oportunidade de viver o momento de fé juntos.
Érica destacou a importância da presença de Rosa de Saron na programação e a relação da banda com a história do evento. Para ela, o retorno ao Éffeta também representava uma oportunidade de se aproximar ainda mais da fé e de Jesus.
A estudante Eduarda Moreira Thomaz, de Douradina, também percorreu cerca de duas horas para participar da programação. Ao lado de duas amigas, ela contou que o interesse pela apresentação de Rosa de Saron se somava à possibilidade de compartilhar a experiência de fé e amizade.
O primeiro dia teve como um dos momentos centrais a missa, seguida pela abertura do Duc in Altum, momentos de oração e louvor com a Irmã Maria Joana e o show da banda Rosa de Saron.

Segundo dia começa com o Parque de Exposições cheio
O movimento continuou na manhã de domingo (20). Desde cedo, milhares de pessoas retornaram ao Parque de Exposições para acompanhar o segundo dia de programação.
Para alguns participantes, o Éffeta já fazia parte da rotina. Para outros, a experiência era motivada por acontecimentos pessoais e pela busca de um momento de fé.
João Vitor Vieira, de Nova Londrina, lembrou que a participação na edição anterior havia sido marcada por um momento familiar. Neste ano, voltou ao evento carregando também a lembrança da avó, que morreu durante o período entre uma edição e outra.
Já Larissa Aparecida Fernandes de Lima, de Douradina, contou que havia participado do Éffeta no ano anterior e decidiu retornar porque considerou a experiência especial. “É muito bonito e eu voltei para buscar a santidade”, relatou.
Entre os participantes estava também Sueli Deodoro Arrais Rodrigues, de Paranavaí, que acompanha o evento desde a primeira edição. Ao longo dos anos, ela passou a considerar o Éffeta parte importante de sua caminhada.
Sueli também compartilhou um testemunho pessoal relacionado à saúde e à fé. Ela relatou ter enfrentado tumores no ouvido e atribuiu a uma experiência de oração uma mudança em sua condição. O relato foi apresentado por ela como um testemunho de fé e não como comprovação médica.

Irmã Maria Raquel destaca frutos e continuidade
A programação contou ainda com a presença da Irmã Maria Raquel, do Instituto Hesed e integrante do Exército de São Miguel, que participou dos momentos de oração e evangelização. Ao falar sobre os 20 anos do Éffeta, ela destacou a alegria de acompanhar os frutos produzidos pelo evento e relacionou o tema desta edição à necessidade de continuidade.
“Sempre uma alegria poder contemplar os frutos e a obra que Deus está fazendo esse ano, então completando esses 20 anos e com um tema tão especial de avançar para águas mais profundas. Ou seja, a gente não pode parar”, afirmou.
Para a religiosa, a celebração também representa um momento de reconhecer aquilo que foi plantado ao longo dos anos. “É bom voltar aqui e tocar os frutos do ano anterior e na certeza de que o que está sendo plantado aqui, também nós colheremos frutos abundantes futuramente. Então, no coração, a gratidão e imensa alegria”, disse.
Irmã Maria Raquel também chamou atenção para a fidelidade do público que acompanha o trabalho de evangelização desenvolvido pelo Instituto Hesed durante todo o ano. “É um povo que está ali rezando o ano inteiro. Todos os dias o pessoal está ali na madrugada, seja no rosário, seja no terço da misericórdia à noite”, explicou.
Segundo ela, as redes sociais ampliaram significativamente o alcance desse trabalho, levando as orações para diferentes regiões do Brasil e também para outros países. “Costumamos dizer que são os novos areópagos de hoje, como São Paulo evangelizava naquele tempo. E a gente hoje, através dessa ferramenta da rede social, pode levar a palavra, o amor de Deus, tão longe”, afirmou.
A religiosa resumiu a experiência dizendo que, por onde passa, encontra “um povo orante, um povo fiel”.
Música também faz parte da história
A música foi outro elemento central da 20ª edição. O show de Rosa de Saron era um dos momentos mais aguardados e reuniu pessoas que acompanharam a banda ao longo de diferentes fases da carreira.
Para participantes como Érica Cristina e Eduarda Moreira, a apresentação tinha um significado que ia além do entretenimento. As músicas estavam ligadas à própria vivência de fé e à história construída pelo grupo dentro do universo católico.
Ao longo dos dois dias, outros momentos de louvor e música também integraram a programação, intercalados com missas, pregações e momentos de oração. A programação incluiu ainda espaços destinados às crianças, praça de alimentação, atendimento para confissões e módulos de formação, permitindo que o público permanecesse no Parque de Exposições durante diferentes períodos do dia.

20 anos de uma obra construída por voluntários
A dimensão alcançada pelo Éffeta também é resultado do trabalho de centenas de pessoas que atuam nos bastidores. Ao longo da história do evento, aproximadamente 900 voluntários chegaram a participar da organização, assumindo funções diferentes para que a estrutura pudesse funcionar. São pessoas responsáveis por acolhimento, alimentação, limpeza, segurança, organização, liturgia, música e diferentes áreas de atendimento.
Esse trabalho muitas vezes não aparece para quem está na plateia, mas é fundamental para que o evento aconteça. Foi justamente essa dimensão comunitária que marcou os 20 anos: pessoas que participam, retornam e passam a servir, enquanto novas gerações chegam e encontram um evento que já carrega duas décadas de história.
Uma história que começou pequena
O Éffeta nasceu de uma história ligada à Comunidade Católica Emanuel e aos trabalhos de acolhimento e recuperação desenvolvidos pela instituição. Segundo o padre Adão, um dos responsáveis pela trajetória da comunidade, os primeiros acampamentos começaram cerca de 20 anos atrás e aproximaram jovens que viviam situações de vulnerabilidade e envolvimento com drogas.
A partir daquela experiência, a comunidade adquiriu um espaço, estruturou uma casa de recuperação e ampliou sua atuação. O Éffeta surgiu também como uma forma de aproximar a população dessa realidade e mostrar que a recuperação poderia ser acompanhada por uma comunidade.
Com o passar dos anos, o evento cresceu e passou a reunir milhares de pessoas. Para o padre Adão, uma das características mais importantes do Éffeta é justamente permitir que quem participa conheça de perto a comunidade e as pessoas que passaram pelo processo de recuperação.
A iniciativa também se tornou uma porta de entrada para outros projetos ligados à Comunidade Católica Emanuel, entre eles o trabalho de recuperação, o Projeto Bom Menino e a Escola Católica Mater Dei.
Fé que continua depois do evento
Ao completar 20 anos, o Éffeta deixa Paranavaí com uma característica que esteve presente desde a primeira edição: a intenção de que aquilo que é vivido durante o evento continue na vida dos participantes.
O Éffeta 2026 reuniu diferentes gerações em torno de uma mesma experiência. Quem estava pela primeira vez dividiu o espaço com quem esteve na primeira edição. Jovens participaram ao lado de famílias, casais e pessoas que fizeram do evento uma tradição.



