O Brasil inicia 2026 diante de um cenário desafiador: transformações tecnológicas aceleradas, novas exigências de qualificação e mudanças profundas na dinâmica do trabalho. Nesse contexto, cresce a necessidade de fortalecer políticas e iniciativas orientadas à profissionalização da juventude. Entre elas, o estágio se destaca como a estratégia mais eficaz para impulsionar a empregabilidade e garantir um futuro mais promissor aos estudantes.
De acordo com a Associação Brasileira de Estágios (Abres), cerca de 40% a 60% dos estagiários são efetivados ao final do contrato, sinal claro da maturidade desse modelo e da confiança depositada. Esses números confirmam uma tendência sólida: cada vez mais organizações compreendem o estágio como parte central de sua gestão de talentos.
Uma porta de entrada cada vez mais decisiva – O estágio já se tornou, para milhões de jovens, o principal caminho para ingressar no mercado de trabalho. A vivência prática permite aos estudantes se adaptarem às rotinas corporativas, desenvolverem competências e fortalecer seu currículo. Esse processo aumenta exponencialmente as chances de empregabilidade após a conclusão do curso.
O estágio não beneficia apenas o aluno. Para organizações, trata-se de um mecanismo estratégico para formação de talentos. Ao acolher estagiários, elas conseguem direcionar suas habilidades, transmitir cultura interna, incentivar inovação e oxigenar equipes.
A chegada de jovens, muitas vezes já familiarizados com tendências digitais, metodologias contemporâneas e comportamento ágil, reforça a capacidade de adaptação das corporações. Em um país com desafios de produtividade, contar com profissionais em formação é uma vantagem competitiva relevante. Além disso, aquelas com programas estruturados tendem a reduzir custos de recrutamento, ampliam sua capacidade de retenção e constroem uma base sólida de futuros líderes.
2026 exige compromisso e ação
A chegada de 2026 reforça a urgência de ampliar programas de estágio, fortalecer parcerias entre universidades e empresas e modernizar modelos de formação. A consolidação de ecossistemas colaborativos, envolvendo organizações privadas, instituições educacionais e poder público, será essencial para garantir oportunidades de qualidade.
Para alunos, é fundamental buscar experiências práticas desde os primeiros semestres. Para empresas, é hora de estruturar programas sérios, com supervisão adequada e foco no desenvolvimento humano. Para o governo e entidades setoriais, o compromisso passa pela criação de políticas de incentivo, fiscalização eficiente e ações de estímulo às boas práticas.
Se o Brasil deseja aumentar sua produtividade e competitividade global, precisa investir em formação prática, desenvolvimento humano e ampliação de oportunidades para jovens. O estágio ocupa posição central nessa agenda. Ele prepara profissionais, fortalece empresas e contribui para o crescimento sustentável do país.
Ao iniciarmos esse novo ciclo, reafirmo a missão da Abres: apoiar estudantes, orientar empresas, fortalecer políticas públicas e garantir programas de estágio responsáveis, éticos e transformadores. O estágio não é apenas uma etapa. É o elo essencial entre educação, empregabilidade e desenvolvimento nacional.
*Seme Arone Jr., presidente da Associação Brasileira de Estágios (Abres)



