Inspirada no filósofo francês René Descartes, a professora de língua portuguesa Edna Bezerra afirma: “Ao ler bons livros, você conversa com as melhores mentes do passado”. Defensora inconteste do hábito da leitura, ela procurou o Diário do Noroeste para contar a história de uma aluna que encontrou nas páginas da imaginação a melhor companhia para a vida.
Estamos falando de Eloísa Palmieri Erzinger, que tem 15 anos e cursa o segundo ano do ensino médio. Ela mora em Alto Paraná, estuda em Paranavaí e se considera uma adolescente apaixonada por livros. Num cálculo rápido, estima que dedique quatro horas por dia à leitura.
Até pouco tempo, ler era uma obrigação escolar, e o contato com os clássicos da literatura nem sempre agradava. Narrativas densas e diálogos para lá de eruditos deixavam tudo difícil demais. Mas tudo mudou em 2024, quando decidiu seguir a indicação de uma amiga e começou a se aventurar pelo mundo das palavras de forma espontânea e bem mais divertida.
Em uma feira de livros, conheceu a obra “Eu e esse meu coração”, de C.C. Hunter, que transformou a forma como via a literatura. Depois disso, a prateleira no quarto cresceu e hoje está tomada por exemplares dos mais variados gêneros: romance, mistério, fantasia – esse último, o preferido.
Os livros físicos são o xodó de Eloísa, mas ela também utiliza o kindle, um dispositivo de leitura digital, que deixa tudo mais rápido e prático. Enquanto lê, escuta discos de vinil que coleciona com o pai. A vitrola no quarto da estudante está acostumada a tocar Marisa Monte, Cazuza, Elza Soares, Gal Costa e uma infinidade de clássicos da música brasileira.
A mãe exala orgulho. Tatiane Plamieri Erzinger é professora de história da rede estadual e conta que sempre incentivou a filha a ler. Demorou algum tempo até que os apelos maternos fossem atendidos, mas nada que apague o brilho nos olhos ao ver a filha se dedicando à leitura.

“Sinto muito orgulho. Inclusive, na homenagem que eu fiz, no aniversário dela de 15 anos, eu citei que o que mais me deixa orgulhosa é eu ter contribuído nesse hábito tão significativo que é o hábito da leitura. A Heloísa é uma menina muito preciosa.”
De vez em quando, Tatiane precisa pedir para a filha deixar um pouquinho os livros de lado e se dedicar às matérias escolares. Quando há relutância, elas negociam até encontrar o equilíbrio. “É uma luta árdua, a mãe fica em cima, mas de uma forma geral eu percebo que ela é uma pessoa muito bondosa, uma pessoa justa, uma pessoa feliz. E não só com a educação que nós proporcionamos, mas a influência dos livros que ela lê. Então repercute em vários sentidos e sempre coisas boas, coisas positivas.”

A professora Edna Bezerra, que dá aulas particulares de redação para Eloísa, garante que a evolução da aluna na produção de textos é marcante. Distribuir ideias, construir narrativas e criar diálogos são tarefas que ganharam novas cores pelas mãos da aluna. Uma curiosidade: “Uma vez ela usou Elza Soares como repertório dissertativo-argumentativo”.
Edna Bezerra espera que a história de Eloísa sirva de inspiração para outras pessoas e deixa um recado para crianças, adolescentes e – por que não? – adultos. “Acho que tem que experimentar, procurar títulos que chamem atenção. Começar, mesmo que seja com os mais simples, com contos, por exemplo, mas começar.”



