O potencial turístico é apenas o reconhecimento de uma oportunidade. Sem estruturação, não há receita, apenas visitação desordenada. A constatação é da turismóloga e consultora em desenvolvimento turístico Vanessa Leal, que esteve em Paranavaí nesta quinta-feira (24) e participou do 1º Fórum de Turismo – Caminhos do Noroeste do Paraná.
O evento foi organizado a partir de uma parceria entre a Instância de Governança Regional (IGR) Águas do Arenito Caiuá (Aarca), o Sebrae/PR, a Sociedade Rural do Noroeste do Paraná (SRNP) e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR).

Lideranças regionais ligadas aos setores públicos e privado participaram do fórum e assistiram a palestras sobre a importância de estruturar as políticas de atração de turistas dentro das características de cada município.
Para Vanessa Leal, é imprescindível entender que o turismo não é sobre os visitantes, mas, sim, como as atividades devem ser organizadas para gerar desenvolvimento econômico.
Coordenadora estadual de Turismo, Economia Criativa e Artesanato do Sebrae/PR, Patrícia Albanez afirmou que criar experiências turísticas exige mexer com os sentidos e contar histórias a partir da identidade local. Levando em conta as características de Paranavaí, uma sugestão seria aproveitar o título de Capital da Laranja para explorar o turismo.
O presidente da Aarca, João Artur Casado, ampliou as possibilidades para o âmbito regional. “Vou dar um exemplo: Maringá é considerado o recanto dos ipês, e Porto Rico é o caminho das águas. De Maringá até Porto Rico, se trabalharmos bem, plantando ipês, a gente pode criar aqui na nossa região a rota dos ipês.”
Outro segmento turístico ganhou espaço nas palavras de Casado, o religioso. Ele estimou que uma pessoa pode caminhar em média 15 quilômetros por dia, então, seguindo essa lógica, seria necessário investir na construção de acomodações para descanso e alimentação.
“Quando a gente fala de rotas religiosas, em sua maioria, o pessoal não faz no asfalto, mas na área rural. Então, a gente vai falar de estradas rurais, de turismo de contemplação, de hotelaria rural.”
Cidades inteligentes – Especialista em Inovação, Cidades Inteligentes e Contas Públicas, Júlio Diógenes é diretor-executivo do Laboratório Urbano Vivo da Prefeitura de Vitória (ES). Tomando como base o exemplo da capital capixaba, disse que cidade inteligente não é necessariamente tecnológica, mas feita para as pessoas. “É sobre como as pessoas se relacionam com a tecnologia.”
E para funcionar, a estruturação deve se dar em escala regional, integrando territórios, testando soluções e mantendo valores nas cidades partícipes.
Nesse sentido, Diógenes listou quatro etapas de atuação:
Perceber: dados, demandas, comportamento, mudanças
Conectar: pessoas, negócios, infraestrutura, informação
Decidir: evidências convertidas em prioridades
Responder: serviços e ambientes ajustados ao contexto.
Assessor da presidência da Fecomercio Paraná, Giovanni Bagatini acrescentou que o investimento público em espaços de turismo resulta na atração de empresas, faz girar a economia, estimula as redes hoteleira e gastronômica e impulsiona a prestação de serviços. Tudo isso movimenta a produção local.



