A queda nas temperaturas registrada nos últimos dias em Paranavaí e região tem despertado atenção no campo, principalmente entre produtores rurais que acompanham o desenvolvimento das lavouras, pastagens e hortaliças. Apesar da preocupação natural com o frio, especialistas afirmam que o cenário atual ainda não representa grandes riscos para a produção agrícola regional — e pode até trazer benefícios importantes.
Nesta semana, há previsão de temperaturas negativas em cidades do extremo-sul do Paraná, como Palmas e União da Vitória, principalmente durante o amanhecer. Já nas demais regiões do estado, as mínimas permanecem abaixo dos 10°C.
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), em Paranavaí a quarta-feira (13) deve registrar mínima de 9°C e máxima de 22°C. Na quinta-feira (14), os termômetros variam entre 13°C e 24°C.
De acordo com o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Ênio Luiz Debarba, o principal ponto de atenção neste momento está relacionado às pastagens utilizadas na alimentação do gado.
“O que nós temos de mais preocupante hoje na nossa região é a questão das pastagens, que são fonte de biomassa para alimentação do gado. Também temos o milho safrinha em várias fases de desenvolvimento e um pouco de hortaliças dos pequenos produtores”, explica.

Foto: Divulgação
Mesmo assim, o técnico avalia que o frio atual ainda não tem intensidade suficiente para causar prejuízos significativos na região Noroeste do estado. “Aqui em Paranavaí geralmente é mais quente do que outras regiões, então, nesse primeiro momento, esse frio não ocasiona prejuízos”, afirma.
Frio também ajuda no controle de pragas
Ao contrário do que muitos imaginam, o inverno não é visto apenas como um problema para o campo. Segundo Debarba, temperaturas mais baixas ajudam no controle natural de pragas e reduzem custos para os produtores.
“Algumas pragas que se desenvolvem muito no calor tendem a diminuir ou até desaparecer com o frio. Então, em um primeiro momento, vejo isso como positivo”, destaca.
O mesmo acontece com os carrapatos, que impactam diretamente a pecuária. “O gado é muito atacado por carrapatos e isso interfere na produção e nos custos de manejo. O frio ajuda bastante porque muitos desses parasitas acabam não resistindo às baixas temperaturas”, explica.

Foto: Arquivo DN
Risco maior está nas geadas e nos ventos
Segundo o técnico do Deral, a maior preocupação ocorre quando as temperaturas ficam abaixo de zero ou quando há formação de geadas mais intensas, situação menos comum em Paranavaí e região.
“O frio em si nem sempre é o principal problema. Em alguns lugares, a topografia favorece ventos mais fortes e é isso que pode causar queimaduras nas plantas”, comenta.
Por enquanto, o cenário segue sob monitoramento, mas sem indicativos de perdas expressivas no campo.
Equilíbrio climático é importante para a produção
Para o especialista, períodos de frio moderado fazem parte do equilíbrio climático necessário para a agricultura. Além de ajudarem no controle biológico de pragas, as temperaturas mais amenas contribuem para a recuperação ambiental e para o desenvolvimento de determinadas culturas.
Enquanto produtores acompanham a previsão do tempo com atenção, o momento é de cautela, mas não de alarme. No campo, o inverno pode trazer desafios — mas também oportunidades e benefícios importantes para a produção rural.




