A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,06% em julho, após marcar 0,41% em junho, segundo dados divulgados nesta terça (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A taxa de 0,06% surpreendeu analistas ao ficar bem abaixo das projeções do mercado financeiro. A mediana das estimativas era de 0,22%, enquanto o piso (menor previsão) estava em 0,15%, conforme a agência Bloomberg.
O IPCA-15 teve a menor variação para meses de julho em três anos, desde 2023 (-0,07%). Também mostrou a menor taxa mensal de 2026.
Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, diz que o IPCA-15 de julho traz mais uma evidência de melhora na inflação, mas avalia que o cenário exige cautela.
A publicação dos dados ocorre uma semana antes da nova reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).
O colegiado do BC terá encontro nos dias 4 e 5 de agosto para definir o patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,25% ao ano.
Para o economista Rafael Rondinelli, da Mag Investimentos, o IPCA-15 não altera a visão de um cenário inflacionário que segue pressionado no país, mas reforça a projeção de corte de juros na próxima semana.
Analistas esperam pelo menos mais uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, o que levaria a taxa para 14%.
Queda do tomate é destaque
Segundo economistas, a queda de alimentação e bebidas reflete melhores condições de produção nesta época do ano, após a pressão dos preços observada no primeiro semestre.
O IBGE destacou a redução do custo da alimentação no domicílio em julho (-1,14%).
Produtos in natura tiveram baixa mais intensa do que a esperada, o que ajuda a explicar a surpresa com o IPCA-15, conforme o economista Leonardo Costa, da instituição financeira Asa.
Houve recuos em produtos como tomate (-19,95%), batata-inglesa (-10,03%) e café moído (-3,13%). Do lado das altas, o IBGE citou alimentos como cebola (7,10%) e pão francês (0,65%).

Foto: Arquivo DN
Individualmente, o tomate gerou o maior impacto para baixo no IPCA-15 de julho (-0,07 p.p.), seguido pela gasolina (-0,04 p.p.), cujos preços recuaram 0,68%.
“O resultado do IPCA-15 de julho revelou uma composição mais favorável, com surpresas positivas distribuídas de maneira generalizada entre as aberturas do indicador”, disse a economista Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos.
“Nos preços administrados, o principal destaque foi o recuo mais intenso da gasolina, que conseguiu neutralizar o avanço da energia elétrica.”
A energia elétrica residencial subiu 3,03% no mês. Assim, gerou um impacto de 0,12 ponto percentual no IPCA-15.
Foi a principal contribuição individual do lado das altas, seguida pela pressão da passagem aérea (0,09 p.p.), cujos preços subiram 11,7%. Julho costuma ser um mês de demanda mais aquecida por viagens devido ao período de férias.
Segundo o IBGE, a carestia da conta de luz reflete a cobrança adicional da bandeira tarifária amarela, além de reajustes de concessionárias em parte dos locais pesquisados.



