O ano de 2026 foi marcado por uma experiência muito especial em minha caminhada: as minhas primeiras missões como postulante da Ordem do Carmo. Ao longo do ano, tive a oportunidade de participar de três missões, em diferentes realidades: a primeira em Curitiba (PR), a segunda em Alto Paraná (PR) e a terceira em Navegantes (SC).
Foram experiências diferentes entre si, mas todas profundamente marcadas pelo encontro com as pessoas. Foram muitas famílias visitadas, muitas portas abertas e muitas histórias partilhadas. Em cada casa, encontramos realidades diversas: algumas marcadas por dificuldades, dores e desafios; outras por testemunhos de fé, superação e esperança. Em todas elas, porém, pude perceber a presença de Deus e a riqueza que existe quando nos dispomos verdadeiramente a escutar e acolher o outro.
Essas missões me ensinaram muito. Ensinaram-me sobre o outro, sobre maturidade e, sobretudo, sobre a necessidade de desenvolver um olhar misericordioso para a vida e para a história de cada pessoa. Aprendi que ir ao encontro do outro significa deixar de lado preconceitos, expectativas e julgamentos, reconhecendo que cada pessoa carrega uma história que merece ser ouvida e respeitada.
Uma experiência, em particular, marcou profundamente essa caminhada. Em uma das visitas, fui com um grupo até uma casa onde, inicialmente, não havia ninguém. Alguém chegou a comentar que aquela residência pertencia a uma pessoa de outra religião, uma pessoa protestante. Mesmo assim, falei: “Vamos chamar.”
Batemos à porta, mas ninguém apareceu. Pouco depois, porém, aquela mulher chegou. Ela nos acolheu muito bem e, para nossa surpresa, aquele que poderia ter sido apenas mais um encontro tornou-se um dos momentos mais belos de toda a missão.
Ela abriu sua vida para nós. Partilhou suas experiências, suas dificuldades, aquilo que estava vivendo e aquilo que trazia no coração. Mais do que falar, nós tivemos a oportunidade de escutar. E naquele momento compreendi ainda mais que a missão não é simplesmente levar alguma coisa ao outro, mas também estar disposto a receber aquilo que o outro tem para nos oferecer.
No dia seguinte, para minha alegria, aquela mulher foi até a igreja católica para rezar conosco. Ali, foi acolhida com carinho e respeito. Para mim, foi um testemunho muito bonito de como o encontro pode construir pontes e de como o acolhimento pode abrir caminhos que talvez nem imaginássemos.
Experiências como essa aconteceram de diferentes formas ao longo das três missões. Cada casa visitada, cada conversa e cada história partilhada deixou alguma coisa em mim. Muitas vezes saímos pensando que fomos nós que levamos algo às famílias, mas, na verdade, fomos nós também os evangelizados por elas.
Também foram momentos importantes para continuar discernindo e confirmando minha vocação. Estar próximo do povo, ouvir suas histórias, partilhar suas alegrias e dores e colocar-me a serviço fez crescer em mim o desejo de continuar vivendo uma vida entregue a Deus e aos irmãos.
Ao recordar Curitiba, Alto Paraná e Navegantes, percebo que não foram apenas três lugares onde estive em missão. Foram três experiências que marcaram minha caminhada. Em cada uma delas, Deus me mostrou, através das pessoas, que a vocação também se confirma no encontro, no serviço e na disposição de sair de si mesmo para caminhar ao encontro do outro.
(Hygor Moraes, Postulante carmelita)















