Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
Estudo revela mudança de postura em relação às emrpesas Foto: Freepik

COMPORTAMENTO

Jovens rejeitam chefia e desafiam modelo tradicional de liderança nas empresas

A resistência de jovens profissionais a cargos de liderança já começa a preocupar empresas no Brasil e no exterior. Organizações de diferentes setores relatam dificuldade para formar sucessores e preencher posições de gestão, mesmo entre talentos altamente qualificados. O fenômeno, cada vez mais perceptível no ambiente corporativo, expõe uma mudança profunda na relação das novas gerações com o trabalho, o poder e a própria ideia de sucesso profissional. Dados recentes da consultoria Robert Walters, no Reino Unido, mostram que mais da metade dos profissionais da Geração Z não deseja ocupar cargos de média liderança, enquanto 72% preferem seguir uma trajetória individual na carreira. Cenário apresenta um movimento não relacionado à falta de ambição, mas ao desgaste de modelos hierárquicos considerados ultrapassados. Segundo Adeildo Nascimento, CEO da DHEO Consultoria e especialista em cultura organizacional, muitos jovens enxergam a liderança tradicional como um espaço de sobrecarga emocional, isolamento e cobrança excessiva. “Os jovens não estão recuando das posições de liderança. Eles estão recuando de modelos culturais ultrapassados no mundo do trabalho”, opina. 

Durante décadas as empresas associaram a figura do líder a um personagem que precisa resolver tudo, assumir sozinho o peso das decisões, dos conflitos e das crises internas. “Criamos a cultura do herói corporativo. O líder virou o centro de todas as pressões psicológicas, emocionais e operacionais da empresa. A nova geração não quer mais pagar esse preço”, critica.

Ambientes mais colaborativos e humanos

Outro fator é o distanciamento social imposto historicamente aos cargos de chefia. A liderança ainda é tratada em muitas organizações como uma posição superior, solitária e desconectada do coletivo. Nascimento explica que o jovem quer ambientes colaborativos, horizontais e mais humanos. “Quando percebe que virar líder significa se afastar do time e assumir um papel isolado, ele perde o interesse”.

Além da sobrecarga, a relação entre responsabilidade e recompensa também pesa na decisão. O especialista observa que, em muitos casos, o aumento salarial e o reconhecimento não compensam o volume de atribuições assumidas pelos gestores. Em algumas empresas, a promoção é vista quase como uma punição. “A pessoa ganha status, mas também recebe uma enxurrada de problemas e deixa de ter qualidade nas relações de trabalho”, afirma.

Liderança sustentável e atrativa

Para Nascimento, o desafio das empresas não é encontrar jovens vocacionados para liderar, mas revisar a cultura organizacional para tornar a liderança mais sustentável e atrativa. Entre as mudanças necessárias, ele defende o fim da lógica do líder-herói e a construção de modelos mais colaborativos e descentralizados.

“Os novos líderes precisam entender que não carregarão tudo sozinhos. As empresas que conseguirem dividir responsabilidades, fortalecer o trabalho em equipe e oferecer suporte real ao desenvolvimento profissional terão mais facilidade para atrair e formar futuras lideranças”, destaca.

O especialista alerta que organizações excessivamente rígidas e conservadoras tendem a enfrentar dificuldades cada vez maiores na sucessão de lideranças. “Se a empresa continuar presa aos modelos do passado, os talentos mais conscientes e preparados vão buscar ambientes mais modernos, flexíveis e coerentes com os valores dessa geração”.

Fonte: Assessoria

Compartilhe: