Uma série de ações desenvolvidas ao longo de março levará orientações e conscientização sobre a necessidade de interromper ciclos de violência dentro e fora do ambiente doméstico
REINALDO SILVA
Da Redação
Respeitar a vida. Rejeitar a violência. Ser generoso. Ouvir para compreender. Redescobrir a solidariedade. Preservar o planeta.
Todos esses pontos foram listados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Manifesto por uma Cultura de Paz e Não Violência. O documento é de 2000, mas permanece atual mesmo 25 anos depois.
Em casa, na escola, no trabalho, na rua, no âmbito político, nas relações internacionais. Aqui, ali, em qualquer lugar… Não raro, as tentativas de resolver conflitos geram mais problemas: agressão psicológica, violação do corpo, assassinato, guerra.
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É preciso quebrar esse ciclo.
Uma iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) pretende incentivar atitudes não violentas e, assim, contribuir com o processo de transformação da sociedade. Em março, fóruns de todo o Brasil participarão da Semana da Justiça pela Paz em Casa. Em Paranavaí, a programação deverá se estender até o final do mês.
A ideia é intensificar as ações de conscientização e de combate à violência, principalmente no âmbito interno dos lares, que reflete também nas atitudes fora do ambiente doméstico.
A juíza Maria de Lourdes Araújo, que está à frente da mobilização na Comarca de Paranavaí, listou algumas atividades programadas para março.
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Foto: Ivan Fuquini
Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, o Judiciário conduzirá rodas de conversa com estudantes e familiares em algumas escolas da cidade. O tema escolhido, Convivências, propõe abordagens sobre o ambiente familiar e as relações entre pais, mães e filhos.
O Núcleo Regional de Educação de Paranavaí também aderiu à Semana pela Paz em Casa e abriu as portas de alguns estabelecimentos de ensino para conversas com os adolescentes.
Ainda no setor da educação, a equipe do Judiciário fará intervenções com os funcionários da Unifatecie, unidade da BR-376.
Outro público já definido é formado por estudantes que participam de projetos do Sesc Paranavaí.
Extrapolando os limites do segmento educacional, o Judiciário pretende ocupar espaços midiáticos e reproduzir a mensagem em favor da cultura da paz. Extrapolando os limites geográficos, a própria juíza Maria de Lourdes viajará a Planaltina do Paraná e falará com a comunidade sobre dignidade menstrual.
A programação estabelecida até agora termina com uma conversa exclusiva com as mulheres que participam de clubes de motociclistas.
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Foto: TJ Amazonas
A juíza falou da importância de aproveitar a oportunidade para tratar de temas ligados ao público feminino. O período é bastante pertinente, em razão do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
“O Judiciário entendeu que ficar dentro de um gabinete, fazendo decisões e disparando sentenças não é suficiente. Volume de processos para isso, nós temos, mas se não falarmos disso, se não formos para a sociedade levando essa outra cultura, não vamos chegar a lugar nenhum”, ponderou Maria de Lourdes.
A avaliação da juíza é que a punição pela punição não resolve os problemas sociais resultantes da violência. Ir além é imprescindível. “A ideia é que através disso, a gente consiga disseminar essa cultura de paz, para que tenhamos uma geração, daqui para a frente, que pelo menos tenha uma quantidade menor de problemas de violência como nós temos.”
Paralelo às ações externas, internamente o Judiciário intensificará os trâmites de processos envolvendo violência doméstica e concentrará esforços no julgamento de casos de feminicídio, assim chamados os homicídios diretamente ligados à questão de gênero, ou seja, quando a vítima é morta por ser mulher.