Os olhos atentos acompanham os movimentos ao redor. A pequena Amália presta atenção nos detalhes, responde aos ruídos e ensaia pequenos gestos, sem perder a serenidade de quem encontra abrigo e conforto no colo da mãe.
Ela nasceu há pouco mais de 15 dias, em 24 de abril, e chegou ao mundo de uma maneira pouco convencional.
A família mora no Jardim São Jorge, em Paranavaí, e a mãe, Maria das Graças, fazia tarefas domésticas quando percebeu que a bolsa amniótica estourou.
A princípio, a ausência de contrações levou a acreditar que demoraria até entrar em trabalho de parto, por isso continuou a cuidar da casa. Pouco tempo depois, a tranquilidade se transformou em dor e Graça, como é conhecida, percebeu que a hora estava chegando.
Ligou para o marido, Carlos Augusto Pereira de Lima, que logo chegou para ajudá-la. Percebendo a urgência da situação, ele tentou apressá-la para que seguissem à Santa Casa de Paranavaí, a fim de buscar assistência adequada, e se espantou quando Graça pediu que esperasse, pois precisava tomar banho, afinal havia passado o dia fazendo faxina e não queria chegar suada.
“Nada disso”, respondeu o marido, “precisamos ir agora”. Argumentou e convenceu.
Ajeita aqui, arruma ali. Na hora de sair de casa, indo em direção ao carro estacionado no quintal, Graça sentiu que a bebê havia encaixado e entendeu que não daria tempo de ir ao hospital. Amália estava nascendo. Rapidamente, decidiram faze o parto no sofá da sala.
Carlos Augusto contou como foi. “Na hora eu falei: ‘Meu Deus, e agora? Como é que eu vou fazer?’ Mas trouxe ela pra dentro de casa, coloquei no sofá e falei: ‘Olha, agora deixa comigo’.”
Ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e conversou com a médica reguladora Thamirys Siqueira Carpejani, que fez todas as orientações necessárias para a realização do parto.
Nesse meio tempo, uma equipe de suporte avançado seguiu até o endereço. Formavam o grupo a médica intervencionista Amanda Caroline Pacheco Dal Col, a enfermeira intervencionista Roberta Garcia Navarro e o condutor socorrista Edvilson dos Santos Lima.

Foto: Gustavo Romano
Quando os profissionais chegaram, sete minutos depois do início do atendimento por telefone, Amália já havia nascido.
A coordenadora regional do Samu de Paranavaí, Isabel Cristina da Silva dos Santos, explicou que o primeiro contato dos pacientes com o serviço é feito pelo telefone (192). Todos os relatos passam por uma triagem bastante simples, mas extremamente importante para identificar a gravidade da situação.
A partir daí, a ligação é transferida para o profissional técnico adequado, no caso do parto de Amália, a médica reguladora.
Quando a equipe de socorro chega ao local da ocorrência, avalia as condições dos pacientes e faz os devidos encaminhamentos, seja para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), seja para a Santa Casa.
No dia 24 de abril, depois que Carlos Augusto cortou o cordão umbilical que ligava Amália à mãe, os socorristas colocaram a recém-nascida em uma incubadora, um equipamento que garante segurança, protege contra infecções e mantém a temperatura adequada para evitar que o bebê sofra hipotermia.
A família foi levada, então, à Santa Casa, onde mãe e filha receberam os cuidados pós-parto. Deu tudo certo.
Dias depois, Graça e Carlos Augusto receberam a equipe do Diário do Noroeste para contar essa história inusitada – que, aliás, a coordenadora regional do Samu classificou como “excepcionalidade”.
Com a pequena no colo, a mãe resumiu como foi ter o parto feito pelo próprio marido. “O Carlos é essa segurança na nossa casa, segurança da nossa família, e isso já me trouxe paz, tranquilidade e segurança. Saber que era ele que estava comigo, me acompanhando, me ajudando… [Senti como se fosse] o próprio Espírito Santo trabalhando nele para aquele momento acontecer.”
Passados mais de 15 dias, Graça e Amália estão saudáveis. Carlos Augusto está radiante. E os irmãos não param de mimar a nova integrante da família – e são muitos abraços de Maria Valentina, 11 anos; Celina, 8; José Henrique, 7; e Catarina, 2.



