“O voto é o nosso maior poder. É através dele que nós dizemos basta àquilo que não acreditamos e que não nos representa. E, da mesma maneira, sinaliza: ‘olha, é nessa ideia que nós acreditamos, é nessa pessoa, é nessa forma de enxergar a vida’.”
Candidata a deputada estadual pelo PSD, Maria Clara tem uma maneira entusiasmada de enxergar a política. Acredita veementemente que a atuação pública é o caminho para transformar o futuro.

Foto: Guto Costa
Encarou o desafio, venceu e assumiu uma cadeira na Câmara de Vereadores de Paranavaí em dezembro de 2021, tornando-se a parlamentar mais jovem na história do município. Foi reeleita e segue na atuação legislativa pelo segundo mandato consecutivo.
O desejo de fazer a diferença ganhou forças, e ela entendeu que seria o momento ideal para chegar ainda mais longe. “A Câmara Municipal tem um limite de atuação, tem um lugar até onde a gente pode ir. Após isso, seria em nível de governo do Estado.”
Em conversa com o governador Carlos Massa Ratinho Junior, encontrou a possibilidade de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) e, mais uma vez, decidiu arriscar. Lançou, então, a candidatura.
Maria Clara visitou a redação do Diário do Noroeste na tarde desta quarta-feira (23) e falou sobre a vida política e as pretensões, caso seja eleita em 4 de outubro.
A partir desta edição, iniciando com Maria Clara, o DN publica uma série de entrevistas e reportagens com candidatos e candidatas que buscam a aprovação dos eleitores e pretender seguir os próximos quatro anos como representantes do povo.

Foto: Guto Costa
Confira a seguir trechos da entrevista com Maria Clara.
Diário do Noroeste: O PSD é o partido com a maior bancada na Assembleia Legislativa, e eu imagino que neste ano a disputa interna seja muito acirrada. Eu queria que você falasse da viabilidade da sua candidatura considerando o tamanho do partido.
Maria Clara: Ao mesmo tempo que a competitividade é grande, porque nós temos deputados bem forte, isso também nos proporciona uma possibilidade ainda maior. Nós temos feito um levantamento de uma média de 30 mil a 35 mil votos, que é o que eu preciso para conseguir uma cadeira hoje na Assembleia. Mas nós sabemos que o martelo é de fato batido no dia da eleição. [É preciso] mostrar para a população que é possível fazer uma política diferente e é possível fazer uma política acessível, transparente, que traga retorno, que é onde a gente vê que muitas vezes a população acaba se frustrando, sabe? Então, a viabilidade, ela é muito real, ela é total da gente fazer acontecer.
Diário do Noroeste: E como tem sido o retorno das pessoas ao longo do seu trabalho de campanha?
Maria Clara: Eu digo que são duas divisões: o lado da população que está desanimado com a política, com o coração endurecido por conta do caminhar da carruagem, a forma como as coisas foram conduzidas até agora, mas o simples fato de você sentar a conversar e dizer a minha razão, o porquê eu estou aqui. Eu vejo que a política é um propósito na minha vida, um propósito de servir, de ajudar as pessoas. Então, naturalmente, a gente tem conseguido acessar muitos corações nesse sentido.
E como é que faz para trazer esses eleitores que estão desacreditados, endurecidos, como você disse, para dentro desse ambiente, para voltar a acreditar que existem possibilidades?
Diário do Noroeste: Como fazer com que os eleitores endurecidos voltem a acreditar?
Maria Clara: Nada como a verdade. Eu creio que a gente não consegue fingir ser uma pessoa ou algo que nós não somos, e as pessoas conseguem ter esse discernimento em uma conversa mesmo. Então, é você ter resiliência e paciência de entender que cada vida importa para nós, não apenas como eleitores, mas cada vida que vai ser afetada pela política.
Diário do Noroeste: Além da juventude, você levantou algumas bandeiras na Câmara de Vereadores, como a causa animal e a proteção dos direitos das mulheres. O que levará do seu trabalho em Paranavaí para a Assembleia Legislativa caso seja eleita?
Maria Clara: A primeira parte, família, e na família entra garantir proteção dos direitos das mulheres, crianças, adolescentes, idosos, a segurança. Então, em relação à proteção às mulheres, que a gente possa fazer o Noroeste ter mais voz, no sentido de termos mais estrutura.
O ponto da causa animal é uma outra realidade que nós vivemos em muita dificuldade no interior do estado, não somente Paranavaí, como os municípios vizinhos, que são menores. Nós precisamos, em primeiro lugar, ter um programa fixo, de castração gratuita.
A gente bate na tecla também da geração do emprego e renda, para nossos jovens, primeiro acesso ao emprego. A gente ouve muito jovem dizendo, ‘quero trabalhar, mas não tenho a oportunidade de ser contratado’, porque falta talvez uma qualificação. Então, que seja investido, é isto que nós queremos fomentar, a qualificação profissional.
Diário do Noroeste: Nesse tempo como vereadora, você enfrentou dificuldades. No passado, reclamou do silenciamento que sofreu na Câmara de Vereadores e apontou uma possível violência política de gênero. Como contornar problemas como esse?
Maria Clara: Sou muito afastada do vitimismo e também não me identifico com as pautas feministas, mas eu vejo que a mulher enfrenta um desafio maior no sentido de que a gente precisa continuar, independente do que está acontecendo, independente da violência que a gente acaba sofrendo. E é uma violência institucional mesmo. Hoje, o meio jurídico traz alguns termos, como a violência política de gênero, e é importante a gente dar nome aos bois nesse sentido, porque é uma realidade que a gente vive. Mas, apesar disso, o trabalho precisa continuar. Então, a gente tem que continuar levantando a nossa cabeça. Nem que eu tenha que falar mil vezes a mesma coisa para acontecer. É o que nós temos feito.
Diário do Noroeste: Agora, abrimos espaço para as considerações finais.
Maria Clara: Estamos aqui por acreditar que é possível fazer uma política diferente, uma política que valorize o que nós temos de melhor enquanto Noroeste do estado, enquanto Paranavaí, enquanto estado do Paraná, para que as pessoas olhem para nós e enxerguem isso, a força, a honestidade e a vontade de fazer acontecer do nosso trabalho. Então, para você que está nos acompanhando, nós precisamos do voto de confiança. Cremos que ter um deputado estadual vai além de apenas ocupar uma cadeira. É ocupar uma cadeira para dar voz ao Noroeste. Nós estamos aqui como pessoas convictas do que queremos, do estado que queremos construir, do futuro que queremos construir, principalmente do legado que a gente vai deixar para a próxima geração.



