Paranavaí vai receber, nesta sexta-feira (25), uma discussão voltada a um dos principais desafios da pecuária, sobre como transformar informação em decisões capazes de gerar mais produtividade e rentabilidade dentro da propriedade. O município recebe, pela primeira vez no Paraná, o Meet da Carne, encontro promovido pela Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), que terá como foco o uso de dados de avaliação genética na seleção de bovinos de corte.
O evento será realizado às 19h, no Parque de Exposições de Paranavaí, durante o Raízes do Agro, e terá como tema a aplicação prática das informações produzidas pelo Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo).

Foto: ANC/Divulgação
A proposta é aproximar o produtor das ferramentas de melhoramento genético e mostrar que os dados podem ser utilizados não apenas por grandes criatórios ou propriedades especializadas na produção de genética, mas também por pequenos e médios pecuaristas.
Para a superintendente de Registro da ANC, Silvia Freitas, Paranavaí foi escolhida justamente pela importância da região para o agronegócio e pela possibilidade de reunir produtores com diferentes perfis. “A decisão de levar o Meet da Carne pela primeira vez ao Paraná nasce justamente do nosso propósito de aproximar o melhoramento genético da realidade do produtor. O Paraná tem uma pecuária importante e uma forte cultura de busca por eficiência, tecnologia e produtividade”, afirma.
Segundo Silvia, a localização de Paranavaí também permite que o projeto deixe os grandes centros tradicionalmente relacionados às discussões sobre genética e chegue mais perto de quem toma as decisões diariamente dentro das propriedades.
“Paranavaí foi uma escolha estratégica porque está inserida em uma região com forte atividade agropecuária e tem capacidade de reunir produtores de diferentes perfis. Queremos sair dos grandes centros tradicionalmente associados às discussões sobre genética e estar mais próximos de quem efetivamente toma as decisões dentro da propriedade”, explica.
Do dado para a decisão
Um dos principais pontos que serão abordados durante o encontro é justamente a dificuldade de transformar os números produzidos pelos programas de melhoramento em decisões práticas. De acordo com Silvia, o produtor tem acesso a uma grande quantidade de informações, mas muitas vezes precisa de mais clareza para entender quais dados devem ser considerados de acordo com seu sistema de produção e os objetivos do negócio.
“O produtor quer informação, mas quer, principalmente, saber como transformar essa informação em resultado. Não basta apresentar uma DEP, um índice ou uma avaliação genética. É preciso mostrar o que aquele dado significa na prática, qual animal selecionar, quais características priorizar, como definir os acasalamentos e como alinhar a genética aos objetivos do sistema de produção”, destaca.
A programação vai apresentar as principais ferramentas disponíveis no Promebo e contará também com relatos de pecuaristas que já utilizam os dados do programa. A intenção é mostrar, por meio de experiências reais, como as avaliações genéticas podem orientar decisões dentro dos rebanhos.
Ferramenta também para pequenos produtores
A ideia de que o melhoramento genético seria uma ferramenta restrita a grandes propriedades é outro ponto que será discutido em Paranavaí. Silvia explica que os dados podem auxiliar qualquer produtor que precise selecionar animais para reprodução ou definir quais fêmeas permanecerão no rebanho.
“Dados genéticos se aplicam a qualquer tamanho de rebanho, pois todo pecuarista seleciona touros para monta natural ou para inseminação artificial, assim como busca encontrar as fêmeas mais produtivas para fazer a reposição das matrizes e produzir os machos mais eficientes para o abate”, afirma.
Para o médico-veterinário e palestrante do Meet da Carne, Antônio Francisco Chaves Neto, o primeiro passo para utilizar corretamente as informações genéticas é estabelecer com clareza qual é o objetivo da propriedade. A partir disso, o produtor pode definir quais características devem receber maior atenção na seleção dos animais.
“Primeiramente, o pecuarista deve definir o seu objetivo, como cria, cria e recria ou cria, recria e engorda. Em função da sua meta e da realidade do sistema de produção, vai se orientar por determinadas características”, explica.
Chaves Neto também destaca a importância dos relatórios das matrizes e dos touros para orientar decisões dentro do rebanho. Com as informações das matrizes, o produtor pode identificar quais animais devem permanecer no sistema e quais apresentam características que justificam o descarte. Já os dados dos touros podem ajudar na escolha dos reprodutores mais adequados ao objetivo definido para a propriedade.
“Através do relatório das matrizes, irá tomar decisões com relação ao que descartar. Com o relatório dos touros e, em função do seu objetivo traçado, irá escolher o melhor reprodutor para o seu sistema de produção”, afirma.
Segundo o veterinário, o uso dessas informações permite conhecer melhor o potencial genético dos animais. “É o real potencial genético do animal”, resume.
Genética depende de todo o sistema
Apesar da importância dos dados genéticos, o especialista ressalta que a genética não funciona de maneira isolada. Para que o potencial dos animais seja convertido em produtividade, é necessário que outras áreas da propriedade também estejam adequadamente estruturadas. “A genética é uma sintonia fina, onde precisamos ter uma boa nutrição, um controle sanitário adequado, um bom manejo. Aí sim a genética vai fazer a diferença, podendo chegar a um bom impacto econômico”, explica Chaves Neto.
Paranavaí recebe primeira edição no Paraná
A realização do Meet da Carne em Paranavaí marca a expansão do projeto para o Paraná e aproxima o Promebo de uma região com forte presença da atividade agropecuária. Para Silvia Freitas, além de apresentar as ferramentas disponíveis, o encontro pretende criar um canal de diálogo com os produtores locais.
“Queremos abrir um canal de diálogo com os pecuaristas da região, entender suas necessidades e mostrar que dados bem utilizados podem deixar de ser apenas números em uma avaliação e passar a ser uma ferramenta efetiva para produzir mais, com mais eficiência e maior previsibilidade”, afirma.



