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Expectativa é que a oferta da raiz volte aos patamares normais a partir de dezembro Foto: Arquivo DN

ECONOMIA

Menor oferta impulsiona preços da mandioca e afeta produção industrial

REINALDO SILVA

reinaldo@diariodonoroeste.com.br

O preço da mandioca subiu mais de 30% ao longo dos últimos 40 dias, resultado da baixa oferta do produto no mercado. Com o teor de amido reduzido, após as podas de inverno, a raiz precisa de tempo para se recuperar, o que leva os produtores a reterem a comercialização. O longo período de estiagem também interferiu no desenvolvimento das lavouras. “Há uma pressão muito grande sobre o setor. Indústrias paradas geram altos custos. O interessante é que estejam trabalhando”, diz Ivo Pierin Junior, presidente do Sindicato Rural de Paranavaí e diretor do Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná (Simp).

Ontem, a diretoria do Simp se reuniu para avaliar as condições do mercado e encontrar nas dificuldades chances de fortalecer a cadeia produtiva de mandioca. Uma das possibilidades é explorar as vendas internacionais, aproveitando brechas deixadas por grandes produtores de raiz e amido. É o caso da Tailândia, que concentrou as exportações para a China, e do Paraguai, severamente afetado pela seca prolongada. O momento de consolidar a produção nacional é agora, avalia João Eduardo Pasquini, vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam) e diretor do Simp.

A estimativa é que a exportação de fécula de mandioca tenha crescido 55% em relação a 2020 e pode ser ainda maior. Para garantir esse desempenho, a orientação de Pasquini é que a matéria-prima não seja represada. Os produtores devem abastecer a indústria de acordo com a demanda, propondo médias de preço razoáveis para não sobrecarregar o setor. “Quando o produtor ganha, a indústria também resultados positivos e toda a cadeia produtiva se fortalece.” Segundo ele, a maioria das indústrias funciona hoje com capacidade reduzida em até 50%, por falta de raiz.

Para Pierin Junior, o momento é de adaptação. Há uma mudança de comportamento em curso, gerada pela melhora das condições econômicas em todo o mundo. Os mercados internacionais estão buscando cada vez mais alimentos de qualidade e o Brasil precisa estar preparado para atender essa demanda. “Temos mandioca para abastecer e temos capacidade para alcançar essas expectativas.”

Mercado interno – Para além das comercializações externas, Pierin Junior analisa as condições do mercado doméstico. Informa que o grama da mandioca atingiu R$ 1,10 e que a valorização dá fôlego para os produtores. No entanto, há complicações. Depois de significativa alta, o preço do amido de milho voltou a cair, graças à recuperação das lavouras em escala mundial, e isso torna o derivado do grão mais competitivo em relação à raiz. É necessário que a cadeia produtiva da mandioca encontre nichos de mercado exclusivos.

Os custos operacionais para manter as lavouras subiram: arrendamento, insumos, óleo diesel, mão de obra. Para muitos produtores, os valores inviabilizam a manutenção da atividade, por isso, já se fala em redução da área plantada. Pasquini projeta encolhimento de 30% do plantio, índice superior ao estimado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), de 10%.

Se as perspectivas se concretizarem, os preços poderão se manter em alta pelos próximos dois anos. Num movimento cíclico, a remuneração elevada atrai novos produtores e faz aumentar a área de plantio, promovendo maior oferta de raiz para o mercado interno e para outros países consumidores. Por enquanto, no Noroeste do Paraná, a redução nas lavouras é pequena, pontua Pierin Junior.

Ivo Pierin Junior fala da necessidade de movimentar a indústria e incrementar a produção
Foto: Arquivo DN
João Eduardo Pasquini destaca a possibilidade de redução da área de plantio no Paraná
Foto: Divulgação
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