(44) 3421-4050 / (44) 99177-4050

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Mais notícias...

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Compartilhe:
Riscos da gestação são maiores entre adolescentes, principalmente em razão da imaturidade biológica
Foto: Ari Dias/Agência Estadual de Notícias
Riscos da gestação são maiores entre adolescentes, principalmente em razão da imaturidade biológica Foto: Ari Dias/Agência Estadual de Notícias

SAÚDE

Noroeste registra mais de 4.700 casos de gravidez na adolescência em 10 anos

Dados levam em conta o período de 2015 a 2024 e consideram gestantes de até 17 anos nos 28 municípios da 14ª Regional de Saúde de Paranavaí

REINALDO SILVA

Da Redação

A gravidez na adolescência configura um grande desafio para a saúde pública. Essas gestações, muitas vezes não planejadas, apresentam maiores riscos obstétricos, principalmente em razão da imaturidade biológica das adolescentes, mas também pela menor adesão ao acompanhamento pré-natal.

O medo do julgamento social e da reação dos familiares leva as adolescentes a ocultar a gravidez, o que dificulta o acesso oportuno aos serviços de saúde. “É essencial que o atendimento seja buscado assim que houver suspeita de gestação”, orienta Dayane Lacerda Buchner Garcia, referência técnica em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente da 14ª Regional de Saúde de Paranavaí. 

De 2015 a 2024, os 28 municípios do Noroeste do Paraná somaram 4.781 casos de gravidez na adolescência, sendo 208 gestantes com menos de 14 anos de idade e 4.573 entre 15 e 19 anos. Considerando esse mesmo recorte de tempo, Paranavaí, maior cidade da região, registrou 45 gravidezes entre meninas de até 14 anos e 1.207 entre o público de 15 a 19 anos.

Os dados da 14ª Regional de Saúde foram compilados por Jane Aparecida Camargo, referência técnica do Grupo Técnico de Avaliação de Óbitos. A partir do levantamento, é possível conhecer o perfil das adolescentes grávidas entre 2015 e 2024 no Noroeste do Paraná quanto à escolaridade. 

Para dar uma ideia, na faixa de 12 a 17 anos de idade, três não tinham qualquer nível de formação escolar, 43 cursavam ou haviam concluído o ensino fundamental e 2.134 estavam no ensino médio. 

Educação – De acordo com a chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Paranavaí, Adélia Paixão, atualmente há 50 adolescentes grávidas em colégios da rede estadual nos 21 municípios da área de abrangência: 20 em Paranavaí e 30 nos demais.

Adélia Paixão explica que as ações da Secretaria de Estado da Educação (Seed) para a prevenção da gravidez na adolescência estão previstas no calendário escolar. Cada estabelecimento tem autonomia para desenvolver as atividades nesse sentido.

A chefe do NRE cita o caso do Colégio Estadual Pedro Viriato Parigot de Souza, de Mirador. No ano passado, a equipe da escola distribuiu a programação em diferentes meses – abril, maio, junho, julho, agosto, outubro e novembro.

No primeiro momento, o trabalho se concentrou em falar da gravidez precoce, com vistas a despertar nas meninas o sentimento de responsabilidade sobre a própria vida. Também foi oportunidade para falar de casamento infantil e das consequências da gestação.

Os alunos apresentaram dúvidas, posteriormente respondidas. Os pais receberam informações. Houve tempo para promover rodas de conversa e para a elaboração de cartas de cunho pessoal.

Os resultados foram muito positivos, conforme avaliação de Adélia Paixão. 

Rede de saúde – Dayane Lacerda Buchner Garcia, da 14ª Regional de Saúde, destaca que as unidades básicas de saúde estão estruturadas para acolher e acompanhar as gestantes de forma humanizada. Adolescentes com menos de 15 anos são classificadas como risco intermediário e recebem atendimento tanto da UBS quanto do Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Os serviços são prestados por equipes multiprofissionais compostas por médico, enfermeiro, nutricionista, psicólogo e assistente social. 

Todas têm direito a exames laboratoriais nos três trimestres, exames de imagem, avaliação odontológica e vacinação conforme o calendário pré-natal. A legislação também assegura a presença de acompanhante durante o pré-parto, o parto e o pós-parto.

Como consta do levantamento da 14ª Regional de Saúde, de 2015 a 2024, dos 2.234 partos realizados em adolescentes de até 17 anos, foram 496 normais e 1.737 cesarianos – do total de procedimentos, apenas um não teve o tipo informado.

Atenção primária – Educação em saúde, planejamento sexual e reprodutivo e distribuição de métodos contraceptivos são algumas atribuições da Atenção Primária à Saúde (APS). Da mesma forma, cabe à APS oferecer capacitação das equipes para acolhimento humanizado, acompanhamento contínuo do pré-natal, monitoramento dos exames e visitas domiciliares para busca ativa de gestantes. 

“Os agentes comunitários de saúde (ACS) são fundamentais nesse processo, atuando como elo entre a comunidade e as equipes de saúde. Eles acompanham a assiduidade das gestantes, identificam faltas a consultas e exames, compartilham informações relevantes e sinalizam eventuais barreiras ao acesso”, detalha a referência técnica em Saúde da Mulher, Criança e Adolescente da Regional de Saúde. 

Dayane Lacerda Buchner Garcia também informa que o hospital Santa Casa de Paranavaí é a referência dos 28 municípios da região para os partos e o atendimento neonatal (até 28 dias de vida) nos casos de gestantes classificadas como risco intermediário e alto risco. 

Compartilhe: