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COLUNA DO BEM

Nos entretempos, o tempo inesquecível

Falar de amor é falar de encontro. Falar de dor é falar de despedida.

Entre esses dois tempos: o da chegada e o da partida, o tempo de ficar. Esse é o mais precioso dos entretempos.

No mais amplo sentido do amor.

Na abrangência feliz dos braços a se esticarem ao enlaçar o corpo alheio. Quente. Desejoso. De espera.

Um abraço a quatro mãos.

É a linguagem silenciosa do amor tomado pela paixão. Brota espontâneo e puro e fica. Na expressão mágica do ser.

Sem a preocupação com o tempo. Que ele passe e se vá. 

Nem da necessidade de se medir a intensidade do abraço. Os corpos se dão um ao redor do outro, simultaneamente. E só. Nada mais lhes falta. O contato faz o todo.

Porque a força será mútua e, qualquer diferença entre os laços e braços, não será medida. Mas sentida. Gostada. Gozada no estertor que a paixão imprime, que a volúpia em deleite amacia, cativa, amansa e faz imantar o querer. Não haverá precisão nem interesse de um, apenas. Mas de dois.

O momento de prazer não usa relógio, nem subterfúgio.

Ele acontece e se refugia entre músculos para se contrair em frêmitos, com o coração de permeio a bombar felicidade. A ribombar nas sensações nos canhões das veias que espargem calor. Vigor. Acalanto.

Na lentidão do abraço, sem pressa de desprender, sem ânimo a se mexer. Esse contato enleva, distrai, acende, acelera e se perfaz por inteiro.

Um abraço bem dado é como escrever com o dedo na areia o verso que se idealizou. Sem a preocupação com a onda que em breve irá apagar o escrito. Incrustado, já estará nos olhos de quem o leu.

E guardou ao inspirá-lo.

Poemas que o bom abraço escreve são as letras dos suores. Das costas molhadas, das testas banhadas e dos lábios rejuvenescidos.

É o momento. É o tempo. A dois.

É o ficar que deixa de ser verbo para virar o incêndio da expressiva mensagem de corpos unidos, na composição de um só.

Assim, corpo e alma se elevam à transcendência imensurável da paixão no aconchego de um abraço concedido em simultaneidade. Ele faz o tempo.

O entretempo.

O todo, porque no abraço verdadeiro, o tempo não corre. Apenas permanece…

Fonte: Renato Benvindo Frata

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