A Polícia Civil do Paraná informou nesta sexta-feira (15) que novas testemunhas foram identificadas e começaram a ser ouvidas na investigação sobre o desaparecimento das primas Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes, ambas de 18 anos. No mesmo dia, a corporação também divulgou novas imagens de câmera de segurança que mostram as duas jovens na companhia do principal suspeito, de 39 anos, em uma boate de Paranavaí, na madrugada de 21 de abril.
Segundo o delegado Luís Fernando Silva, as imagens mostram as primas caminhando ao lado do investigado e reforçam elementos que já vinham sendo levantados ao longo da apuração. De acordo com a nota divulgada pela Polícia Civil, os registros seguem sob análise pericial, enquanto novas oitivas e colheitas de depoimentos são realizadas com testemunhas identificadas recentemente.
Saída de casa — O caso começou na noite de 20 de abril, quando Stella e Letycia deixaram Cianorte, dizendo que iriam para uma festa na região de Maringá e que talvez seguissem até Porto Rico. De acordo com a investigação, as duas entraram em uma caminhonete preta conduzida pelo suspeito, que, segundo a polícia, usava um nome falso para se aproximar das vítimas. Imagens de câmeras registraram o veículo trafegando pela região Noroeste.
A linha do tempo da investigação aponta que, já na madrugada de 21 de abril, o trio esteve em uma casa noturna de Paranavaí. As imagens recuperadas pela perícia mostram Stella, Letycia e o suspeito entrando no local por volta de 1h10. Pouco antes disso, Stella publicou uma foto nas redes sociais dentro do veículo, ao lado do suspeito, marcando a prima na postagem. Segundo a Polícia Civil, a última atividade digital das jovens ocorreu às 3h17 daquela madrugada. Depois desse horário, não houve mais mensagens, ligações ou movimentações nas redes sociais.

O desaparecimento das jovens foi registrado oficialmente em 23 de abril, na 21ª Subdivisão Policial de Cianorte. A partir daí, a Polícia Civil iniciou diligências, análise de imagens, rastreamento de celulares e coleta de depoimentos.
Principal suspeito — Com o avanço das investigações, a polícia apurou que o principal teria retornado sozinho a Cianorte entre os dias 22 e 23 de abril. A caminhonete usada no trajeto foi abandonada depois e, segundo a investigação, seria clonada. Depois disso, o suspeito desapareceu novamente, desta vez usando uma motocicleta, e, desde então, não foi localizado.
Ao longo da apuração, a Polícia Civil também tornou público o histórico criminal do homem apontado como principal suspeito. Segundo a corporação, ele tem dezenas de passagens policiais desde a adolescência, incluindo registros por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma, roubo agravado, cárcere privado e uso de identidade falsa. A polícia afirma ainda que ele já cumpriu cerca de sete anos de prisão após uma operação contra o tráfico em Mandaguari e que também foi condenado por participação em um roubo violento na região de Apucarana.
Crime — No dia 29 de abril, a investigação passou a tratar o caso como possível duplo homicídio. Segundo o delegado responsável, havia “fortes indícios” de envolvimento do suspeito no desaparecimento das jovens. A Justiça decretou a prisão temporária dele, mas ele continua foragido. Apesar da principal linha hoje apontar para homicídio, a Polícia Civil informou que ainda não descarta outras hipóteses, como sequestro ou cárcere privado.

Nos últimos dias, as buscas se concentraram em Paranavaí e em áreas rurais da região. Segundo a investigação, o celular de uma das jovens teria emitido o último sinal de internet naquele trecho. As operações usam drones, cães farejadores, equipes terrestres e varreduras em propriedades rurais e áreas de mata, mas, até o momento, nenhum vestígio concreto das vítimas foi localizado.
Enquanto novas testemunhas são ouvidas, a Polícia Civil mantém diligências sigilosas para tentar localizar as jovens e capturar o suspeito. Informações sobre o paradeiro delas ou de Clayton podem ser repassadas anonimamente pelos telefones 181, 190 e 197.



