O transporte coletivo urbano de Paranavaí passará por mudanças. O novo contrato de prestação de serviços entrará em vigor ainda neste ano, atendendo à população dos bairros e dos distritos com ônibus equipados com ar-condicionado, sinal de internet e câmera de segurança interna.
A data de implantação das modificações ainda não foi definida, mas o secretário municipal de Segurança e Trânsito, Ademir Giandotti, afirmou: “A meta que o Mauricio [Gehlen] nos deu para trabalhar, ele quer a mudança no transporte coletivo este ano de 2026”. A determinação do prefeito foi chamada de “prazo moral”.
De acordo com o diretor de Transporte Matheus Buchner, o edital de licitação está em fase avançada. Assim que o documento estiver pronto, será encaminhado para análise do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, uma exigência do próprio TCE-PR para todas as concessões feitas no estado.
O período máximo de avaliação é de 120 dias. Não havendo necessidade de alterações, o edital será, então, publicado, abrindo o processo de concorrência para as empresas. “Depois, é o prazo de análise de documentação e de credenciamento dos balanços e já finaliza o contrato”, explicou Buchner.
A concessão dos serviços para a empresa que opera atualmente em Paranavaí se estende por quase 20 anos. “Já está defasado”, resumiu o diretor de Transporte. A remuneração é feita com base no número de usuários, o que, na prática, aumenta os custos com manutenção, combustível, operações administrativas e implantação de tecnologias.
A nova proposta é basear as contas em quilômetros rodados. Essa formatação permitirá, por exemplo, ampliar o número de linhas e estabelecer mais horários de circulação dos ônibus, duas reivindicações recorrentes dos usuários do transporte coletivo.
A empregada doméstica Martha Aparecida de Oliveira mora na Coloninha do Jardim São Jorge e trabalha perto da Praça dos Pioneiros. Sai de casa pela manhã e retorna à tarde e disse estar insatisfeita com o modelo atual. “A gente chega [ao terminal urbano] às duas e só tem ônibus às quatro e meia. Imagina isso todos os dias?”

Foto: Gustavo Romano
Tarifa – Maria Aparecida Rodrigues também é empregada doméstica e mora na região dos Três Conjuntos. Tem a mesma rotina diária de deslocamento e compartilha as reclamações. Ao Diário do Noroeste, apontou as condições precárias dos veículos e pediu ônibus novos. Aproveitou a oportunidade e classificou como alto demais o preço da passagem – considerando “a situação que a gente está vivendo”.
Para pagamento com o cartão de recarga, a tarifa é de R$ 4,93. Se a opção for dinheiro, R$ 5,10. Já o valor cobrado dos estudantes é R$ 2,55. Com a implantação do novo modelo, os passageiros também terão como opções PIX e cartões de crédito e débito.

Foto: Gustavo Romano
Outra proposta da administração municipal é estabelecer uma política de incentivo ao uso do transporte coletivo urbano. A ideia é criar um sistema de reembolso parcial para trabalhadores que utilizam os ônibus, assim, será mais vantajoso do que trafegar com carro individual.
“A partir do momento que tem um ônibus com ar-condicionado e Wi-Fi, de repente pagando menos, ele [o trabalhador] deixa o seu veículo em casa e menos veículos circulam na cidade de Paranavaí. Então a gente tem uma mobilidade melhor também”, ponderou o secretário de Segurança e Trânsito.
Apesar de todas as vantagens previstas no edital, não há qualquer possibilidade de adotar a tarifa zero. “A gente parte da premissa de que o que não é cobrado não tem valor. Mas ainda vamos trabalhar com o subsídio do município”, disse Giandotti.
Conforme o contrato atual, o subsídio é calculado pelo número de usuários. No novo modelo, a base será a quilometragem, o que, segundo o diretor de Transporte, reduzirá o valor da tarifa.
Será? – As passageiras citadas anteriormente disseram que só acreditarão nas melhorias quando forem colocadas em prática de fato. A desesperança vem das reiteradas promessas de mudanças ao longo de anos, mas sem qualquer resultado efetivo.
“Sempre que a gente pergunta, eles falam que estão esperando. Esperando o quê?”, questionou Martha, referindo-se a autoridades políticas e agentes públicos. Mas se as propostas se concretizarem serão bem-vindas. “A gente fica na esperança”, completou Maria.




